A Justiça da Paraíba revogou, nesta segunda-feira (17), a prisão preventiva de David Arayam de Lima Braga, indiciado pela morte de Ianny Marry Barreto de Lira, encontrada morta dentro de casa, em Cajazeiras, no Sertão da Paraíba, em outubro de 2023. Com a decisão, o homem deverá aguardar em liberdade a realização do julgamento pelo Tribunal do Júri. A data da sessão ainda não foi definida.
David estava preso desde setembro de 2025, quando se apresentou à Polícia Civil em Sousa, acompanhado de seu advogado, após a Justiça decretar sua prisão preventiva. Na ocasião, ele foi apontado pelas investigações como responsável pela morte da jovem, que tinha 28 anos. A prisão ocorreu quase dois anos depois do crime.
A decisão que revoga a prisão preventiva não significa uma absolvição nem encerra o processo. O caso continua tramitando na Justiça, e a responsabilidade criminal de David ainda será analisada pelo Tribunal do Júri. Até que exista uma decisão definitiva, ele deve ser tratado como acusado ou indiciado, e não como condenado.
A defesa de David Arayam já havia contestado elementos apresentados pela investigação e negado que ele tenha cometido o assassinato. Até a publicação desta reportagem, não havia sido localizada uma manifestação específica da defesa sobre a nova decisão judicial.
O crime que chocou Cajazeiras
Ianny Marry Barreto de Lira foi encontrada morta no dia 15 de outubro de 2023, dentro da própria residência, no bairro Sol Nascente, em Cajazeiras. O corpo foi localizado pela ex-sogra da jovem.
Segundo as informações reunidas no inquérito policial, Ianny apresentava sinais de asfixia, estava com um pano na boca e tinha as mãos amarradas. A ausência de sinais de arrombamento na residência chamou a atenção dos investigadores e levou à hipótese de que o autor do crime conhecia a vítima e teria entrado no imóvel com autorização.
A investigação passou a reconstruir os últimos momentos da jovem por meio de diferentes elementos, entre eles mensagens encontradas no celular dela e exames periciais. A partir dessas informações, a Polícia Civil elaborou uma linha do tempo dos acontecimentos que antecederam a morte.
Um dos principais elementos apontados pela investigação foi o material genético encontrado nas unhas de Ianny. O exame realizado pela perícia identificou DNA compatível com David Arayam de Lima Braga. O resultado passou a fazer parte das provas utilizadas para sustentar o indiciamento dele pelo crime.
Defesa questionou prova genética
Apesar do resultado do exame, a defesa de David contestou a interpretação dada ao material genético. O argumento apresentado foi de que a presença do DNA nas unhas da vítima não comprovaria, por si só, que ele tivesse cometido o assassinato.
Segundo a defesa, Ianny e David haviam se encontrado horas antes da morte e mantinham uma relação amorosa. Dessa forma, o contato físico entre os dois poderia explicar a presença do material genético encontrado durante a perícia.
A defesa também sustentou que o encontro entre os dois teria ocorrido no mesmo dia do crime, circunstância que, segundo os advogados, deveria ser considerada na análise da prova. David, por sua vez, negou ter matado Ianny.
O caso, portanto, reúne versões e elementos que deverão ser avaliados ao longo do processo judicial. A decisão final sobre a responsabilidade do acusado caberá à Justiça, após a análise das provas e dos argumentos apresentados pelas partes.
Relação entre Ianny e o investigado
De acordo com o inquérito, Ianny e David mantinham um relacionamento. Os dois estiveram juntos no dia 13 de outubro de 2023, dois dias antes de a jovem ser encontrada morta, e teriam se desentendido.
As investigações apontaram que a relação entre os dois estaria marcada por sentimentos de ciúmes e por uma possível mudança nos planos pessoais de Ianny.
Mensagens analisadas pela Polícia Civil indicaram que a jovem planejava viajar para Portugal, onde pretendia trabalhar. Ao mesmo tempo, o ex-marido dela, Danilo, que estava viajando, tinha previsão de retornar para Cajazeiras.
Segundo o conteúdo do inquérito, Ianny avaliava a possibilidade de reatar o relacionamento com o ex-marido. A investigação considerou que essas circunstâncias poderiam ter provocado conflitos e ciúmes no relacionamento com David.
O ex-marido chegou a ser investigado inicialmente e foi preso durante as primeiras etapas do caso. Entretanto, posteriormente, as investigações afastaram a participação dele, inclusive após a análise do material genético. O DNA encontrado nas unhas da vítima não correspondia ao ex-marido.
Prisão ocorreu quase dois anos após a morte
A Polícia Civil havia solicitado a prisão preventiva de David em setembro de 2024. O pedido, porém, só resultou na decretação da prisão pela Justiça em setembro de 2025. David acabou se apresentando às autoridades em Sousa no dia 9 daquele mês e foi encaminhado para Cajazeiras.
A prisão preventiva foi mantida até a decisão desta segunda-feira (17), quando a Justiça determinou sua revogação. A partir de agora, David poderá acompanhar o andamento do processo em liberdade, enquanto aguarda a definição da data do julgamento.
É importante destacar que a prisão preventiva é uma medida cautelar e não representa, por si só, uma condenação. Da mesma forma, sua revogação não significa que a Justiça tenha declarado o acusado inocente. O processo continuará até que haja uma decisão judicial sobre o mérito da acusação.
Caso ainda aguarda julgamento
A morte de Ianny Marry permanece como um dos casos que mais repercutiram em Cajazeiras nos últimos anos. Desde outubro de 2023, familiares, amigos e pessoas próximas à jovem acompanham o andamento das investigações e aguardam uma resposta definitiva da Justiça.
A conclusão do inquérito apontou David Arayam como indiciado pelo crime, com base no conjunto de elementos reunidos durante a investigação. Entre eles estão o exame genético, a análise de mensagens e a reconstrução da rotina da vítima nos dias que antecederam sua morte.
Agora, com a revogação da prisão preventiva, uma nova etapa do processo começa. David aguardará o julgamento em liberdade, e a acusação e a defesa terão oportunidade de apresentar seus argumentos perante a Justiça.
A data do Tribunal do Júri ainda não foi marcada. Até lá, o processo seguirá seu curso normal, com respeito ao direito de defesa e ao princípio da presunção de inocência.
Para familiares e amigos de Ianny, entretanto, o caso representa uma ferida que permanece aberta. A jovem teve a vida interrompida de maneira violenta e, quase três anos depois da descoberta de seu corpo, a espera por uma decisão definitiva continua.
Nota editorial: esta reportagem utiliza informações disponíveis sobre o inquérito e decisões relacionadas ao caso. David Arayam de Lima Braga é tratado como indiciado/acusado, e não como condenado, uma vez que ainda não houve julgamento definitivo sobre a acusação.









