Quase dez anos após a chacina que chocou a Paraíba e a Espanha, o caso envolvendo François Patrick Nogueira Gouveia volta a ganhar destaque. Condenado pela Justiça espanhola pelas mortes dos tios e dos dois primos pequenos, o brasileiro atualmente cumpre pena na Penitenciária de Aranjuez, na província de Madrid, onde, segundo relatos de seu tio, Walfran Nogueira, recebe cartas de mulheres interessadas em conhecê-lo e mantém direito a ligações telefônicas dentro da unidade prisional.
Patrick foi condenado à prisão permanente revisável por dois dos assassinatos e a mais 25 anos de reclusão por outros crimes relacionados ao caso. Ele foi responsabilizado pela morte de quatro integrantes da própria família, em um episódio que ficou conhecido internacionalmente como a Chacina de Pioz.
As vítimas foram Marcos Nogueira, tio de Patrick; Janaína Santos Américo, esposa de Marcos; e os dois filhos pequenos do casal, Maria Carolina, de 4 anos, e David, de apenas 1 ano. Os crimes aconteceram em 2016, na cidade de Pioz, na Espanha.
Cartas de mulheres chamam atenção
Em entrevista ao g1, Walfran Nogueira, irmão de Marcos e tio de Patrick, relatou que o sobrinho recebe diversas correspondências dentro da penitenciária. Segundo ele, parte significativa das cartas é enviada por mulheres que demonstram interesse em Patrick.
A situação seria consequência da grande repercussão que o crime alcançou na Espanha. O caso foi amplamente noticiado e transformou Patrick em uma figura conhecida no país europeu.
De acordo com Walfran, apesar da quantidade de correspondências recebidas, Patrick mantém uma postura reservada e não demonstra interesse em estabelecer relacionamentos com as pessoas que entram em contato por meio das cartas.
O tio afirmou ainda que o sobrinho possui poucos amigos dentro da prisão e passa parte do tempo dedicado à leitura. Para Walfran, Patrick evita exposição e mantém uma rotina mais discreta no ambiente prisional.
A informação chama atenção principalmente pela dimensão do crime pelo qual ele foi condenado e pela repercussão que o caso continua provocando quase uma década depois.
Transferência após agressão na prisão
Antes de ser levado para Aranjuez, Patrick cumpria pena na prisão de Puerto III, em Cádiz. Em 2021, ele foi agredido por aproximadamente dez detentos dentro da unidade prisional.
Após a agressão, Patrick sofreu diversos hematomas e precisou ser levado para um hospital da região. Ele permaneceu internado durante quatro dias para receber atendimento médico e se recuperar dos ferimentos.
Posteriormente, foi transferido para a Penitenciária de Aranjuez, na província de Madrid.
Segundo o relato do tio, a transferência também contribuiu para que Patrick passasse a ficar em uma unidade considerada mais adequada ao seu perfil prisional. Atualmente, ele integra o chamado “módulo de respeito”, destinado a detentos que seguem regras mais rígidas de convivência e comportamento dentro do estabelecimento.
Direito a telefonemas e visitas
Ainda conforme Walfran Nogueira, Patrick tem autorização para realizar ligações telefônicas enquanto cumpre pena na Espanha. Segundo o relato, a Justiça espanhola permite que ele faça uma ou duas ligações por mês.
Além dos telefonemas, o detento também recebe visitas de familiares. Entre as pessoas que costumam visitá-lo está a própria mãe, que, segundo o tio, procura manter contato com o filho sempre que possível.
Familiares que vivem no Brasil também já estiveram na Espanha para visitá-lo.
O contato com pessoas de fora da família, entretanto, seria bastante restrito. Walfran afirmou que jornalistas e curiosos encontram dificuldades para conseguir acesso ao condenado.
Segundo ele, veículos de comunicação chegaram a oferecer dinheiro para que Patrick concedesse entrevistas, mas o brasileiro teria recusado as propostas.
A orientação recebida por Patrick, conforme o relato do tio, seria evitar ao máximo falar publicamente sobre o caso.
Relação com Marvin Henriques
Outro personagem relacionado à história é Marvin Henriques Correia, que foi investigado no Brasil por suspeita de ter prestado suposto auxílio psicológico a Patrick durante o período em que o crime foi planejado, por meio de mensagens.
Walfran afirmou que Marvin não visita Patrick na prisão e disse acreditar que uma eventual visita poderia ser interpretada como uma demonstração de proximidade entre os dois.
O tio também citou declarações dadas por Marvin em entrevistas, nas quais ele afirmou que Patrick teria representado um erro de amizade em sua vida.
Marvin chegou a participar de uma produção sobre o caso lançada anos depois da chacina. Na ocasião, afirmou que gostaria que sua imagem não fosse associada permanentemente ao episódio.
A lembrança de quem conheceu Patrick antes do crime
Para Walfran, uma das partes mais difíceis de toda a história foi descobrir que Patrick, alguém próximo da família e considerado carinhoso e educado, era responsável pelas mortes.
Antes da tragédia, tio e sobrinho mantinham uma relação próxima. Walfran contou que costumava levar Patrick para encontros com amigos, inclusive ex-jogadores de futebol, e que o jovem era bem recebido nesses ambientes.
Segundo ele, Patrick era prestativo, educado e costumava ajudar espontaneamente em situações do cotidiano.
Essa lembrança tornou a descoberta ainda mais dolorosa para a família.
O choque, segundo Walfran, não foi apenas provocado pelas mortes de Marcos, Janaína e das duas crianças, mas também pela revelação de que o responsável pelo crime era alguém que havia conquistado a confiança da própria família.
Um crime que deixou marcas profundas
A Chacina de Pioz aconteceu em agosto de 2016 e teve grande repercussão internacional. Os corpos das vítimas foram encontrados dentro de sacos plásticos na residência onde a família morava.
O caso provocou comoção tanto na Espanha quanto no Brasil, especialmente na Paraíba, estado de origem da família.
A violência praticada contra uma família inteira e a idade das duas crianças fizeram com que o episódio permanecesse entre os crimes mais marcantes registrados na Espanha nos últimos anos.
Quase dez anos depois, as consequências continuam presentes para os familiares das vítimas, que precisam conviver com a ausência e com as lembranças de uma tragédia que mudou suas vidas.
Tio afirma ter perdoado o sobrinho
Apesar da dor provocada pelo crime, Walfran afirmou que não alimenta sentimentos de ódio ou vingança contra Patrick.
Segundo ele, guardar raiva seria prejudicial para sua própria vida. O tio afirmou que, se deixar de alimentar esses sentimentos pode ser considerado perdão, então ele perdoou o sobrinho.
Walfran também afirmou que não acredita em responder violência com violência e defendeu que a responsabilização ocorra dentro dos limites estabelecidos pela Justiça.
A declaração revela uma perspectiva pessoal diante de uma tragédia familiar extremamente dolorosa. Para ele, o perdão não significa ignorar a gravidade do crime, mas evitar que a revolta permaneça ocupando espaço em sua própria vida.
Prisão permanente revisável
Patrick Nogueira permanece detido na Penitenciária de Aranjuez. Na Espanha, a chamada prisão permanente revisável é a punição mais grave prevista pela legislação.
Apesar de ser frequentemente comparada à prisão perpétua, a modalidade espanhola possui possibilidade de revisão após determinado período, desde que sejam cumpridos os requisitos estabelecidos pela legislação.
No caso de Patrick, a próxima revisão da pena está prevista para 2041, quando serão analisadas as condições legais relacionadas à continuidade do cumprimento da condenação.
Até lá, ele permanecerá submetido ao sistema prisional espanhol.
O caso, que começou como uma tragédia familiar em uma cidade espanhola, permanece marcado na memória de familiares, amigos e comunidades da Paraíba. A história de Marcos, Janaína, Maria Carolina e David continua sendo lembrada, sobretudo pela brutalidade do crime e pela proximidade entre o autor e as vítimas.
Quase uma década depois, novas informações sobre a rotina de Patrick na prisão voltam a despertar atenção, mas para aqueles que perderam seus familiares, nenhuma mudança na vida do condenado é capaz de apagar a dimensão da perda deixada pela Chacina de Pioz.








