Câncer de tireoide foi descoberto pela policial militar Tabatta Baby Lacerda Santos, de 35 anos, cerca de sete anos depois de ela identificar um pequeno nódulo na glândula durante um exame de rotina. Inicialmente sem sintomas, a paciente acompanhou a alteração ao longo dos anos, período marcado por mudanças pessoais, profissionais e pela pandemia de Covid-19. Mais recentemente, porém, passou a perceber sinais que indicavam que algo havia mudado.

Entre as alterações estavam uma sensação de “bola” na garganta, pigarro persistente e, posteriormente, falta de ar durante a prática de exercícios físicos. A investigação confirmou o câncer e também identificou metástases. Agora, Tabatta se prepara para passar por cirurgia e iniciar uma nova etapa do tratamento.

A história começou quando a policial realizou uma ultrassonografia solicitada por sua ginecologista durante um exame de rotina. Naquele momento, ela não apresentava sintomas e o nódulo encontrado na tireoide era pequeno.

A orientação inicial foi acompanhar a alteração por meio de exames de imagem. Em uma ultrassonografia realizada posteriormente, os médicos indicaram a realização de uma punção aspirativa por agulha fina, procedimento utilizado para retirar células de um nódulo e analisá-las.

Entre a descoberta inicial e a confirmação do câncer passaram-se aproximadamente sete anos.

Um nódulo que inicialmente não provocava sintomas

Antes do diagnóstico, Tabatta mantinha uma rotina bastante ativa em Balneário Camboriú, em Santa Catarina. Como policial militar, trabalhava na radiopatrulha e conciliava a atividade profissional com exercícios físicos frequentes.

Ela fazia musculação cinco vezes por semana e atividades cardiovasculares entre quatro e cinco vezes. Também não tinha histórico familiar de alterações na tireoide.

A ausência de sintomas fez com que o nódulo inicialmente não provocasse grandes preocupações. Esse cenário, segundo especialistas, não é incomum.

A médica oncologista Marcella Oliveira Rabelo Amaral explica que muitos tipos de câncer de tireoide, especialmente os carcinomas diferenciados, podem apresentar crescimento lento. Enquanto o tumor permanece pequeno, também pode não provocar alterações perceptíveis.

Por esse motivo, algumas alterações são identificadas de maneira incidental, durante exames solicitados por outros motivos ou mesmo em avaliações de rotina.

Isso, porém, não significa que todo nódulo seja câncer. Pelo contrário. A maioria dos nódulos da tireoide não corresponde necessariamente a um tumor maligno.

Quando os primeiros sinais apareceram

Com o passar dos anos, Tabatta percebeu mudanças no próprio corpo.

A sensação de que havia alguma coisa presa no fundo da garganta foi um dos primeiros sinais que chamaram sua atenção. O pigarro também passou a persistir.

“Os sintomas que eu notei, que fizeram eu perceber que meu nódulo havia crescido, eram sentir como se tivesse algo preso no final da garganta, como se fosse uma bola, e um pigarro que não passava”, relatou.

Mais recentemente, ela passou a sentir falta de ar durante os exercícios físicos.

A presença desses sintomas não significa necessariamente que uma pessoa tenha câncer de tireoide. No entanto, alterações persistentes precisam ser avaliadas por profissionais de saúde, principalmente quando representam uma mudança em relação ao funcionamento habitual do organismo.

Quando um tumor cresce, pode exercer pressão sobre estruturas próximas, como a traqueia e o esôfago. Dependendo da localização e do tamanho da alteração, isso pode provocar sensação de pressão, dificuldade para engolir, tosse, alterações na voz ou falta de ar.

Nem todo nódulo precisa de punção

Um dos pontos importantes no acompanhamento de alterações na tireoide é entender que a descoberta de um nódulo não significa automaticamente a existência de câncer.

A avaliação médica considera diversos fatores. Na ultrassonografia, características como composição predominantemente sólida, determinadas calcificações, bordas irregulares e formato mais alto do que largo podem aumentar a suspeita.

O tamanho da alteração e a avaliação dos linfonodos do pescoço também ajudam a definir a necessidade de investigação.

Segundo Marcella, nódulos pequenos e com características consideradas de baixo risco podem ser acompanhados por meio de ultrassonografias periódicas. Já lesões maiores ou que apresentem características suspeitas podem ter indicação de punção.

Além disso, um nódulo que inicialmente tenha sido considerado de baixo risco pode apresentar mudanças ao longo do acompanhamento. O crescimento isoladamente não confirma câncer, mas alterações relevantes podem levar a uma nova investigação.

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) também destaca que não há evidências suficientes de que o rastreamento do câncer de tireoide em pessoas sem sintomas produza mais benefícios do que riscos. Por isso, a avaliação deve ser individualizada e baseada nos achados clínicos e nos exames realizados.

Quais são os sintomas do câncer de tireoide?

O câncer de tireoide pode não provocar sintomas nas fases iniciais. Quando a doença cresce, entretanto, algumas alterações podem surgir.

Entre os sinais que merecem avaliação estão o aparecimento de um nódulo ou caroço no pescoço, aumento do volume da região, rouquidão persistente, dificuldade ou desconforto para engolir, sensação de pressão no pescoço, tosse persistente sem explicação e falta de ar.

Esses sintomas, isoladamente, não significam que uma pessoa tenha câncer. Existem diversas outras condições capazes de provocar manifestações semelhantes.

A importância está justamente na persistência ou na mudança do quadro. Quando uma alteração permanece ou evolui, procurar avaliação médica permite identificar a causa e definir se são necessários novos exames.

Diagnóstico trouxe medo e mudança de planos

A confirmação do câncer foi um momento difícil para Tabatta.

“Fiquei com medo. Mas logo fui procurar ajuda e fui digerindo o diagnóstico e agora está tudo bem”, contou.

A investigação identificou metástases, e a policial deverá passar por uma cirurgia para retirada total da tireoide e por um esvaziamento cervical, procedimento destinado à remoção dos linfonodos comprometidos.

A cirurgia está prevista para outubro. Depois da operação, a equipe médica deverá avaliar os próximos passos do tratamento, incluindo a possibilidade de utilização de iodo radioativo.

A escolha da estratégia terapêutica depende de diferentes fatores, entre eles o tipo de tumor, o tamanho da lesão, o comprometimento de estruturas próximas, a presença de linfonodos afetados e eventual disseminação da doença para outros órgãos.

Rotina profissional também precisou mudar

Enquanto aguarda a cirurgia, Tabatta retornou ao trabalho, mas precisou deixar temporariamente as atividades operacionais nas ruas.

Agora, atua internamente, de segunda a sexta-feira. A mudança representa uma adaptação importante para alguém que estava acostumada a uma rotina profissional e física bastante intensa.

Ao mesmo tempo, a policial passou a concentrar parte da energia na preparação para o tratamento e na recuperação que virá após a cirurgia.

Apoio da família fez diferença

Uma das partes mais difíceis da trajetória foi enfrentar o início da investigação longe das pessoas mais próximas.

A família de Tabatta mora em Brasília, enquanto o namorado estava trabalhando na Itália quando o diagnóstico começou a ser investigado.

“Inicialmente fiz tudo sozinha, pois minha família é de Brasília e meu namorado estava a trabalho na Itália. Foi pesado carregar o fardo sozinha, mas, mesmo longe, me deram muito apoio”, relatou.

Depois de receber o diagnóstico, ela viajou para Brasília para encontrar os familiares. Posteriormente, voltou para Santa Catarina acompanhada da mãe, que deverá permanecer ao seu lado durante a cirurgia e o período de recuperação.

O namorado também deverá retornar para ajudá-la durante essa fase.

O suporte familiar passou a ocupar um espaço importante em uma etapa marcada por incertezas e mudanças.

Uma reflexão depois de sete anos

Ao olhar para o período entre a descoberta do nódulo e o diagnóstico do câncer, Tabatta admite que em alguns momentos pensou que a doença poderia ter sido identificada antes.

“Em alguns momentos eu fiquei triste pensando que talvez poderia ter evitado um resultado mais agressivo, mas também está tudo bem. Ainda estou em tempo de tratar e ficar curada”, afirmou.

A fala demonstra uma tentativa de olhar para o futuro sem deixar que o arrependimento pelo passado determine os próximos passos.

Agora, a policial concentra suas forças no tratamento e na recuperação. A experiência também mudou sua percepção sobre a importância de acompanhar alterações identificadas em exames e buscar esclarecimentos sempre que houver dúvidas.

“A nossa saúde é nosso bem mais precioso e podemos evitar um diagnóstico mais agressivo tratando no começo. Os exames de rotina salvam vidas e, na dúvida, procure outro profissional”, concluiu.

A história de Tabatta evidencia como algumas doenças podem permanecer silenciosas por longos períodos e reforça a importância de não ignorar alterações persistentes no corpo. Ao mesmo tempo, o caso também mostra que a presença de um nódulo não significa automaticamente câncer e que cada situação precisa ser avaliada individualmente.

Enquanto se prepara para a cirurgia em outubro, a policial inicia uma nova etapa de sua vida, cercada pela família e pelo apoio das pessoas próximas. O próximo capítulo será marcado pelo tratamento e pela expectativa de recuperação, depois de uma trajetória que começou com um pequeno achado em um exame de rotina e, anos depois, transformou completamente sua rotina.