Aos 90 anos, prestes a completar 91, Claudette Soares se prepara para apresentar ao público um novo capítulo de uma trajetória que atravessa décadas da música brasileira. A cantora lançará em novembro o álbum “O mundo é ruim para quem não sabe esperar”, título inspirado em um verso da música inédita “Cheguei no ponto”, composta por Ana Costa e Zélia Duncan especialmente para a artista carioca.

Nascida em 31 de outubro de 1935, Claudette chega a uma nova etapa da carreira sem abrir mão daquilo que sempre marcou sua relação com a música: a capacidade de interpretar diferentes sentimentos com personalidade e transformar experiências de vida em canções.

O novo disco começou a ser idealizado em 2023, quando o produtor e diretor artístico Marcus Preto iniciou a construção do projeto. Desde então, o trabalho foi desenvolvido ao longo dos últimos três anos, reunindo um repertório inteiramente inédito e criado especialmente para a voz de Claudette.

A produção musical ficou sob responsabilidade de Marcus Preto e Thiago “Big” Rabello, que trabalharam na construção de um álbum pensado para dialogar com a história da cantora, mas também apresentar novas possibilidades para sua interpretação.

Um título inspirado na experiência de vida

“O mundo é ruim para quem não sabe esperar” não é apenas um título escolhido para o novo álbum. A frase carrega uma espécie de filosofia que acompanha Claudette Soares e que agora foi transformada em música.

O verso aparece na letra de “Cheguei no ponto”, composição de Ana Costa e Zélia Duncan criada especialmente para a cantora.

A escolha do nome do álbum reforça a relação entre música e experiência pessoal. Ao longo de sua trajetória, Claudette atravessou diferentes momentos da cultura brasileira, acompanhou transformações na indústria fonográfica e permaneceu ativa em um mercado que passou por profundas mudanças.

Nesse contexto, a ideia de saber esperar ganha um significado especial.

A frase pode ser compreendida como uma reflexão sobre o tempo, a maturidade e a capacidade de reconhecer o momento certo para cada etapa da vida. Aos 91 anos, Claudette transforma esse conceito em matéria-prima artística e apresenta um disco que nasce justamente da experiência acumulada ao longo de décadas.

Repertório criado especialmente para Claudette

Uma das principais características do novo álbum é o fato de praticamente todo o repertório ter sido criado especialmente para a cantora.

Em vez de recorrer a músicas já conhecidas ou simplesmente revisitar obras de outras épocas, o projeto reúne composições inéditas pensadas a partir da identidade artística de Claudette.

Essa escolha permite que a cantora estabeleça um diálogo direto com compositores de diferentes gerações.

Entre as músicas que estarão no álbum estão “Batuque bom”, de Marcos Valle e Tim Bernardes; “Bem feliz”, de Zé Manoel e Ronaldo Bastos; “Esse escurinho é você”, de Roberto Menescal e Joaquim; “Natural”, de Zé Renato e Nando Reis; e “Viva”, parceria de Marcos Valle e Arnaldo Antunes.

A diversidade de nomes envolvidos na criação do repertório mostra a amplitude do projeto.

São compositores com trajetórias diferentes, estilos distintos e experiências particulares dentro da música brasileira. Todos, porém, encontram em Claudette uma intérprete capaz de dar unidade ao conjunto.

“Cheguei no ponto” simboliza uma nova fase

Entre as novas músicas, “Cheguei no ponto” ocupa uma posição especial por ter dado origem ao título do álbum.

A composição de Ana Costa e Zélia Duncan foi construída especialmente para Claudette e incorpora uma frase que se tornou um dos bordões associados à cantora.

O resultado estabelece uma conexão entre sua personalidade e o repertório.

A música também sintetiza a proposta do projeto: celebrar o presente sem ignorar tudo aquilo que foi vivido anteriormente.

Em vez de tratar a idade como um limite, o álbum parece fazer justamente o contrário. Claudette utiliza o tempo como elemento de criação e apresenta novas canções em uma fase da vida em que muitos artistas já não estão necessariamente envolvidos com projetos inéditos de grande porte.

A escolha do repertório reforça, portanto, a ideia de continuidade.

A participação de Guilherme Arantes

Embora o álbum seja formado essencialmente por músicas inéditas criadas para Claudette, uma das canções já chegou ao público anteriormente.

“O prazer de viver para mim é você”, composição de Guilherme Arantes, foi lançada em single em maio de 2024, durante o processo de gravação do disco.

A música ganhou um significado especial por contar com a participação do próprio Guilherme Arantes na gravação ao lado de Claudette.

O lançamento antecipado serviu como uma primeira amostra do projeto que vinha sendo construído.

Agora, a canção passa a integrar oficialmente o repertório do álbum que será apresentado em novembro.

A presença da composição também reforça a preocupação do projeto em reunir autores reconhecidos da música brasileira e estabelecer encontros entre diferentes gerações.

Uma carreira marcada pela permanência

A história de Claudette Soares se confunde com importantes momentos da música popular brasileira.

Ao longo de sua carreira, a cantora acompanhou transformações estéticas, tecnológicas e culturais. Passou por diferentes formatos de apresentação, gravou discos, participou de projetos importantes e manteve sua voz ligada a uma tradição musical que continua encontrando espaço no público.

O novo álbum surge justamente nesse contexto.

Mais do que uma simples produção comemorativa, o trabalho representa a disposição da cantora de continuar criando e interpretando material novo.

Aos 91 anos, Claudette não retorna ao estúdio apenas para revisitar o passado. Ela recebe canções inéditas, trabalha com compositores contemporâneos e participa de um projeto concebido especificamente para sua voz.

Essa característica torna o disco ainda mais significativo.

A força de uma intérprete

A carreira de um cantor ou cantora pode ser medida de diversas maneiras. Há quem considere números de vendas, quantidade de discos ou grandes apresentações. No caso de Claudette Soares, porém, existe outro elemento fundamental: a capacidade de permanecer relevante por meio da interpretação.

Um bom intérprete não depende apenas de novidades. Ele precisa compreender a música, transmitir emoção e estabelecer uma relação com quem escuta.

O novo álbum aposta justamente nessa força.

Canções escritas por diferentes compositores serão reunidas em torno de uma voz que possui identidade própria e uma história construída ao longo de décadas.

Por isso, o projeto também pode ser visto como um encontro entre gerações.

Compositores experientes e artistas de diferentes momentos da música brasileira escrevem para uma cantora que iniciou sua trajetória em outro contexto cultural, criando uma ponte entre passado e presente.

O tempo como aliado

O título “O mundo é ruim para quem não sabe esperar” ganha ainda mais força quando associado à história de Claudette.

Em uma sociedade marcada pela velocidade, pela busca constante por novidades e pela necessidade de resultados imediatos, a frase propõe uma reflexão sobre o valor do tempo.

A cantora parece transformar essa ideia em uma declaração artística.

Esperar não significa necessariamente permanecer parado. Pode significar amadurecer, acumular experiências, encontrar novas possibilidades e reconhecer o momento adequado para apresentar algo ao público.

O álbum que chega em novembro é resultado justamente desse processo.

Idealizado em 2023 e desenvolvido durante três anos, o projeto não foi construído às pressas. Cada música foi escolhida ou composta pensando na artista e na fase atual de sua carreira.

Um novo capítulo aos 91 anos

Quando o álbum chegar ao público em novembro, Claudette Soares estará iniciando mais um capítulo de uma história artística iniciada há muitas décadas.

A idade, nesse caso, não aparece como ponto final, mas como parte da narrativa.

A cantora continua gravando, recebendo novas composições e trabalhando com nomes importantes da música brasileira.

“Cheguei no ponto”, “Batuque bom”, “Bem feliz”, “Esse escurinho é você”, “Natural” e “Viva” são algumas das músicas que ajudarão a construir essa nova etapa.

Somada a elas, “O prazer de viver para mim é você” representa a primeira amostra já conhecida de um trabalho que agora finalmente chega ao seu formato completo.

O novo álbum de Claudette Soares nasce, portanto, como uma celebração da experiência, da música e da capacidade de continuar criando.

Aos 91 anos, a cantora mostra que uma carreira longeva não precisa viver apenas de lembranças.

É possível olhar para trás, reconhecer a própria história e, ao mesmo tempo, continuar caminhando em direção ao novo.

E talvez seja justamente essa a essência do verso que batiza o disco: entender o tempo, saber esperar e descobrir que, muitas vezes, ainda há muito para cantar quando parece que já se viveu tudo.