A confiança dos brasileiros no Supremo Tribunal Federal (STF) está em um dos níveis mais baixos registrados pela série recente da AtlasIntel. Pesquisa realizada em parceria com o Estadão mostra que 61% dos entrevistados afirmam não confiar no trabalho e nos ministros da Corte, enquanto 27,8% dizem confiar e 11,1% não souberam ou não quiseram responder. Os números foram divulgados nesta semana, em meio aos novos desdobramentos relacionados ao caso Banco Master e à exposição pública de integrantes do Supremo.

O levantamento ouviu 1.852 brasileiros entre os dias 17 e 21 de setembro, por meio de recrutamento digital. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

Os dados mostram que a percepção negativa não se limita à instituição de maneira geral. A pesquisa também avaliou individualmente os dez ministros do STF considerados no levantamento e encontrou diferenças importantes na imagem de cada integrante da Corte.

Cármen Lúcia tem saldo positivo entre os ministros

Entre os ministros avaliados, Cármen Lúcia foi a única que apresentou avaliação positiva superior à negativa. Segundo a pesquisa, 47% dos entrevistados afirmaram ter uma imagem positiva da ministra, enquanto 38% fizeram uma avaliação negativa. Outros 15% não souberam responder.

André Mendonça também alcançou 47% de avaliação positiva, mas teve 48% de percepção negativa, ficando, portanto, com saldo ligeiramente desfavorável.

Na sequência aparecem Flávio Dino, com 44% de avaliação positiva e 50% negativa; Alexandre de Moraes, com 36% positiva e 59% negativa; Luiz Fux, com 36% positiva e 49% negativa; e Cristiano Zanin, com 34% positiva e 48% negativa.

Edson Fachin registrou 22% de avaliação positiva e 54% negativa. Gilmar Mendes teve 26% de avaliações positivas e 59% negativas. Kássio Nunes Marques apareceu com 12% positiva e 63% negativa.

O ministro Dias Toffoli registrou o maior percentual de avaliações negativas, com 79%, enquanto apenas 5% dos entrevistados disseram ter uma imagem positiva dele.

Caso Banco Master aparece no centro da percepção pública

Um dos principais pontos do levantamento envolve a percepção dos brasileiros sobre o Banco Master, instituição que se tornou alvo de investigações e de uma série de questionamentos envolvendo relações com figuras públicas.

De acordo com a pesquisa, 85,1% dos entrevistados afirmaram acreditar que existe envolvimento direto de ministros do STF no caso. Outros 4,4% disseram não acreditar nessa relação, enquanto 10,5% não souberam responder.

O percentual representa uma mudança em relação a um levantamento realizado anteriormente pela AtlasIntel. Em março de 2026, 66,1% dos entrevistados diziam acreditar em uma ligação direta de ministros do Supremo com o caso. Na pesquisa mais recente, o índice chegou a 85,1%.

É importante destacar que a percepção registrada pela pesquisa não equivale à comprovação de responsabilidade ou participação em irregularidades. As suspeitas relacionadas ao caso estão submetidas a investigações e procedimentos próprios, e a opinião dos entrevistados representa uma percepção da população naquele momento.

O levantamento também indica que o caso alcançou ampla repercussão. Segundo os dados divulgados, 99,7% dos entrevistados afirmaram já ter ouvido falar do escândalo do Banco Master, enquanto 82,6% disseram conhecer detalhes sobre o episódio.

Apoio a impeachment também aparece na pesquisa

A AtlasIntel perguntou aos participantes como avaliavam a possibilidade de impeachment dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes diante das suspeitas relacionadas ao Banco Master.

No caso de Dias Toffoli, 60,5% disseram defender o impeachment imediato. Outros 26,1% afirmaram que a medida deveria ocorrer somente se fosse comprovado o envolvimento do ministro no caso. Já 6,5% disseram que ele não deveria sofrer impeachment e 6,8% não souberam responder.

Em relação a Alexandre de Moraes, 49,8% defenderam o impeachment imediato. Outros 31,9% disseram que a medida deveria ocorrer apenas caso fosse comprovado envolvimento, enquanto 15,1% foram contrários ao afastamento e 3,2% não souberam responder.

Os números, portanto, mostram que existe uma parcela expressiva dos entrevistados que condiciona qualquer medida de afastamento à comprovação das suspeitas. Essa diferença é relevante para compreender o resultado da pesquisa, já que as respostas não se resumem ao apoio ou à rejeição imediata dos processos.

Desconfiança institucional vai além do Supremo

A pesquisa também permite observar que a desconfiança institucional não é um fenômeno restrito ao STF. Segundo os dados divulgados, outras instituições brasileiras também apresentam níveis significativos de desconfiança.

Ainda assim, o resultado referente ao Supremo chama atenção pela diferença entre os que confiam e os que não confiam. Enquanto 61% declararam desconfiança, 27,8% afirmaram confiar na Corte. Outros 11,1% não souberam ou não quiseram responder.

Em levantamentos anteriores, a AtlasIntel já havia identificado mudanças importantes na percepção sobre o Supremo. Em agosto de 2025, 51,3% diziam não confiar na Corte, enquanto 48,5% afirmavam confiar. Em março de 2026, o percentual de desconfiança havia chegado a 60%, enquanto a confiança estava em 34%. Agora, o índice de desconfiança alcança 61%.

A evolução dos números indica uma mudança relevante na percepção pública ao longo do período, embora a pesquisa, por si só, não permita afirmar que uma única ocorrência tenha sido responsável pela variação.

Contexto aumenta pressão sobre a Corte

A pesquisa foi realizada entre 17 e 21 de setembro, poucos dias depois de uma sessão plenária do Supremo que ganhou grande repercussão pública e em meio aos desdobramentos das investigações envolvendo o Banco Master.

Esse contexto ajuda a compreender o ambiente no qual as entrevistas foram realizadas. Pesquisas de opinião registram a percepção dos entrevistados no momento da coleta e podem ser influenciadas pelo noticiário, acontecimentos recentes e pelo nível de exposição de determinado assunto.

Por isso, os números devem ser interpretados como um retrato da opinião pública naquele período, e não como uma conclusão definitiva sobre os fatos investigados.

O que os números revelam

O levantamento AtlasIntel/Estadão apresenta um cenário de forte desconfiança da população em relação ao Supremo Tribunal Federal. A maioria dos entrevistados declarou não confiar na Corte, enquanto a percepção sobre diversos ministros aparece predominantemente negativa.

Ao mesmo tempo, a pesquisa revela que a avaliação não é uniforme. Cármen Lúcia aparece como a única ministra com saldo positivo entre avaliações favoráveis e desfavoráveis, enquanto outros integrantes apresentam diferentes níveis de aprovação e rejeição.

O caso Banco Master ocupa papel central nesse cenário. A elevada parcela de entrevistados que acredita existir envolvimento direto de ministros demonstra o impacto que o episódio alcançou na opinião pública. Entretanto, percepção popular e comprovação jurídica são dimensões diferentes e precisam ser tratadas separadamente.

Para o STF, os dados representam um importante indicador sobre a forma como a população enxerga a instituição. Para a sociedade, a pesquisa evidencia o tamanho do debate em torno da credibilidade das instituições brasileiras e mostra que a relação entre população e Judiciário passa por um momento de forte questionamento público.

A pesquisa não determina, por si só, as responsabilidades existentes no caso Banco Master nem substitui investigações, decisões judiciais ou provas. Ela registra, sobretudo, como os brasileiros entrevistados enxergavam o Supremo e seus ministros no período de 17 a 21 de setembro de 2026.