A disputa pela Presidência da República em Minas Gerais aparece marcada por um cenário de proximidade entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), segundo o levantamento mais recente do Datafolha específico para o estado. Divulgada em 28 de setembro, a pesquisa mostra Lula com 39% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 37%. A diferença de dois pontos percentuais está dentro da margem de erro de três pontos, o que caracteriza empate técnico entre os dois candidatos.

O levantamento ganha atenção especial porque Minas Gerais ocupa historicamente uma posição relevante nas eleições presidenciais brasileiras. O estado é considerado um importante indicador do comportamento eleitoral nacional e, desde a retomada das eleições diretas para presidente após a ditadura militar, o candidato que venceu em Minas também venceu a disputa nacional.

Na pesquisa, além de Lula e Flávio Bolsonaro, aparecem Augusto Cury (Avante), com 5%; Romeu Zema (Novo), com 4%; Ronaldo Caiado (PSD), com 3%; Renan Santos (Missão), Samara (UP) e Rui Costa Pimenta (PCO), com 1% cada. Outros candidatos citados não alcançaram 1%. O levantamento registrou ainda 5% de eleitores que pretendem votar em branco ou nulo e 3% que ainda estavam indecisos.

Cenário permanece próximo entre os dois primeiros colocados

Os números mostram uma disputa concentrada entre os dois candidatos mais bem posicionados. Na comparação com o levantamento anterior realizado pelo instituto, Lula avançou de 37% para 39%, enquanto Flávio Bolsonaro passou de 35% para 37%.

Apesar das oscilações, a diferença entre os dois permaneceu dentro da margem de erro. Isso significa que, estatisticamente, o levantamento não permite afirmar que um dos candidatos esteja isoladamente à frente no estado.

A margem de erro da pesquisa é de três pontos percentuais para mais ou para menos, considerando um nível de confiança de 95%. Foram entrevistados 1.204 eleitores mineiros com 16 anos ou mais, em 55 municípios de diferentes regiões de Minas Gerais. O levantamento foi realizado entre os dias 22 e 24 de setembro e está registrado na Justiça Eleitoral sob os números MG-07400/2026 e BR-06824/2026.

Segundo turno também apresenta empate técnico

O equilíbrio aparece novamente quando o Datafolha simula um eventual segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Nesse cenário, Flávio Bolsonaro registra 46% das intenções de voto, enquanto Lula aparece com 44%. A diferença de dois pontos também está dentro da margem de erro de três pontos percentuais.

Na pesquisa anterior, Lula tinha 46% e Flávio Bolsonaro, 45%. Portanto, houve uma alteração na posição numérica dos dois candidatos, mas sem que o quadro deixasse de ser considerado tecnicamente empatado.

Além dos votos atribuídos aos candidatos, 7% dos entrevistados declararam que votariam em branco ou nulo, enquanto 3% não souberam responder ou ainda estavam indecisos, conforme os dados divulgados pelo instituto.

O comportamento dos eleitores mineiros no segundo turno também apresenta diferenças de acordo com características demográficas e posicionamentos políticos. Segundo o levantamento, Lula registra percentuais mais altos entre eleitores com 60 anos ou mais, pessoas com menor escolaridade, eleitores com renda familiar de até dois salários mínimos e católicos.

Flávio Bolsonaro, por outro lado, apresenta índices superiores aos de Lula entre eleitores de 25 a 34 anos, pessoas com maior escolaridade, integrantes de famílias com renda acima de cinco salários mínimos e evangélicos.

Influência das eleições para governador

A pesquisa também mostra relação entre as intenções de voto para presidente e as escolhas dos eleitores na disputa pelo governo de Minas Gerais.

Entre os entrevistados que declararam intenção de votar em Cleitinho Azevedo (Republicanos) para governador, Flávio Bolsonaro aparece com 59% das intenções para presidente, contra 22% de Lula.

Já entre os eleitores de Patrus Ananias (PT), Lula concentra 87%, enquanto Flávio Bolsonaro registra 6%.

No eleitorado de Alexandre Kalil (PDT), Lula aparece com 64%, ante 13% de Flávio Bolsonaro. Esses recortes ajudam a mostrar como as preferências para os diferentes cargos podem estar relacionadas, embora a pesquisa não permita projetar automaticamente o comportamento de todo o eleitorado a partir desses grupos específicos.

Avaliação do governo Lula em Minas

O Datafolha também perguntou aos eleitores mineiros sobre a avaliação do governo federal.

Segundo o levantamento, 35% classificam a administração Lula como ótima ou boa. Outros 41% consideram o governo ruim ou péssimo, enquanto 22% avaliam a gestão como regular. Um grupo de 2% não respondeu ou não soube avaliar.

Na pesquisa anterior, 34% consideravam o governo ótimo ou bom, 43% avaliavam como ruim ou péssimo e 22% classificavam a administração como regular.

Quando a pergunta é especificamente sobre a aprovação ou desaprovação do trabalho de Lula como presidente, 46% dos entrevistados mineiros disseram aprovar a atuação do petista, enquanto 51% afirmaram desaprovar. Outros 4% não opinaram.

Os números mostram que a avaliação do governo e a intenção de voto não são necessariamente equivalentes. Um eleitor pode avaliar positivamente ou negativamente uma administração e, ainda assim, declarar intenção de voto em outro candidato. Por isso, os dois indicadores são apresentados separadamente pelo instituto.

Minas Gerais como referência eleitoral

A importância de Minas Gerais para a disputa presidencial está relacionada não apenas ao tamanho do eleitorado, mas também ao histórico de equilíbrio político do estado.

Em 2022, por exemplo, Lula venceu a disputa presidencial em Minas Gerais por uma diferença estreita. O estado registrou uma votação bastante equilibrada entre Lula e Jair Bolsonaro, refletindo uma divisão política que também marcou o cenário nacional.

O comportamento eleitoral mineiro costuma ser acompanhado com atenção durante as campanhas justamente pela diversidade econômica, social e regional do estado. As diferenças entre a Região Metropolitana de Belo Horizonte, o interior e outras áreas podem produzir comportamentos eleitorais distintos.

A atual pesquisa do Datafolha reforça essa característica de equilíbrio. A pequena distância entre Lula e Flávio Bolsonaro no primeiro turno e a inversão numérica observada no segundo turno demonstram um cenário ainda aberto dentro dos limites estatísticos da pesquisa.

Pesquisa nacional divulgada em outubro apresenta outro recorte

É importante diferenciar o levantamento específico de Minas Gerais da pesquisa nacional divulgada pelo Datafolha em 2 de outubro.

No levantamento nacional mais recente, realizado entre 29 de setembro e 1º de outubro, Lula aparece com 42% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro registra 38%. Considerando apenas os votos válidos, o petista tem 45% e o candidato do PL, 40%.

A pesquisa nacional ouviu 2.506 pessoas presencialmente, em 152 municípios de todas as regiões do país, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

No segundo turno nacional, Lula aparece com 48% e Flávio Bolsonaro com 45%. Como a diferença está dentro da margem de erro, o Datafolha classifica o cenário como empate técnico.

Os resultados mostram, portanto, que os números nacionais não devem ser confundidos com os dados específicos de Minas Gerais.

Cenário segue sujeito a mudanças

A pesquisa representa um retrato das intenções de voto no período em que as entrevistas foram realizadas. Como o levantamento mineiro foi feito entre 22 e 24 de setembro, novas pesquisas poderão registrar alterações à medida que a campanha avance e os eleitores definam suas escolhas.

Também é necessário considerar a margem de erro ao interpretar diferenças pequenas entre candidatos. No caso de Minas Gerais, a distância de dois pontos percentuais entre Lula e Flávio Bolsonaro no primeiro turno está dentro do intervalo de três pontos para mais ou para menos.

Dessa forma, os dados apontam para uma disputa marcada pela proximidade entre os dois principais candidatos no estado, enquanto os demais nomes aparecem em patamares inferiores.

Com Minas Gerais novamente no centro das atenções do cenário presidencial, os próximos levantamentos deverão mostrar como as intenções de voto evoluem no estado e se a disputa permanece dentro desse quadro de equilíbrio até a votação.