Luísa Sonza foi mais feliz.
Roberto Menescal, 88 anos, é o único sobrevivente entre os grandes nomes da primeira geração da bossa nova. Marcos Valle, 82 anos, por pouco não é dessa primeira geração, mas o correto, se formos precisos, é botá-lo na segunda geração da BN.
O tempo passa, e todo mundo segue gravando bossa nova, dentro e fora do Brasil. É bom, não é? Confirma a dimensão desse negócio que surgiu ali na virada da década de 1950 para a de 1960 e projetou a música popular brasileira em escala planetária.
Comecei mencionando Roberto Menescal e Marcos Valle porque – recorrendo a Caetano Veloso sobre Roberto Carlos – o tempo não para e, no entanto, eles nunca envelhecem. Estão sempre disponíveis para dialogar com artistas não bossanovistas.
Luísa Sonza tem apenas 27 anos, e Fagner, 76. Ela e ele acabam de lançar álbuns de bossa nova. Roberto Menescal (com Toquinho, que não é da bossa) está no álbum dela, enquanto que Menescal e Marcos Valle estão no álbum de Fagner.
Roberto Menescal e Marcos Valle arranjam, tocam – o primeiro, violão e guitarra; o segundo, piano – cantam, assinam parcerias. Em resumo, eles topam tudo pela bossa nova. E, com o talento e a história que ostentam, costumam entrar e sair inteiros.
Como Roberto Menescal e Marcos Valle, João Donato era outro grande nome da bossa nova que gostava de trabalhar com não bossanovistas. Uma não bossanovista que se deu muito bem cantando bossa nova foi Fernanda Takai, integrante do grupo Pato Fu.
Recentemente Luísa Sonza gravou um disco de bossa nova. Bossa Sempre Nova é o nome do álbum. Tem 15 faixas, quase todas bossanovistas ou associadas à bossa. Tem até uma parceria dela com Roberto Menescal chamada Um Pouco de Mim.

Não se pode dizer que Luísa Sonza é uma grande cantora porque, isto, ela está longe de ser. Mas também não seria justo dizer que ela canta mal. Nesse álbum, guiada por Menescal e Toquinho, ela exibe alguma intimidade com os standards da bossa.
Bossa Sempre Nova tem Samba de Verão, O Barquinho, Triste. Tem Tarde em Itapoã, que só entrou no repertorio por causa de Toquinho. E tem o que era melhor não ter: Águas de Março. Depois de Elis & Tom, convém não regravar Águas de Março.
Mais recente do que o álbum de Luísa Sonza, lançado em janeiro, é Bossa Nova, de Fagner. A capa – a imagem é essa que abre a coluna – remete às capas da Elenco. As capas da Elenco, belíssimas, são fortemente evocativas da década de 1960.
Roberto Menescal está à frente do disco de Fagner, e tem muita gente boa ao seu lado: Marcos Valle, Wanda Sá, Rildo Hora, Antônio Adolfo. Mas de nada adianta. Fagner não é cantor de bossa nova. Fagner, definitivamente, não sabe cantar bossa nova.
Fagner é bom cometendo excessos vocais com a sua voz de taquara rachada. Foi assim que ele se projetou no começo da década de 1970. E é assim que o conhecemos, até quando canta um clássico como As Rosas Não Falam, do mestre Cartola.
Dói ouvir Fagner fazendo Chega de Saudade. Ele “assassina” o clássico de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, que João Gilberto imortalizou no nascimento da bossa nova, em 1958. Fagner não sabe ser cool. Fagner não tem charme nem expressão cantando BN.
Bossa Sempre Nova, de Luísa Sonza, tem 15 faixas. Bossa Nova, de Fagner, tem 10. Ela e ele cometeram a mesmíssima heresia: ousaram regravar Águas de Março.
Jornal da Paraiba
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