Promessa de ‘dinheiro fácil’ e vida de luxo: quem é o ‘Faraó do Bitcoin’ suspeito de integrar grupo que gerou prejuízo de R$ 4,1 bilhões

Um dos suspeitos de integrar um grupo criminoso que vendia falsas promessas de lucros através de bitcoins, Claudio Barbosa, foi preso na última sexta-feira, em um carro de luxo em Florianópolis (SC). O “Faraó da Bitcoin”, como foi apelidado, estava foragido desde 2022, quando a Justiça de Mato Grosso do Sul determinou sua prisão.

Em nota, a defesa de Cláudio Barbosa afirmou que entendeu a prisão dele como “totalmente desnecessária, uma vez que o processo já está em sua fase final”. Em relação às acusações, a advogada Talesca Campara de Souza atribuiu a ausência de regulação com relação ao tema criptoativos no Brasil.

O apelido Faraó não foi à toa. Claudio é investigado por integrar o esquema de pirâmide responsável por gerar prejuízo de R$ 4,1 bilhões em mais de 80 países, segundo a Polícia Federal (PF). Com investimento inicial de US$ 15 e promessa de lucro de até 300% ao ano, o grupo atraia investidores para o mundo dos criptoativos.

Os investidores menores, ou seja, a base da pirâmide, ficaram no prejuízo. Na operação La Casa de Papel, deflagrada pela PF em outubro de 2022, foram presos os principais nomes da organização, como Patrick Abrahão, marido da cantora Perla.

Enquanto isso, Claudio seguiu com uma vida de luxo em Florianópolis. O carro em que ele estava no momento da prisão pode custar até R$ 1 milhão. Já o valor médio apenas para morar de aluguel em Jurerê Internacional, onde ele foi preso, é de R$ 7 mil.

O suspeito se apresentava como diretor de tecnologia da Trust Investing, o alvo da operação “La Casa de Papel”. Nas redes sociais da companhia, ele é descrito como “empresário, com ampla experiência em Tecnologia da Informação, na gerência de sistemas e processos digitais”.

Como funcionava o esquema

A empresa gerenciada pelos investigados oferecia pacotes de investimentos a partir de US$ 15, com promessa de ganhos diários, que poderiam chegar a até 20% ao mês e mais de 300% ao ano, por meio de transações no mercado de criptoativos por supostos “traders” a serviço da empresa, os quais seriam utilizados para multiplicar o capital investido.

Investimentos com supostos lucros vindos de minas de diamantes e esmeraldas que a empresa possuía no Brasil e exterior, em mercado de vinhos, de viagens, também eram oferecidos.

Falsa confiança: A empresa vendia a imagem de que toda a rede era legalizada em diversos países do mundo. Os investigados, usavam as redes sociais para persuadir as vítimas com o discurso de sucesso pessoal e de investimentos, por meio de publicações de ostentação, como viagens internacionais para Dubai, Cancun e Europa. O próprio nome da investidora, “Trust Investing”, significa investimento de confiança em tradução livre para o português.

Todo dinheiro arrecadado era movimentado em contas bancárias dos investigados, empresas de fachada, parentes, além de terceiros ligados ao grupo, que, inclusive, contou com o auxílio de uma entidade religiosa que, sozinha, movimentou mais de R$ 15 milhões.

“Foi identificada uma manipulação de mercado para valorizar uma das moedas artificialmente em 5.500% em apenas 15 horas, com pico de até 38.000%, dias depois. Tudo isso para manter a pirâmide financeira o mais tempo possível em atividade, pois as criptomoedas foram também utilizadas para pagar aos investidores”, explicou a PF.

“Contudo, após alta meteórica e especulativa promovida pelos investigados, as criptomoedas perderam todo o valor de mercado, e a cotação passou a romper em diversas casas decimais abaixo do centavo de dólar, resultando em perda quase que completa da liquidez”, completou a Polícia Federal.

Início da investigação: As investigações da Operação “La Casa de Papel” foram iniciadas no município de Dourados (MS), após a autuação de dois suspeitos que se deslocavam para a fronteira do Paraguai, com escolta armada, transportando esmeraldas avaliadas em US$ 100 mil , sem origem legal, em 2021.

Na ocasião em que as esmeraldas foram apreendidas, em 2021, Claudio Barbosa, Fabiano Lorite e Jean Pessoa de Souza chegaram a ser presos por falsidade ideológica e por explorar matéria-prima da União sem autorização legal. No entanto, foram liberados.

Já em 2022, foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva contra os líderes da organização criminosa e 41 mandados de busca e apreensão, nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, Goiás, Maranhão e Santa Catarina.

Veja a nota da defesa de Barbosa na íntegra:

A defesa de Cláudio Barbosa tomou conhecimento de sua prisão e entende ser totalmente desnecessária sua custódia cautelar uma vez que o processo já está em sua fase final.

Foi realizado pedido de liberdade durante a audiência de custódia, o qual foi indeferido. Com a manutenção da prisão preventiva e considerando o feriado e plantão judicial estão sendo consideradas as melhores estratégias para as medidas cabíveis para restabelecer sua liberdade. A audiência ocorreu de forma virtual, tendo em vista que o processo está em trâmite na cidade de Campo Grande no Mato Grosso do Sul/MS.

Com relação as acusações a defesa ressalta que há uma ausência de regulação com relação ao tema criptoativos no Brasil e que as investigações ocorreram em data pretérita à Lei nº 14.478/2022, conhecida como Marco Legal dos Criptoativos.

No tocante a acusação de, fazer operar, sem a devida autorização, ou com autorização obtida mediante declaração (Vetado) falsa, instituição financeira, inclusive de distribuição de valores mobiliários ou de câmbio.

Não há sequer regulação a respeito, tendo sido inclusive editada uma consulta pública do Banco Central à respeito do tema, sem regulamentação até o momento no Brasil.

G1

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