Trump também comentou eleições e condenação de Eduardo Bolsonaro. Para Lula, o norte-americano pode gostar de quem quiser, mas deve respeitar o Brasil.

Uma declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a cúpula do G7, realizada na França, repercutiu internacionalmente nesta quinta-feira (18). Em conversa com jornalistas, o líder norte-americano classificou o Brasil como um país “politicamente perigoso” e comentou sobre o cenário político brasileiro após um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ao falar sobre o Brasil, Trump afirmou que o país atravessa um momento de instabilidade política.

“Tornou-se um país um pouco complicado, não é? Politicamente. Tem sido um pouco perigoso politicamente”, declarou o presidente norte-americano.

Embora tenha confirmado uma conversa com Lula durante o evento, Trump não revelou detalhes sobre os assuntos discutidos no encontro entre os dois chefes de Estado.

Comentários sobre a família Bolsonaro

Durante a entrevista, Trump também fez referências à situação política envolvendo a família Bolsonaro. Em sua fala, o presidente dos Estados Unidos mencionou informações relacionadas ao cenário eleitoral brasileiro, mas acabou confundindo nomes ao comentar o caso.

O norte-americano afirmou ter tomado conhecimento de medidas judiciais envolvendo um integrante da família Bolsonaro logo após seu encontro com Lula. Em seguida, criticou a situação e relacionou o episódio ao ambiente político brasileiro.

Trump também aproveitou para comentar sobre eleições de forma mais ampla, afirmando que o Brasil adota uma postura rígida em disputas eleitorais. Na sequência, voltou suas críticas ao próprio sistema eleitoral norte-americano.

Lula rebate declarações

Questionado por jornalistas sobre as falas de Trump, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu defendendo o sistema eleitoral brasileiro e a utilização das urnas eletrônicas.

Segundo Lula, o modelo adotado no Brasil é referência mundial pela rapidez e segurança na apuração dos votos.

“Os Estados Unidos poderiam aprender com o Brasil a ter eleições mais tranquilas, mais leves e menos conturbadas. Não tem país no mundo que tem sistema de urna eletrônica como o nosso”, afirmou o presidente brasileiro.

Lula destacou ainda a agilidade na divulgação dos resultados eleitorais e ressaltou que o país consegue concluir a apuração poucas horas após o encerramento da votação.

Defesa da soberania brasileira

Ao comentar as declarações sobre a política nacional e a família Bolsonaro, Lula afirmou que qualquer preferência política de líderes estrangeiros deve ser respeitada, mas reforçou que as decisões eleitorais brasileiras pertencem exclusivamente ao povo brasileiro.

“Trump pode ter as preferências dele e gostar de quem quiser. Agora, não se meta nas eleições do Brasil porque as eleições do Brasil são problema do Brasil”, declarou.

O presidente também destacou que espera dos Estados Unidos o mesmo respeito que o Brasil mantém em relação às decisões internas de outros países.

Repercussão internacional

As declarações ocorreram durante a cúpula do G7, encontro que reúne algumas das maiores economias do mundo e costuma servir de palco para debates sobre política internacional, economia, segurança e relações diplomáticas.

O episódio gerou repercussão entre observadores políticos e diplomáticos, uma vez que envolve comentários diretos sobre a situação política interna de um país aliado e ocorre em meio a discussões sobre democracia, eleições e relações entre Brasil e Estados Unidos.

Apesar das divergências demonstradas nas declarações públicas, Lula e Trump mantiveram agenda de diálogo durante o evento, reforçando a importância das relações diplomáticas entre as duas nações.