A cantora e compositora norte-americana Carly Simon, de 83 anos, revelou nesta segunda-feira (27) que foi diagnosticada com doença de Parkinson há alguns anos. A artista contou que decidiu manter a informação em sigilo enquanto aprendia a conviver com a condição e se adaptava à nova realidade.

O relato foi feito por meio de uma carta enviada à revista People, na qual também anunciou o lançamento de “Comes in Waves”, seu primeiro álbum de músicas inéditas em 18 anos. O disco está previsto para chegar às plataformas no dia 14 de agosto.

Silêncio foi uma escolha para enfrentar o diagnóstico

Na mensagem, Carly Simon explicou que muitas pessoas questionavam seu afastamento dos holofotes e queriam saber como estava sua saúde.

Segundo a artista, o período longe da vida pública foi necessário para compreender o diagnóstico e decidir quando se sentiria preparada para falar sobre o assunto.

“Muitas pessoas me escreveram, perguntando gentilmente sobre o meu relativo silêncio. A verdade é que tenho aprendido a conviver com a doença de Parkinson. Levei algum tempo para compreender o diagnóstico, adaptar-me a ele e decidir o quanto queria falar sobre isso publicamente”, escreveu.

Ela destacou que a doença se manifesta de maneira diferente em cada paciente e que seus sintomas variam de um dia para o outro.

“Em alguns dias, sinto-me tão cansada que não consigo sequer começar as atividades. Em outros, a doença me dá um pouco mais de liberdade para me mover, pensar, trabalhar e me sentir eu mesma.”

Primeiros sintomas e novo desafio

Carly revelou que os primeiros sinais surgiram com fortes dores provocadas por artrite nos joelhos e em um dos quadris, levando-a a passar por três cirurgias.

Com o agravamento dos sintomas, exames mais detalhados confirmaram o diagnóstico de Parkinson, doença neurológica degenerativa que afeta os movimentos, podendo causar tremores, rigidez muscular e lentidão motora.

A cantora também descreveu os desafios emocionais enfrentados durante o tratamento.

Segundo ela, além das limitações físicas, a doença pode provocar ansiedade, depressão, exaustão e episódios de apatia.

Em um dos trechos mais emocionantes da carta, Carly comparou essa sensação a permanecer imóvel, sem encontrar motivação para realizar até mesmo atividades simples do cotidiano.

Cirurgia para tratar câncer de pele

Enquanto lidava com o Parkinson, a artista recebeu outro diagnóstico: um carcinoma basocelular, um tipo de câncer de pele localizado no rosto.

Ela contou que o tumor foi removido com sucesso, mas a cirurgia afetou sua aparência e aumentou sua insegurança em relação às aparições públicas.

“Sempre fui mais crítica com minha aparência do que qualquer pessoa poderia imaginar. Isso deu à minha crítica interior bastante material novo”, confessou.

A cantora afirmou que, durante esse período, sentia-se como “uma ursa que hiberna o ano inteiro”, preferindo permanecer longe da exposição pública.

Música como instrumento de superação

Apesar das dificuldades, Carly Simon revelou que nunca deixou de criar.

Foi justamente durante o tratamento que nasceu “Comes in Waves”, álbum que marca seu retorno com canções inéditas após quase duas décadas.

Segundo a artista, o trabalho aborda sentimentos como amor, luto, memória, traição, criatividade e cura.

Ela também afirmou que a música foi essencial para atravessar os momentos mais difíceis.

“A música sempre soube a hora certa de chegar. Ela me salvou mais vezes do que consigo contar.”

Para Carly, dedicar-se às gravações deu sentido aos dias em que a doença parecia limitar sua rotina.

“Ela me proporcionou um destino, sem que eu precisasse sair do quarto. Lembrou-me de que a doença pode mudar a sua vida sem se tornar a sua vida por inteiro.”

Uma carreira marcada por sucessos

Ícone da música internacional, Carly Simon construiu uma carreira de mais de cinco décadas e ficou conhecida por sucessos como “You’re So Vain”, “Nobody Does It Better” e “Coming Around Again”.

Agora, ao compartilhar publicamente seu diagnóstico, a artista reforça uma mensagem de coragem e resiliência, mostrando que, mesmo diante dos desafios impostos pela doença, continua encontrando na música uma forma de seguir criando, emocionando e inspirando gerações de fãs ao redor do mundo.