O grupo MPB4, um dos maiores nomes da Música Popular Brasileira, acaba de lançar o álbum “MPB4 Sinfônico”, projeto que celebra seus mais de 60 anos de trajetória ao lado da Orquestra Petrobras Sinfônica. Disponível nas plataformas digitais desde a última quinta-feira (31), o trabalho reúne clássicos da MPB em novas versões orquestradas, valorizando a riqueza musical e a importância histórica do quarteto.

O disco registra o concerto apresentado em outubro de 2024, durante as comemorações das seis décadas do grupo, e foi gravado posteriormente, em 2025, na sala de ensaios da orquestra, na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro.

Um encontro entre tradição e música de concerto

Formado oficialmente em 1964, o MPB4 construiu uma carreira marcada pela defesa da música brasileira e pelo engajamento artístico, tornando-se referência na interpretação de grandes compositores nacionais.

No novo álbum, o quarteto — formado por Aquiles Reis, Dalmo Medeiros, Miltinho e Paulo Malaguti Pauleira — revisita 14 canções emblemáticas da MPB, agora envolvidas pela sonoridade da Orquestra Petrobras Sinfônica, sob regência do maestro Felipe Prazeres.

Os arranjos foram assinados por Itamar Assiere, Gilson Santos, Jaime Alem e Paulo Malaguti Pauleira, responsáveis por dar novos contornos às obras sem perder a essência das gravações originais.

Clássicos ganham nova interpretação

O repertório reúne músicas que marcaram gerações e ajudaram a construir a identidade da Música Popular Brasileira.

Entre os destaques estão:

  • “Cálice”, de Chico Buarque e Gilberto Gil;
  • “Angélica”, de Chico Buarque e Miltinho;
  • “O Cio da Terra”, de Chico Buarque e Milton Nascimento;
  • “Porto”, de Dori Caymmi;
  • “Notícias do Brasil (Os Pássaros Trazem)”, de Milton Nascimento e Fernando Brant;
  • “Última Forma”, de Baden Powell e Paulo César Pinheiro;
  • “Cicatrizes”, de Miltinho e Paulo César Pinheiro;
  • “O Ronco da Cuíca”, de João Bosco e Aldir Blanc;
  • “Velas Içadas”, de Ivan Lins e Vitor Martins;
  • “Samba do Avião” e “Falando de Amor”, de Tom Jobim;
  • “Roda Viva”, de Chico Buarque.

Ao todo, seis das 14 faixas são de autoria de Chico Buarque, compositor cuja trajetória artística esteve profundamente ligada ao MPB4 nas décadas de 1960 e 1970.

Arranjos valorizam a emoção das canções

As versões sinfônicas dão uma nova dimensão às músicas sem descaracterizar as interpretações que fizeram parte da história do grupo.

Em “Cálice”, por exemplo, o arranjo ganha um clima solene e dramático, enquanto “Porto” recebe uma introdução marcada por cordas e metais que ampliam a atmosfera melancólica da composição.

“Notícias do Brasil (Os Pássaros Trazem)” assume um caráter épico, e “O Ronco da Cuíca” mistura elementos do samba com uma orquestração sofisticada, ressaltando ainda mais a riqueza rítmica da obra.

Homenagem à história da MPB

Mais do que um novo lançamento, “MPB4 Sinfônico” representa uma celebração da história da música brasileira e da trajetória de um grupo que ajudou a consolidar a MPB como um dos movimentos culturais mais importantes do país.

O álbum também reafirma a capacidade do MPB4 de dialogar com diferentes linguagens musicais, aproximando o universo da música popular da tradição das grandes orquestras.

Ao transformar clássicos em interpretações sinfônicas, o quarteto oferece ao público uma nova oportunidade de revisitar canções que atravessaram gerações e permanecem vivas na memória afetiva da cultura brasileira.