O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central inicia nesta terça-feira (4) mais uma reunião decisiva para a economia brasileira. Ao longo de dois dias, os integrantes do comitê avaliarão o cenário econômico nacional e internacional antes de anunciar, na noite de quarta-feira (5), a nova definição para a Taxa Selic, principal referência para os juros no país.

Atualmente, a Selic está em 14,25% ao ano, o menor patamar registrado em 2026 após três reduções consecutivas de 0,25 ponto percentual, realizadas nas reuniões de março, abril e junho.

Mercado espera novos cortes

Às vésperas da decisão, o mercado financeiro voltou a revisar para baixo as projeções para a taxa básica de juros.

Segundo o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (3) pelo Banco Central, a expectativa é que a Selic encerre 2026 em 13,75% ao ano, abaixo da previsão anterior de 14%.

Caso essa projeção se confirme, o Copom poderá realizar pelo menos mais um ou dois cortes até o fim deste ano.

Inflação continua em desaceleração

O levantamento também apontou uma nova redução na expectativa para a inflação oficial do país.

Pela quinta semana consecutiva, os analistas diminuíram a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que passou de 5,12% para 5,03%.

Apesar da melhora nas estimativas, o índice ainda permanece acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

A meta de inflação é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual, permitindo um limite máximo de 4,5%.

Como a Selic influencia a economia

A Taxa Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação.

Quando os juros aumentam:

  • o crédito fica mais caro;
  • o consumo tende a diminuir;
  • a inflação perde força.

Por outro lado, juros elevados também podem reduzir o ritmo da atividade econômica, afetando investimentos e geração de empregos.

Quando a Selic é reduzida:

  • empréstimos e financiamentos tendem a ficar mais baratos;
  • o consumo das famílias pode crescer;
  • empresas encontram melhores condições para investir;
  • a economia tende a ganhar impulso.

Como funciona a reunião do Copom

As reuniões do Comitê de Política Monetária acontecem a cada 45 dias.

No primeiro dia, os diretores do Banco Central analisam indicadores econômicos, inflação, atividade econômica, mercado de trabalho e o cenário internacional.

Já no segundo dia, é definida a nova taxa básica de juros, seguida da divulgação de um comunicado explicando os fatores que motivaram a decisão.

Banco Central segue atento à inflação

Desde janeiro de 2025, o Brasil adota o sistema de meta contínua para a inflação, modelo em que o Banco Central monitora continuamente o comportamento dos preços para definir sua política monetária.

Embora as projeções do mercado indiquem desaceleração da inflação nas últimas semanas, os índices ainda permanecem acima da meta oficial, fator que continua sendo acompanhado de perto pela autoridade monetária.

A decisão do Copom será acompanhada com atenção por consumidores, empresários e investidores, já que influencia diretamente o custo do crédito, os financiamentos, os investimentos e o desempenho da economia brasileira nos próximos meses.