O Paquistão sinalizou nesta quarta-feira (12) que poderá atuar para ajudar forças da Arábia Saudita a conter as ações do grupo Houthis no Mar Vermelho. A declaração ocorre poucos dias depois de Islamabad assinar um pacto de defesa trilateral com Turquia e Arábia Saudita.
A informação foi confirmada pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Paquistão, Tahir Andrabi. Segundo o governo paquistanês, a decisão ganhou força após um ataque atribuído aos Houthis contra uma embarcação saudita resultar na morte de três marinheiros paquistaneses.
“O Paquistão é signatário deste comunicado da coalizão marítima e o implementaremos com toda a seriedade”, afirmou Andrabi.
Coalizão busca proteger navegação
Além do acordo de cooperação militar firmado recentemente com Turquia e Arábia Saudita, o Paquistão também integra uma coalizão marítima criada por iniciativa saudita no fim de julho.
O grupo reúne países com o objetivo de reforçar a segurança da navegação no Golfo de Áden e no Estreito de Bab el-Mandeb, passagem estratégica que conecta o Mar Vermelho ao Oceano Índico e está próxima de áreas do litoral do Iêmen controladas pelos Houthis.
A aliança conta, além de Arábia Saudita e Paquistão, com Kuwait, Bahrein, Catar, Turquia, Egito, Jordânia, Iêmen, Bangladesh, Djibuti, Somália e Quênia.
A formação da coalizão ocorreu em meio ao agravamento das tensões na região, depois que os Houthis, grupo apoiado pelo Irã, anunciaram medidas contra embarcações sauditas que utilizam o Estreito de Bab el-Mandeb.
Rota estratégica para o petróleo
O Estreito de Bab el-Mandeb possui grande importância para o comércio internacional por conectar o Mar Vermelho às rotas marítimas que levam ao Oceano Índico.
Para a Arábia Saudita, a passagem ganhou ainda mais importância como alternativa para o transporte de sua produção de petróleo diante das restrições de navegação no Estreito de Ormuz, área estratégica situada entre o Irã e a Península Arábica.
Qualquer interrupção prolongada no tráfego marítimo da região pode aumentar os riscos para o comércio internacional e gerar impactos sobre o transporte de energia e outras mercadorias.
Tensões voltam a crescer no Iêmen
A atual crise também representa uma nova escalada nas relações entre os Houthis e a Arábia Saudita. As hostilidades foram retomadas em julho deste ano, rompendo um período de relativa trégua que estava em vigor desde 2022.
O conflito no Iêmen começou em 2014 e envolveu diferentes grupos políticos e militares, além de potências regionais.
A Arábia Saudita passou a desempenhar papel central no conflito ao liderar uma coalizão militar em apoio ao governo iemenita reconhecido internacionalmente e combater as forças Houthis.
Com o aumento das tensões no Mar Vermelho, a possível participação do Paquistão adiciona um novo elemento ao cenário de segurança regional. A atuação efetiva do país e a dimensão de qualquer eventual operação ainda dependerão dos próximos desdobramentos diplomáticos e militares.











