Mumford & Sons Dez anos depois da primeira passagem pelo país, banda britânica se prepara para reencontrar o público brasileiro e apresentar músicas do álbum “Prizefighter”
O tempo passou, o cenário musical mudou e aquela geração que acompanhava o auge do indie rock nos anos 2010 cresceu. Mas o Mumford & Sons continua encontrando novas formas de se conectar com o público. Dez anos depois de sua única apresentação no Brasil, a banda britânica está de volta ao país para uma nova experiência no Rock in Rio.
O reencontro está marcado para 12 de setembro, no Palco Sunset do festival, no Rio de Janeiro. A apresentação acontece em uma fase diferente da carreira do grupo, que deixou para trás parte da imagem de fenômeno do indie dos anos 2010 e agora busca dialogar também com uma geração mais jovem.
O vocalista Marcus Mumford e o baixista Ted Dwane conversaram com o g1 sobre o momento atual da banda, o novo álbum, as parcerias com artistas como Gracie Abrams e Hozier e a expectativa para voltar ao Brasil.
A sensação entre os integrantes é de entusiasmo. Depois de uma década, eles querem transformar o retorno em uma espécie de reencontro entre velhos conhecidos.
Dez anos depois, a lembrança do Brasil continua viva
A última apresentação do Mumford & Sons no Brasil aconteceu em 2016, durante o Lollapalooza, em São Paulo.
Na ocasião, a banda levou ao público brasileiro a mistura que a tornou conhecida mundialmente: banjo, elementos de música folk, country, rock alternativo e refrões feitos para serem cantados por grandes multidões.
O show aconteceu no Autódromo de Interlagos e ficou marcado pela energia dos fãs.
Marcus Mumford ainda guarda uma lembrança muito especial daquela noite.
“Foi como a maior multidão para a qual já tocamos, eu acho. A multidão mais frenética para a qual já tocamos”, recordou o cantor.
A apresentação chegou a ter uma invasão de palco, episódio que, segundo Marcus, tornou aquela noite ainda mais inesquecível.
Agora, dez anos depois, a banda espera reencontrar um público que mudou, mas que ainda carrega as músicas que marcaram aquela época.
“Temos desejado voltar ao Brasil desde então. Estamos muito animados por finalmente conseguir. Acho que vamos nos divertir muito. Vai ser um bonito reencontro”, afirmou.
Uma banda que amadureceu
O Mumford & Sons surgiu em um momento em que o folk e o indie rock ganharam enorme espaço no cenário internacional.
Canções como “Little Lion Man”, “The Cave” e “I Will Wait” ajudaram a transformar o grupo em um dos grandes nomes da música alternativa.
O álbum Babel, lançado em 2012, venceu o Grammy de Melhor Álbum em 2013 e consolidou a banda entre os grandes nomes da música mundial.
Mais de uma década depois, os integrantes não escondem que estão em uma fase diferente.
Marcus Mumford reconhece que existe uma relação especial com o passado, mas acredita que a banda evoluiu artisticamente.
“Não somos uma banda que nega o passado, nós amamos o nosso passado e tocamos essas músicas toda noite. Mas também estamos ansiosos pelo que vem a seguir”, afirmou.
Para ele, o novo momento representa também uma maior segurança artística.
“Hoje temos músicas melhores”, disse o vocalista ao comentar a nova fase do grupo.
“Prizefighter” representa um novo capítulo
O Mumford & Sons chega ao Rock in Rio embalado pelo lançamento de “Prizefighter”, sexto álbum da carreira da banda, lançado em fevereiro.
O disco foi produzido por Aaron Dessner, integrante do The National e conhecido também por seu trabalho com diversos artistas.
O álbum foi gravado em apenas dez dias, em Nova York, e chegou menos de seis meses depois de Rushmere, lançado em 2025.
A velocidade no processo de criação representa uma mudança na forma como o grupo trabalha.
Segundo Ted Dwane, tudo começou de maneira bastante espontânea, quando os integrantes se reuniram para escrever novas músicas.
A ideia inicial era trabalhar em Rushmere, mas a criatividade continuou fluindo.
“Mais músicas estavam surgindo e não queríamos parar”, contou.
Em vez de esperar anos para completar um novo ciclo de lançamento, a banda decidiu aproveitar o momento criativo e manter uma frequência maior.
Colaborações nasceram de relações pessoais
Uma das características de Prizefighter é a presença de convidados.
O disco reúne nomes como Gracie Abrams, Hozier, Gigi Perez e Chris Stapleton.
Apesar de colaborações musicais muitas vezes serem utilizadas como estratégia para alcançar públicos diferentes, Marcus garante que esse não foi o objetivo principal do Mumford & Sons.
As participações nasceram, em grande parte, de relações construídas ao longo dos anos.
Gracie Abrams, por exemplo, estava no mesmo prédio onde a banda trabalhava com Aaron Dessner.
A aproximação aconteceu de maneira casual e acabou dando origem à participação da cantora em “Badlands”.
O mesmo aconteceu com Hozier, com quem os integrantes mantêm amizade há muitos anos.
Já a participação de Chris Stapleton surgiu de uma admiração pessoal de Marcus.
O vocalista contou que era fã do cantor e não conseguia deixar de imaginar sua voz na primeira música do álbum, “Here”.
Para a banda, a colaboração representa parte importante de sua identidade artística.
Um festival para descobrir novos públicos
A apresentação no Rock in Rio também terá uma característica especial.
O Mumford & Sons dividirá o dia com grandes nomes da música pop internacional, como Maroon 5 e Demi Lovato, além do brasileiro João Gomes.
Para Ted Dwane, essa mistura é justamente uma das melhores características dos festivais.
O baixista afirma que o público que acompanha o Mumford & Sons atualmente é bastante diversificado.
“Amamos festivais desde sempre porque você toca para um público imenso e, muitas vezes, pessoas que podem nem conhecer a sua música. Eles são um ambiente único e hoje em dia são cada vez mais ecléticos”, afirmou.
A variedade também reflete a forma como as pessoas consomem música atualmente.
Com as plataformas de streaming, tornou-se comum que um mesmo ouvinte transite por gêneros completamente diferentes.
Para a banda, isso amplia as possibilidades de encontrar novos fãs.
O desafio de ser “classic rock” para a geração Z
Uma das situações mais curiosas enfrentadas pelo Mumford & Sons é perceber que músicas lançadas nos anos 2010 já começam a ser tratadas como referências de outra época.
Para uma nova geração, bandas que estavam no auge há pouco mais de uma década começam a ocupar um espaço semelhante ao que grupos dos anos 1970 e 1980 tiveram para gerações anteriores.
Marcus encara a mudança com bom humor e gratidão.
“Que privilégio. Um privilégio enorme”, afirmou.
O cantor, entretanto, espera que os jovens não enxerguem o passado como uma barreira para conhecer a banda.
Ele deseja que a nova geração descubra Prizefighter da mesma maneira que seus fãs mais antigos descobriram Sigh No More ou Babel.
Entre as músicas que ele gostaria que fossem incorporadas pelos novos fãs estão “Rubber Band Man”, “The Banjo Song”, “Here”, “Shadow of a Man” e “Badlands”.
Mais confiança depois dos anos de sucesso
Marcus também revelou que durante muito tempo teve insegurança em relação ao próprio trabalho.
O cantor contou que costumava olhar para os discos meses depois do lançamento e imaginar mudanças que poderia ter feito.
Com o passar dos anos, porém, essa relação mudou.
“Eu me sinto menos inseguro. As pessoas podem pensar o que quiserem e isso é legal”, afirmou.
Para ele, Prizefighter representa justamente essa sensação de maturidade.
O músico afirma que gosta profundamente do resultado e que, dessa vez, não sente vontade de mudar nada.
A confiança não significa que espera aprovação universal.
Marcus reconhece que gosto musical é algo subjetivo e que nem todas as pessoas precisam gostar do disco.
O importante, segundo ele, é estar satisfeito com aquilo que a banda criou.
“Ted Lasso” e uma experiência diferente
Além da carreira com o Mumford & Sons, Marcus Mumford também participou da criação da trilha sonora de “Ted Lasso”, série que conquistou uma legião de fãs.
O trabalho foi desenvolvido durante a pandemia, em colaboração com o compositor Tom Howe.
Marcus contou que a composição aconteceu durante o período de isolamento, com arquivos sendo enviados de um lado para o outro.
A música-tema surgiu rapidamente, mas a trilha instrumental exigiu um processo muito mais complexo.
Ele precisava assistir às cenas enquanto criava as músicas para acompanhar cada momento.
O sucesso posterior da série surpreendeu o músico.
Hoje, ele guarda carinho especial pela produção e pelo elenco.
Um reencontro que vai além da música
O retorno do Mumford & Sons ao Brasil representa mais do que uma nova apresentação internacional.
É a oportunidade de reencontrar fãs que acompanharam a banda desde os primeiros anos e, ao mesmo tempo, apresentar seu trabalho para uma geração que talvez esteja descobrindo o grupo agora.
Dez anos depois do show no Lollapalooza, Marcus e Ted chegam ao Rio de Janeiro com uma banda mais madura, um novo álbum e uma relação diferente com a própria trajetória.
O passado continua presente, mas não parece ser um peso.
Pelo contrário: as antigas músicas seguem sendo tocadas, cantadas e celebradas, enquanto Prizefighter abre espaço para uma nova etapa.
No Rock in Rio, o Mumford & Sons terá a oportunidade de provar que uma banda pode envelhecer sem perder sua identidade — e, principalmente, sem deixar de encontrar novos caminhos.
Para quem esteve em Interlagos em 2016, será uma chance de reviver uma memória.
Para quem conheceu a banda anos depois, será a oportunidade de descobrir ao vivo um grupo que atravessou gerações e continua acreditando que ainda tem histórias para contar.
E, pelo entusiasmo demonstrado pelos integrantes, uma coisa parece certa: o reencontro com o Brasil é um dos momentos mais aguardados pelo Mumford & Sons nesta nova fase da carreira.














