O Fluminense viveu uma noite que ficará marcada na memória do torcedor. Em um jogo dramático, disputado na noite desta terça-feira (18), no Estádio Malvinas Argentinas, em Mendoza, o Tricolor empatou por 1 a 1 com o Independiente Rivadavia, resistiu com um jogador a menos durante boa parte do segundo tempo e garantiu a classificação para as quartas de final da Copa Libertadores nos pênaltis.

E, mais uma vez, o nome da noite foi Fábio.

O goleiro tricolor mostrou por que é considerado um dos grandes especialistas em decisões e defendeu as cobranças de Florentín e Atencio na disputa por pênaltis. Com isso, o Fluminense venceu por 5 a 4 nas penalidades e confirmou sua presença entre os oito melhores times da competição continental.

Foi uma classificação construída com sofrimento, concentração e muita resistência. O Fluminense chegou a abrir o placar com Serna, depois de um passe preciso de Hércules, mas sofreu o empate nos minutos finais, em uma cobrança de pênalti de Alex Arce. Quando tudo parecia caminhar para uma eliminação dolorosa, Fábio apareceu novamente.

Primeiro tempo de poucas emoções

O Fluminense iniciou a partida sabendo que precisava administrar o confronto e, ao mesmo tempo, buscar espaços para construir a classificação. A equipe carioca teve maior posse de bola durante boa parte da primeira etapa, mas encontrou dificuldades para transformar esse domínio em oportunidades claras.

As principais ameaças tricolores aconteceram em jogadas de bola parada e em algumas tentativas de longa distância. Hulk, inclusive, chegou a levar perigo em uma finalização.

Do outro lado, o Independiente Rivadavia manteve uma postura semelhante à apresentada no primeiro confronto entre as equipes. Mesmo jogando em casa, o time argentino não conseguiu impor uma pressão constante sobre o Fluminense.

Fábio, entretanto, precisou trabalhar em pelo menos uma oportunidade importante e fez uma defesa que evitou o gol argentino.

O equilíbrio também apareceu no número de cartões. O árbitro colombiano Andrés Rojas advertiu jogadores dos dois times, enquanto o Fluminense precisou ter cuidado para não perder peças importantes por suspensão ou expulsão.

Com o empate persistindo, o resultado levava a decisão para os pênaltis. A equipe brasileira parecia confortável com essa possibilidade, especialmente pela presença de Fábio no gol.

Expulsão de Canobbio muda o jogo

O cenário mudou completamente no início do segundo tempo.

Canobbio, que já havia recebido cartão amarelo na primeira etapa, cometeu uma falta por trás em Fernández e recebeu a segunda advertência. Consequentemente, foi expulso aos 13 minutos.

Com um jogador a menos, o Fluminense precisou reorganizar completamente sua estratégia.

Marcão foi obrigado a mexer na equipe e passou a priorizar a segurança defensiva. O Rivadavia ganhou espaço e começou a ficar mais próximo da área tricolor.

O jogo também ficou mais nervoso. O árbitro passou a distribuir cartões para os dois lados, e qualquer dividida passou a ser acompanhada de perto.

Soteldo e Hulk, por exemplo, receberam cartões no mesmo lance após reclamações relacionadas a uma advertência.

A partida, que já era equilibrada, ganhou contornos dramáticos.

Serna coloca o Fluminense na frente

Mesmo com um jogador a menos, o Fluminense encontrou uma oportunidade perfeita para atacar.

Aos 31 minutos do segundo tempo, Hércules recebeu a bola e encontrou Serna com um passe magistral. O colombiano avançou pela esquerda, invadiu a área e finalizou cruzado.

A bola morreu no fundo da rede sem dar chances ao goleiro Bolcato.

Era o gol que poderia colocar o Fluminense nas quartas de final sem a necessidade de uma disputa por pênaltis.

A comemoração tricolor foi carregada de alívio. Jogando fora de casa, com um atleta a menos e sob pressão do adversário, a equipe carioca havia conseguido encontrar o gol que parecia improvável naquele momento.

A partir dali, a missão era resistir.

Pênalti no último lance leva decisão aos tiros livres

O Fluminense recuou ainda mais e passou a apostar nos contra-ataques.

O Rivadavia, por sua vez, se lançou ao ataque em busca do empate.

O relógio avançava e a classificação tricolor parecia cada vez mais próxima.

Até que, aos 50 minutos do segundo tempo, a arbitragem marcou pênalti para os argentinos.

Em uma finalização de Studer, a bola tocou no braço de Ignácio. Após pressão dos jogadores do Rivadavia, o árbitro foi chamado pelo VAR e revisou o lance.

Depois da análise, Andrés Rojas confirmou a penalidade.

Na cobrança, Alex Arce, artilheiro do torneio, assumiu a responsabilidade. O atacante bateu no canto direito de Fábio.

O goleiro tricolor ainda acertou o lado, mas não conseguiu evitar o gol.

Tudo estava novamente igual.

O empate em 1 a 1 levou a decisão para os pênaltis.

Fábio novamente vira herói

Na disputa por penalidades, o Fluminense começou desperdiçando. Lucho Acosta mandou a cobrança por cima do gol.

Thiago Silva também não conseguiu converter sua cobrança, acertando a trave.

Mesmo assim, o Fluminense não se entregou.

Foi então que Fábio assumiu o protagonismo.

Na terceira cobrança do Independiente Rivadavia, Florentín foi para a bola, mas o goleiro tricolor voou para o canto direito e fez uma defesa espetacular.

A intervenção recolocou o Fluminense na disputa.

Depois, Fábio apareceu novamente e defendeu a cobrança de Atencio.

A sequência foi suficiente para garantir a classificação tricolor.

Pelo Fluminense, converteram Thiago Silva, Renê, Hércules, Martinelli e Guga. Pelo Rivadavia, Matías Fernández, Villalba, Salas e Arce marcaram.

No placar final das penalidades, Fluminense 5 a 4.

Fluminense está entre os oito melhores

A classificação tem um significado especial para o clube carioca.

O Fluminense chegou às quartas de final depois de enfrentar uma partida extremamente difícil, principalmente após a expulsão de Canobbio.

A equipe conseguiu marcar mesmo com um jogador a menos e ficou a poucos segundos de garantir a classificação no tempo regulamentar.

Quando o empate parecia inevitável, Fábio mostrou novamente sua experiência.

O goleiro, que já coleciona momentos históricos em sua carreira, tornou-se decisivo mais uma vez em uma noite de Libertadores.

Agora, o Fluminense aguarda o vencedor do confronto entre Coquimbo Unido, do Chile, e Platense, da Argentina.

No primeiro jogo entre as duas equipes, houve empate por 1 a 1. A definição da vaga acontece nesta quarta-feira (19), no Chile.

Próximo desafio é pelo Brasileirão

Depois da maratona da Libertadores, o Fluminense terá pouco tempo para descansar.

O Tricolor volta a campo no sábado (23), pelo Campeonato Brasileiro. A equipe recebe o Remo, no Maracanã, às 16h, no horário de Brasília.

O desafio será administrar o desgaste físico e emocional depois de uma partida de alta intensidade na Argentina.

Para Marcão e seus jogadores, porém, a classificação pode servir como combustível para a sequência da temporada.

O Fluminense segue vivo na principal competição da América do Sul e agora começa a olhar para as quartas de final.

Mais uma vez, a equipe mostrou que não precisa de uma noite tranquila para fazer história.

Em Mendoza, o Fluminense sofreu, ficou com um jogador a menos, levou um gol no apagar das luzes e precisou enfrentar a pressão dos pênaltis.

Mas tinha Fábio.

E, quando a Libertadores pediu um herói, o goleiro apareceu.

Ficha da partida

Independiente Rivadavia-ARG 1 (4) x (5) 1 Fluminense

Competição: Copa Libertadores – oitavas de final
Data: 18 de agosto de 2026
Local: Estádio Malvinas Argentinas, Mendoza, Argentina
Gols: Serna, aos 31 minutos do segundo tempo, para o Fluminense; Alex Arce, aos 51 minutos, de pênalti, para o Rivadavia.
Expulsão: Canobbio, do Fluminense.
Árbitro: Andrés Rojas (Colômbia)
VAR: Leonard Mosquera (Colômbia)

Próximo adversário: vencedor de Coquimbo Unido x Platense.