Luísa Sonza subiu ao palco do Rock in Rio nesta segunda-feira (7) para uma apresentação que tinha tudo para ser um dos momentos mais especiais de sua trajetória no festival, mas acabou marcada por desafios. Com o espetáculo intitulado “Luísa Sonza convida Menescal”, a expectativa era de uma noite dedicada à bossa nova, especialmente pela presença de Roberto Menescal, um dos grandes nomes da história do gênero. No entanto, a cantora entregou uma apresentação predominantemente pop, com um bloco mais curto dedicado à música brasileira.
O show também chamou atenção pela baixa presença de público. Depois de duas apresentações anteriores no Rock in Rio com maior repercussão e participação dos fãs, Luísa encontrou um cenário bastante diferente nesta edição. A área em frente ao palco estava longe de estar lotada, permitindo que o público chegasse com facilidade às proximidades da grade.
A apresentação aconteceu pouco antes do show de Elton John, principal atração da noite. A mudança de horário ocorreu justamente para organizar a programação e evitar que os espectadores precisassem escolher entre acompanhar Luísa Sonza e o artista britânico.
Apesar da expectativa, o espetáculo teve outros obstáculos, principalmente relacionados ao áudio.
Problemas no som prejudicam apresentação
Um dos pontos mais criticados durante o show foi a qualidade do som. Em determinados momentos, especialmente nas músicas de batidas mais fortes, a sonoridade ficou carregada e dificultou a compreensão da voz da cantora.
A situação ficou mais evidente em músicas como “Motinha 2.0”, que possuem uma produção mais pesada e dançante. Em alguns trechos, a voz de Luísa parecia ficar escondida em meio aos instrumentos e às batidas.
Para quem já conhecia as músicas, acompanhar as letras era mais fácil. Para quem não estava familiarizado com o repertório, entretanto, a experiência poderia ser mais complicada.
O problema chamou atenção porque Luísa Sonza vem demonstrando evolução vocal ao longo dos últimos anos. A dificuldade percebida durante o show, portanto, não necessariamente estava relacionada à capacidade da cantora, mas às condições técnicas apresentadas durante a performance.
Mesmo diante das limitações, Luísa manteve a postura de quem estava diante de uma grande oportunidade e seguiu com o espetáculo.
A bossa nova teve espaço, mas por pouco tempo
O título do show criou uma expectativa específica: a de que Roberto Menescal teria participação central em uma apresentação dedicada à bossa nova.
Na prática, o gênero ocupou aproximadamente 18 minutos de um espetáculo que teve cerca de uma hora de duração. Os outros 42 minutos foram dominados pelo pop dançante característico de Luísa, com a presença de 11 dançarinos.
A diferença entre as duas propostas deixou evidente que o show não abandonou a identidade pop da cantora para se transformar em uma apresentação de bossa nova.
Quando Menescal entrou no palco, porém, o clima mudou.
Luísa apresentou o músico como uma “lenda” e afirmou que aquele era o show mais importante de sua carreira. A presença do compositor e guitarrista trouxe ao espetáculo um significado especial, especialmente porque os dois já haviam trabalhado juntos em projetos relacionados ao gênero.
Dueto com Menescal emocionou o público
O encontro entre Luísa Sonza e Roberto Menescal começou com “Chico”, música que ganhou uma nova versão para a apresentação. Na interpretação, a cantora substituiu a referência ao antigo namorado por uma expressão diferente, em uma mudança que já havia sido utilizada anteriormente.
Em seguida, os dois apresentaram “Um Pouco de Mim”, composição feita em parceria entre Luísa e Menescal.
A terceira música do bloco foi “Você”, composição de Menescal e Ronaldo Bôscoli, dois nomes fundamentais para a história da bossa nova.
Para encerrar o momento dedicado ao gênero, Luísa interpretou “Samba de Verão”, de Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle.
Foi justamente nessa música que a cantora apresentou, segundo a avaliação da apresentação, seu melhor momento vocal.
A interpretação mostrou uma faceta diferente da artista, distante das coreografias e da produção visual intensa que normalmente marcam seus shows.
Projeto “Bossa Sempre Nova”
A participação de Menescal no Rock in Rio também está diretamente ligada a um projeto desenvolvido por Luísa Sonza ao longo deste ano.
Em janeiro, a cantora lançou o álbum “Bossa Sempre Nova”, trabalho que representou uma mudança significativa em sua trajetória musical.
O projeto foi gravado com dois importantes nomes ligados à bossa nova: Roberto Menescal e Toquinho.
O álbum reúne regravações de clássicos da música popular brasileira e também músicas originais, mostrando o interesse de Luísa em explorar uma sonoridade diferente daquela que costuma dominar sua carreira.
A iniciativa foi uma espécie de pausa em relação ao pop sensual, coreografado e marcado por elementos de rock que fazem parte de sua identidade artística.
No entanto, a apresentação no Rock in Rio mostrou que essa nova experiência não significa necessariamente uma mudança definitiva de direção.
A bossa apareceu como um dos elementos do espetáculo, mas o pop continuou sendo o centro da performance.
Menescal e Luísa: duas gerações da música brasileira
A parceria entre Roberto Menescal e Luísa Sonza representa também um encontro entre gerações bastante diferentes da música brasileira.
Aos 88 anos, Menescal é considerado um dos nomes fundamentais da bossa nova. O músico participou diretamente da construção do gênero e está associado a clássicos como “O Barquinho” e “Nós e o Mar”.
Luísa, por outro lado, pertence a uma geração formada principalmente pela música pop, pelas plataformas digitais e pelas redes sociais.
A aproximação entre os dois permitiu que a cantora apresentasse uma linguagem tradicional da música brasileira para um público mais jovem, enquanto Menescal encontrou na popularidade de Luísa uma forma de aproximar a bossa nova de uma nova geração de ouvintes.
É justamente nessa combinação que está uma das características mais interessantes do projeto.
Mudança de horário preocupou cantora
Antes da apresentação, Luísa Sonza utilizou as redes sociais para informar aos fãs que seu show aconteceria mais cedo do que o previsto inicialmente.
A mudança ocorreu por causa da programação de Elton John, que seria o grande nome da noite.
A cantora demonstrou preocupação de que parte do público pudesse se confundir com os horários e acabar chegando tarde ao festival.
Apesar do receio, os fãs que estavam interessados na apresentação conseguiram acompanhar o espetáculo.
O problema foi que a quantidade de pessoas presentes ficou abaixo do que a artista havia encontrado em suas apresentações anteriores no Rock in Rio.
Um show abaixo do potencial
Mesmo com a presença de Menescal e com momentos interessantes no bloco de bossa nova, a apresentação acabou sendo considerada abaixo do potencial de Luísa Sonza.
A baixa presença de público e os problemas técnicos de áudio influenciaram diretamente a experiência.
Ainda assim, seria injusto resumir o espetáculo apenas às dificuldades.
Luísa mostrou disposição para experimentar, apresentou uma faceta diferente de sua carreira e dividiu o palco com um dos nomes mais importantes da música brasileira.
O encontro também reforçou a capacidade da cantora de transitar por diferentes estilos.
Sua carreira foi construída principalmente sobre o pop, mas projetos como “Bossa Sempre Nova” mostram que existe interesse em explorar novas possibilidades.
Entre o pop e a tradição
No fim, o show de Luísa Sonza no Rock in Rio ficou marcado justamente pelo contraste entre duas propostas.
De um lado, estava a cantora pop, acompanhada por 11 dançarinos, coreografias e músicas de forte impacto rítmico.
Do outro, estava Roberto Menescal, representante de uma geração que ajudou a transformar a música brasileira e a levar a bossa nova para o mundo.
A união dos dois funcionou melhor justamente quando o espetáculo permitiu que a música ocupasse o primeiro plano.
Ao final da apresentação, Luísa se despediu do público com uma frase que resumiu sua intenção: “Isso aqui é música brasileira”.
Embora o show tenha enfrentado dificuldades e não tenha alcançado a mesma força de suas apresentações anteriores no festival, a presença de Menescal e o bloco dedicado à bossa nova deixaram um registro importante.
Mais do que uma simples apresentação, o espetáculo mostrou uma artista tentando ampliar seus horizontes e aproximar diferentes gerações por meio da música.
E, em um festival como o Rock in Rio, onde grandes nomes da música se encontram diante de públicos diversos, essa mistura talvez seja justamente uma das maiores riquezas do palco.















