Trabalhadores dos Correios na Paraíba se reúnem nesta quinta-feira (10), em João Pessoa e Campina Grande, para uma assembleia que poderá definir os próximos passos da campanha da categoria. O encontro está marcado para as 18h30 e terá como principais pautas a avaliação das negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026/2027 e a possibilidade de adesão à greve nacional prevista para começar à 0h desta sexta-feira (11).
A mobilização ocorre em um momento considerado decisivo pelos trabalhadores. Na avaliação dos sindicatos, as negociações com a empresa ainda não avançaram de maneira suficiente para atender às principais reivindicações apresentadas pela categoria. Caso a paralisação seja aprovada nas assembleias, atividades operacionais e serviços de distribuição poderão ser afetados a partir de sexta-feira.
Na Paraíba, a orientação para participação na mobilização é do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos da Paraíba (SINTECT-PB). A entidade acompanha as negociações nacionais e afirma que a discussão vai além da questão salarial, envolvendo também condições de trabalho, benefícios, assistência à saúde e mudanças estruturais anunciadas pela estatal.
Segundo informações repassadas pelo secretário-geral do SINTECT-PB, Tony Sérgio, a mobilização faz parte de um movimento nacional que reúne 36 sindicatos e duas federações. A decisão sobre a paralisação, entretanto, depende da deliberação dos trabalhadores nas assembleias previstas para esta quinta-feira.
Negociação chega a momento decisivo
A campanha salarial dos trabalhadores dos Correios entrou em uma fase de forte pressão sobre as negociações. A categoria busca um acordo que contemple as perdas acumuladas ao longo do período, além da manutenção e melhoria de direitos considerados importantes para os empregados.
Entre as principais reivindicações está a recomposição salarial diante das perdas provocadas pela inflação. Para os trabalhadores, a atualização dos salários é necessária para preservar o poder de compra e garantir que os vencimentos acompanhem o aumento do custo de vida.
A categoria também reivindica a manutenção de benefícios e melhorias relacionadas à assistência à saúde. Nesse ponto, há críticas ao modelo atualmente administrado pela Postal Saúde, que atende trabalhadores e dependentes.
A discussão sobre saúde ganhou espaço dentro da campanha justamente porque os empregados consideram o benefício parte importante das condições gerais de trabalho. Para os sindicatos, alterações no sistema podem produzir impactos diretos no orçamento das famílias e na segurança dos trabalhadores.
Além das reivindicações econômicas, os empregados também demonstram preocupação com mudanças estruturais envolvendo os Correios.
Sindicato critica mudanças na estatal
De acordo com o SINTECT-PB, parte da insatisfação está relacionada a medidas de reestruturação anunciadas pela empresa. O sindicato afirma que os trabalhadores precisam participar das discussões que envolvem mudanças capazes de alterar a rotina dos empregados e a própria organização dos serviços.
Tony Sérgio defende que decisões dessa dimensão sejam construídas por meio do diálogo com os profissionais que atuam diariamente nas ruas, centros de distribuição e unidades dos Correios.
“Se a empresa não avançar nas negociações do nosso Acordo Coletivo e insistir em uma reestruturação que tenta desmontar a estatal, iniciaremos a greve geral. Não vamos aceitar decisões que afetam nossas vidas sem diálogo com quem conhece a realidade das ruas”, afirmou o dirigente.
A declaração resume uma das principais preocupações apresentadas pelo movimento sindical: a percepção de que alterações na estrutura da empresa podem afetar tanto os trabalhadores quanto a prestação dos serviços à população.
Indicativo de paralisação já havia sido aprovado
A possibilidade de greve não surgiu apenas nesta semana. Em assembleias realizadas durante o mês de agosto, trabalhadores já haviam aprovado um indicativo de paralisação, deixando aberta a possibilidade de uma greve caso as negociações não apresentassem avanços considerados suficientes.
Agora, as assembleias desta quinta-feira terão papel decisivo.
Na prática, os trabalhadores poderão avaliar o cenário das negociações e decidir se a categoria deverá aderir à mobilização nacional. Se a greve for aprovada, a paralisação está prevista para começar a partir da meia-noite de sexta-feira.
Para os usuários dos Correios, a eventual paralisação pode gerar preocupação principalmente em relação aos serviços de entrega. Dependendo da adesão dos trabalhadores e da extensão do movimento, encomendas, correspondências e outras atividades operacionais podem sofrer alterações nos prazos.
É importante, porém, destacar que os impactos efetivos dependerão do nível de adesão à greve e das medidas adotadas pela empresa para garantir a continuidade dos serviços considerados essenciais.
Paraíba participa da mobilização nacional
João Pessoa e Campina Grande serão os pontos de assembleia dos trabalhadores na Paraíba. A mobilização estadual acompanha um movimento que envolve sindicatos de diferentes regiões do país.
A participação da categoria paraibana é considerada estratégica pelo SINTECT-PB, que pretende apresentar aos trabalhadores o cenário das negociações e discutir os encaminhamentos para os próximos dias.
O sindicato argumenta que a força do movimento depende justamente da participação dos empregados. Para a entidade, uma eventual paralisação nacional precisa demonstrar que as reivindicações representam uma insatisfação ampla entre os trabalhadores.
Ao mesmo tempo, a possibilidade de greve coloca em evidência a importância dos Correios para milhões de brasileiros.
A empresa desempenha papel relevante na integração de diferentes regiões do país, especialmente em localidades onde alternativas privadas de entrega podem ser mais restritas. Além de correspondências e encomendas, a estrutura dos Correios está presente em atividades que envolvem empresas, órgãos públicos e cidadãos.
Por isso, qualquer paralisação costuma gerar repercussão para além dos próprios trabalhadores.
Categoria pede diálogo
Apesar do tom de pressão adotado pelos sindicatos, a principal mensagem apresentada pelo movimento é a necessidade de diálogo. Os trabalhadores afirmam que a greve é tratada como uma possibilidade diante da falta de avanços nas negociações, e não como um objetivo isolado.
A expectativa é que as discussões sobre o ACT 2026/2027 possam avançar antes que a paralisação produza impactos maiores sobre os serviços.
Para os empregados, questões como salário, benefícios, assistência à saúde e condições de trabalho estão diretamente relacionadas à qualidade de vida e à valorização profissional.
O debate sobre a reestruturação dos Correios também adiciona uma dimensão mais ampla à campanha. O sindicato defende que os trabalhadores tenham participação efetiva nas decisões que podem modificar a estrutura da empresa.
Decisão acontece nesta quinta-feira
Com as assembleias marcadas para as 18h30, os trabalhadores dos Correios na Paraíba terão a responsabilidade de definir se o estado participará da greve nacional prevista para começar à 0h desta sexta-feira (11).
A decisão ocorrerá justamente no momento em que a campanha salarial chega à sua etapa mais delicada.
Caso a paralisação seja aprovada, o movimento poderá afetar atividades operacionais e de distribuição dos Correios, embora a dimensão dos impactos dependa da adesão dos trabalhadores e dos procedimentos adotados pela empresa.
Enquanto isso, a categoria mantém a cobrança por avanços no Acordo Coletivo de Trabalho e reforça que as reivindicações não se limitam ao reajuste salarial.
O que está em discussão, segundo os representantes dos trabalhadores, é um conjunto de direitos, condições de trabalho e mudanças na estrutura dos Correios que pode influenciar diretamente o cotidiano de milhares de empregados.
A assembleia desta quinta-feira, portanto, será mais do que uma reunião sindical. Será o momento em que os trabalhadores decidirão, coletivamente, se o caminho da negociação ainda pode produzir resultados ou se a categoria deverá cruzar os braços para pressionar por mudanças.






