O cantor e compositor Roberto Müller, conhecido nacionalmente como o “Pingo de Ouro”, morreu nesta quinta-feira (24), aos 89 anos, em Recife, Pernambuco. Ídolo popular nordestino e dono de uma trajetória marcada por canções românticas que atravessaram gerações, o artista estava internado em um hospital da capital pernambucana em decorrência de uma pneumonia.

A morte foi comunicada pela Prefeitura Municipal de Piracuruca, no Piauí, cidade onde Roberto Müller nasceu e que sempre esteve ligada à sua história. Em nota de pesar, o município destacou a importância do cantor para a cultura e a música popular brasileira e ressaltou o orgulho de ter entre seus filhos um artista que levou o nome de Piracuruca para diferentes regiões do país.

Segundo informações da família, Roberto Müller estava internado desde o dia 13 de setembro. Nos últimos anos, o cantor enfrentava uma série de problemas de saúde e permanecia acamado havia pelo menos seis anos.

A neta do artista, Lídia Queiroz, contou que o avô sofreu três Acidentes Vasculares Cerebrais (AVCs) ao longo da vida. O primeiro ocorreu em 2009, enquanto os outros aconteceram nos anos seguintes. A partir de então, a saúde do cantor passou a exigir cuidados cada vez mais intensos.

“Meu avô teve três AVCs. O primeiro, em 2009. Os outros vieram em sequência nos anos seguintes. Até 2020, ele ainda estava mais lúcido. Porém, devido à idade e às complicações, com o passar do tempo, ele foi piorando”, relatou Lídia.

Uma vida dedicada à música

Nascido em Piracuruca, no Piauí, em 1937, José Ribamar da Silva iniciou sua trajetória artística ainda na década de 1950. Foi nesse período que adotou o nome artístico Roberto Müller e começou a construir uma carreira que posteriormente o transformaria em um dos nomes populares da música romântica brasileira.

Com sua voz marcante e um estilo que conquistou especialmente o público nordestino, Roberto Müller passou a ser conhecido pelo apelido de “Pingo de Ouro do Brasil”.

O título não surgiu por acaso. Ao longo de décadas de carreira, o cantor conquistou admiradores com músicas que falavam de amor, saudade, encontros, desencontros e sentimentos presentes no cotidiano de muitas pessoas.

Entre os sucessos associados ao artista estão “Entre Espumas”, “Sofro por Ti” e “Nunca Mais Brigarei Contigo”. As canções ajudaram a consolidar sua identidade artística e permaneceram na memória de um público que acompanhou sua trajetória desde os primeiros anos de carreira.

Mais do que um cantor, Roberto Müller construiu uma relação afetiva com seus admiradores. Suas músicas fizeram parte de momentos importantes da vida de muitas pessoas e ajudaram a manter viva uma tradição de música romântica popular que encontrou no Nordeste um de seus públicos mais fiéis.

Artista manteve ligação com o Nordeste

Embora tenha vivido em Recife por mais de três décadas, Roberto Müller nunca deixou de ter sua história associada ao Piauí e ao Nordeste.

Sua cidade natal, Piracuruca, destacou justamente essa ligação ao publicar a nota de pesar após a confirmação da morte. Para o município, a trajetória do artista representa uma parte da história cultural local.

A prefeitura afirmou que Roberto Müller levou o nome de Piracuruca para todo o país por meio de sua música e de sua voz.

A homenagem também revela a dimensão regional alcançada pelo artista. Mesmo tendo construído uma carreira nacional, Roberto Müller permaneceu identificado com suas origens e com o público nordestino que acompanhou sua trajetória.

Ao longo de sua vida artística, o cantor atravessou diferentes momentos da música brasileira, acompanhando transformações no mercado fonográfico, nos meios de comunicação e nos hábitos do público.

Mesmo diante dessas mudanças, continuou associado ao estilo romântico que marcou sua carreira.

Cuidados nos últimos anos

Nos últimos anos, a rotina de Roberto Müller passou a ser marcada por cuidados médicos e pela presença constante da família e de pessoas próximas.

Segundo a neta, a compositora e empresária Dagmar Pereira teve papel importante nesse período. Ela teria acompanhado o cantor diariamente, ajudando nos cuidados necessários ao longo dos anos.

“Cuidava dele 24 horas por dia, fora as cuidadoras também. Um anjo em nossas vidas”, afirmou Lídia Queiroz.

O relato demonstra que, apesar das dificuldades impostas pela idade e pelos problemas de saúde, Roberto Müller esteve cercado por pessoas que acompanharam de perto sua rotina.

A pneumonia que levou à internação em setembro acabou agravando um quadro de saúde que já era delicado. Após dias internado, o artista morreu aos 89 anos.

Despedida em Recife

O velório de Roberto Müller está marcado para esta sexta-feira (25), às 8h, no Cemitério de Santo Amaro, em Recife. O sepultamento está previsto para ocorrer às 14h.

O cantor deixa oito filhos, 20 netos e dez bisnetos, além de uma legião de fãs que acompanhou sua carreira ao longo de décadas.

A despedida deverá reunir familiares, amigos e admiradores que reconhecem a importância de Roberto Müller para a música popular.

Para a família, o momento é de dor, mas também de lembranças de uma trajetória que ultrapassou os palcos e os discos.

Legado permanece na música

A morte de Roberto Müller encerra uma trajetória artística iniciada há mais de sete décadas. Desde os primeiros passos na música, ainda nos anos 1950, até os últimos anos de vida, o cantor construiu uma identidade que permaneceu ligada ao romantismo e à cultura popular.

Suas canções continuam representando uma época da música brasileira em que letras sobre sentimentos e relacionamentos ocupavam espaço importante no repertório de artistas populares.

Para gerações de ouvintes, “Pingo de Ouro” não era apenas um apelido, mas uma forma de identificar um artista cuja voz se tornou parte da memória musical de milhares de pessoas.

A Prefeitura de Piracuruca destacou esse legado na homenagem publicada após a morte.

“Orgulho de nossa terra, o filho de Piracuruca levou o nome de nossa cidade a todo o país com sua voz inconfundível e grandes sucessos que embalaram o Brasil”, afirmou o município.

A gestão municipal também expressou solidariedade aos familiares, amigos e fãs e ressaltou que a trajetória do cantor deixa uma marca na cultura e na música popular brasileira.

Roberto Müller parte aos 89 anos, mas sua história permanece registrada nas músicas que interpretou, nos palcos que ocupou e, principalmente, na memória de quem cresceu ouvindo suas canções.

Em um momento em que diferentes gerações da música brasileira passam a ser redescobertas, o legado do “Pingo de Ouro” permanece como parte de uma tradição romântica e popular que ajudou a aproximar artistas e público por meio de histórias cantadas.

Para Piracuruca, fica o orgulho de ter sido a terra natal de um artista que levou seu nome para além das fronteiras do Piauí. Para familiares e admiradores, fica a saudade de Roberto Müller e a lembrança de uma vida dedicada à música.

A despedida nesta sexta-feira, em Recife, marcará o último capítulo da trajetória de um cantor que fez do romantismo sua identidade e conquistou um lugar especial na memória musical brasileira.