Raphinha transformou as cobranças de pênalti em uma das marcas de sua trajetória recente no futebol. O atacante da Seleção Brasileira voltou a balançar as redes em uma penalidade nesta terça-feira (29), no amistoso contra a Austrália, e ampliou uma sequência de quase nove anos sem desperdiçar uma cobrança durante o tempo regulamentar.
Os números ajudam a dimensionar a regularidade do camisa 10. Ao longo da carreira profissional, Raphinha teve 25 cobranças de pênalti registradas em tempo regulamentar. Dessas, converteu 24 e desperdiçou apenas uma, alcançando um aproveitamento de aproximadamente 96%.
A única cobrança perdida aconteceu em dezembro de 2017, quando o jogador ainda defendia o Vitória de Guimarães, de Portugal. Na ocasião, o brasileiro não conseguiu marcar diante do Tondela, em partida válida pelo Campeonato Português.
Desde então, porém, todas as penalidades cobradas por Raphinha terminaram no fundo das redes.
Uma sequência construída ao longo de quase nove anos
A história de Raphinha com as cobranças de pênalti começou ainda no futebol português. Em dezembro de 2017, ele marcou diante do Vitória de Setúbal, antes de desperdiçar uma cobrança contra o Tondela.
Pouco tempo depois, em março de 2018, o atacante voltou a converter diante do Portimonense.
Aquela cobrança desperdiçada contra o Tondela acabou se tornando a única mancha em uma estatística que, desde então, ganhou contornos impressionantes.
A regularidade permaneceu quando o jogador deixou Portugal e passou pelo futebol francês e inglês.
No Rennes, Raphinha marcou de pênalti contra o Amiens, em novembro de 2019.
Posteriormente, durante sua passagem pelo Leeds United, o brasileiro converteu quatro cobranças. Foram gols contra Crystal Palace, Chelsea, Arsenal e Brentford, entre novembro de 2021 e maio de 2022.
O período no futebol inglês também ajudou a consolidar a confiança do jogador em situações de bola parada.
Barcelona virou palco de grandes cobranças
Foi no Barcelona, entretanto, que a quantidade de penalidades cobradas por Raphinha aumentou de maneira significativa.
Depois de chegar ao clube catalão, o brasileiro passou a assumir maior protagonismo ofensivo e também ganhou espaço entre os responsáveis pelas cobranças.
A primeira penalidade registrada pelo Barcelona nessa sequência aconteceu em maio de 2024, contra a Real Sociedad.
Depois vieram novas cobranças diante de Mallorca, Celta, Villarreal, Copenhague, Atlético de Madrid, Sevilla, Elche e Racing Santander.
Em algumas partidas, Raphinha teve a responsabilidade de cobrar duas penalidades.
Foi o caso do confronto contra o Sevilla, em março de 2026, quando converteu as duas cobranças. O mesmo aconteceu diante do Racing Santander, em setembro deste ano.
Esses episódios ajudam a explicar por que o atacante alcançou uma marca tão expressiva em um período relativamente longo.
Camisa 10 também ganha protagonismo na Seleção
O bom desempenho nas penalidades também passou a aparecer com a camisa da Seleção Brasileira.
Raphinha marcou duas vezes de pênalti na vitória por 4 a 0 sobre o Peru, em outubro de 2024.
Em março de 2025, voltou a converter diante da Colômbia, em partida vencida pelo Brasil por 2 a 1.
Agora, diante da Austrália, o atacante novamente assumiu a responsabilidade e marcou em uma cobrança que contribuiu para a vitória brasileira por 4 a 2.
A sequência mostra que a confiança do jogador nas penalidades não está restrita ao futebol de clubes.
Ao assumir uma cobrança pela Seleção, a responsabilidade naturalmente aumenta. O pênalti acontece em um momento específico da partida, quando o jogador tem poucos segundos para controlar a pressão, escolher o canto e executar o chute.
Raphinha vem demonstrando eficiência justamente nesse tipo de situação.
Por que o pênalti exige tanta precisão?
Embora pareça uma jogada simples, a cobrança de pênalti envolve uma combinação de técnica, concentração e tomada de decisão.
O jogador fica frente a frente com o goleiro, geralmente a uma distância de 11 metros. Nesse momento, fatores psicológicos podem ter grande influência.
É preciso escolher previamente a direção do chute ou reagir ao posicionamento do goleiro, controlar a força e manter a precisão.
Pequenos erros podem determinar o resultado.
Uma cobrança muito próxima do centro facilita a defesa. Um chute forte demais pode sair pela linha de fundo. Uma batida mal executada também pode permitir que o goleiro faça a defesa.
Por isso, manter um aproveitamento elevado ao longo de dezenas de cobranças é uma tarefa difícil.
No caso de Raphinha, os números mostram uma regularidade construída durante diferentes fases da carreira, em diferentes países e competições.
A evolução do jogador
A trajetória das cobranças também acompanha uma transformação na carreira de Raphinha.
Quando desperdiçou seu único pênalti, em 2017, o atacante ainda estava em uma fase inicial de sua trajetória profissional. Naquele período, defendia o Vitória de Guimarães e buscava espaço no futebol europeu.
Anos depois, o jogador se consolidou em grandes clubes, chegou à Seleção Brasileira e passou a atuar em partidas de maior peso e responsabilidade.
A evolução não aconteceu apenas nos pênaltis.
Raphinha ganhou importância no setor ofensivo, passou a participar mais das construções de jogadas e se tornou um dos jogadores brasileiros de maior destaque no futebol europeu.
No Barcelona, assumiu papel central no ataque e passou a aparecer frequentemente entre os jogadores responsáveis por decisões importantes durante as partidas.
Números mostram consistência
A estatística de 24 gols em 25 cobranças significa um aproveitamento de 96%.
Em outras palavras, apenas uma das 25 penalidades terminou sem gol.
A lista de cobranças mostra ainda que a sequência não foi construída em um curto período. Ela atravessa diferentes clubes e competições.
Pelo Vitória de Guimarães, Raphinha teve três cobranças registradas, com duas convertidas e uma perdida.
No Rennes, marcou uma vez.
Pelo Leeds United, converteu quatro.
No Barcelona, acumulou 13 cobranças convertidas no período considerado.
Já pela Seleção Brasileira, são cinco penalidades convertidas, incluindo a cobrança diante da Austrália.
A soma chega às 24 conversões.
Uma arma a mais para o Brasil
Para a Seleção Brasileira, contar com um jogador que apresenta esse nível de eficiência nas penalidades representa uma alternativa importante em partidas equilibradas.
Pênaltis podem surgir em diferentes momentos de uma competição. Uma cobrança convertida pode mudar completamente o cenário de uma partida e aumentar a responsabilidade sobre quem está encarregado de executá-la.
Raphinha tem demonstrado tranquilidade para assumir esse papel.
Mais do que o número absoluto de gols, a sequência chama atenção pela capacidade de repetir o desempenho ao longo dos anos.
O último pênalti desperdiçado aconteceu em 2017. Desde então, o atacante converteu todas as cobranças registradas em tempo regulamentar.
Uma marca construída com confiança
A estatística de Raphinha não representa apenas uma sequência de cobranças convertidas. Ela também ajuda a contar parte da evolução de um jogador que saiu de Portugal, passou pelo futebol francês, ganhou destaque na Inglaterra, chegou ao Barcelona e se tornou presença importante na Seleção Brasileira.
O pênalti perdido contra o Tondela, em dezembro de 2017, ficou isolado no histórico.
Desde aquele episódio, cada nova cobrança representa uma oportunidade de manter uma sequência que já se aproxima de uma década.
Aos 29 anos, Raphinha vive uma fase de grande protagonismo e acrescenta ao repertório ofensivo uma característica cada vez mais valorizada no futebol: a capacidade de assumir a responsabilidade quando a bola está parada e a decisão depende de um único chute.
Com 24 gols em 25 cobranças, o atacante construiu uma marca expressiva. E, enquanto continuar sendo escolhido para assumir as penalidades, cada nova cobrança terá também o peso de uma sequência iniciada há quase nove anos.













