A construção civil vem ganhando cada vez mais espaço na economia da Paraíba e já reúne mais de 6,8 mil empresas em atividade no estado, responsáveis por movimentar uma cadeia que envolve aproximadamente 57 mil trabalhadores. O cenário aponta para um setor aquecido, com geração de empregos, novos investimentos e oportunidades para empresas de diferentes portes.

Os dados foram apresentados pelo Sebrae/PB durante a Jornada da Construção Civil, realizada nesta quinta-feira (1º), em Campina Grande. O evento reuniu empresários, profissionais do mercado imobiliário e representantes de pequenos negócios para discutir as transformações do segmento, além dos desafios que acompanham o crescimento da atividade.

Em Campina Grande, um dos principais polos econômicos do interior paraibano, o setor também apresenta resultados positivos na geração de empregos. Somente em julho deste ano, foram criados 197 novos postos de trabalho formais ligados à construção civil no município.

O crescimento, porém, traz uma nova realidade para os empreendedores. Com mais empresas disputando espaço e consumidores cada vez mais atentos a preços, qualidade e atendimento, a expansão do mercado exige profissionalização e capacidade de gestão.

Mercado aquecido exige preparação dos empresários

Para a analista técnica do Sebrae/PB em Campina Grande, Kamila Albuquerque, o momento vivido pela construção civil representa uma oportunidade importante, mas também exige que os empresários estejam preparados para acompanhar as mudanças.

Segundo ela, a discussão deixou de ser apenas sobre o crescimento do setor e passou a envolver a capacidade das empresas de transformar a expansão do mercado em resultados concretos.

A especialista destaca que fatores como captação de clientes, vendas, controle de custos, gestão de equipes, acompanhamento de indicadores e relacionamento com consumidores precisam fazer parte da rotina dos negócios.

Na prática, isso significa que uma empresa pode encontrar um mercado com demanda crescente, mas ainda assim enfrentar dificuldades para aproveitar as oportunidades se não possuir processos de gestão adequados.

O diagnóstico apresentado pelo Sebrae/PB foi elaborado a partir de visitas e entrevistas realizadas com empresas do setor em Campina Grande. O levantamento envolveu 40 empresas imobiliárias e 60 corretores de imóveis e buscou identificar os principais pontos em que os negócios precisam de apoio.

Área comercial aparece como principal desafio

Entre os entrevistados, 58% apontaram a área comercial como a principal necessidade das empresas. Nesse grupo estão questões relacionadas à captação de clientes, marketing digital e estratégias de vendas.

A gestão financeira aparece na sequência, com 14% das respostas, sendo uma preocupação especialmente destacada entre as construtoras.

Os números mostram que, apesar de o mercado estar aquecido, ainda existem dificuldades na estrutura interna dos negócios. Uma empresa pode ter bons produtos e serviços, mas precisa também desenvolver ferramentas para organizar sua operação e manter um relacionamento constante com seus clientes.

Um dos exemplos identificados pelo diagnóstico envolve o uso de ferramentas de gestão de relacionamento com consumidores. Embora 61% dos entrevistados afirmem enfrentar dificuldades para encontrar e manter clientes, somente 21% utilizam sistemas de CRM para organizar e acompanhar sua carteira.

O CRM permite reunir informações sobre clientes, contatos, negociações e oportunidades de vendas. A ferramenta pode ajudar empresas a acompanhar melhor os consumidores e estabelecer estratégias mais organizadas para aumentar a eficiência comercial.

Gestão financeira ainda é um ponto de atenção

Outro dado apresentado durante a Jornada chama atenção para a distância entre os problemas percebidos pelos empresários e a utilização de ferramentas de gestão.

Segundo o diagnóstico, 33% dos entrevistados relatam dificuldades relacionadas ao controle financeiro. Entretanto, apenas 13% afirmam acompanhar indicadores gerenciais.

Esse acompanhamento pode ser fundamental para que os empresários compreendam de maneira mais clara a situação financeira de seus negócios. Custos, receitas, margem, fluxo de caixa e outros indicadores ajudam a identificar problemas e orientar decisões.

Na construção civil, onde projetos normalmente envolvem investimentos elevados, prazos longos e diferentes fornecedores e profissionais, o planejamento financeiro pode ter impacto direto no resultado final de uma obra ou empreendimento.

Por isso, o desafio apontado pelo Sebrae não está apenas em vender mais, mas em criar condições para que o crescimento seja sustentável.

Falta de mão de obra qualificada preocupa construtoras

A disponibilidade de profissionais qualificados também aparece entre os principais desafios do setor na Paraíba.

Entre as construtoras consultadas, 62% apontaram a falta de mão de obra qualificada como um problema. Ao mesmo tempo, apenas 20% afirmaram investir no treinamento das equipes.

O cenário revela uma necessidade de aproximação entre crescimento das empresas e capacitação dos trabalhadores. Com novas oportunidades surgindo no mercado, a qualificação profissional passa a ser uma ferramenta importante para melhorar a produtividade e a qualidade dos serviços.

Para o Sebrae/PB, o diagnóstico ajuda a identificar justamente esses espaços que podem ser trabalhados pelos empreendedores.

A proposta é apoiar os empresários para que o conhecimento que já possuem sobre suas atividades seja transformado em estratégias mais estruturadas de gestão.

Concorrência aumenta com expansão do mercado

O movimento observado na Paraíba acompanha uma tendência registrada no mercado imobiliário brasileiro.

Segundo dados apresentados durante a Jornada da Construção Civil, o mercado imobiliário nacional registrou 453 mil novas unidades imobiliárias em 2025, movimentando aproximadamente R$ 292 bilhões em valor geral de lançamentos.

Ao mesmo tempo em que o mercado cresce, aumenta também a disputa entre empresas. No diagnóstico realizado pelo Sebrae, 51% dos entrevistados afirmaram sentir os efeitos de uma concorrência mais acirrada.

Esse cenário coloca os empresários diante de uma necessidade cada vez maior de diferenciação. Qualidade, preço, atendimento, presença digital, relacionamento e capacidade de planejamento passam a ter peso importante na disputa pela preferência dos consumidores.

Para pequenos negócios, esse processo pode ser ainda mais desafiador, já que muitas empresas possuem estruturas reduzidas e precisam conciliar a execução das atividades diárias com a necessidade de planejar o futuro.

Pequenos negócios têm participação importante

A presença dos pequenos negócios é expressiva na construção civil paraibana. Levantamento do Sebrae identifica 3.886 empresas de construção de edifícios enquadradas como microempresas ou empresas de pequeno porte no estado.

Desse total, 527 estão localizadas em Campina Grande.

Os números mostram a importância dos pequenos empreendedores para a movimentação do setor e para a geração de oportunidades econômicas no estado.

Para José Garibaldi Porto Junior, da Briefing Imobiliário LTDA, de Campina Grande, participar da Jornada representa uma oportunidade de aperfeiçoar a gestão e compreender melhor os desafios do mercado.

Segundo ele, o crescimento de uma pequena empresa exige mais do que a entrega de um produto ou serviço de qualidade. Também é necessário investir em atendimento, planejamento financeiro, equipe e relacionamento com os clientes.

A percepção reforça um dos principais pontos apresentados durante o evento: o crescimento do setor precisa caminhar junto com a profissionalização dos negócios.

Jornada aposta em capacitação e relacionamento

Além da apresentação do diagnóstico, a programação contou com a participação do empresário e especialista em vendas Cézar Haik, que compartilhou experiências e estratégias voltadas aos empreendedores.

Entre os assuntos abordados estiveram o posicionamento profissional e a importância dos relacionamentos construídos ao longo da carreira.

A Jornada da Construção Civil também prevê outras ações para os pequenos negócios, incluindo visitas técnicas e consultorias individuais ao longo dos próximos meses.

A iniciativa busca oferecer aos empresários ferramentas para enfrentar os desafios identificados no diagnóstico e aproveitar as oportunidades criadas pelo crescimento do setor.

Empreendedores interessados em participar das ações podem procurar uma unidade do Sebrae para realizar o cadastro e obter informações sobre os conteúdos e atividades disponíveis.

Um setor em transformação

Com mais de 6,8 mil empresas e aproximadamente 57 mil trabalhadores, a construção civil ocupa uma posição relevante na economia paraibana. O crescimento registrado em Campina Grande e em outras regiões mostra que o setor continua gerando oportunidades, mas também evidencia novos desafios para os empresários.

A expansão do mercado cria espaço para novos negócios, empregos e investimentos. Ao mesmo tempo, aumenta a necessidade de planejamento, qualificação, controle financeiro e estratégias comerciais.

Nesse cenário, a profissionalização aparece como uma das principais ferramentas para que as empresas possam acompanhar a evolução do mercado.

Mais do que construir empreendimentos, o setor passa por um momento em que também precisa fortalecer empresas, equipes e relações com os consumidores. Na Paraíba, os próximos anos deverão ser marcados não apenas pelo avanço da construção civil, mas pela busca de modelos de negócios mais organizados, competitivos e preparados para transformar as oportunidades do mercado em crescimento sustentável.