Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabella Nardoni, foi eleita deputada federal por São Paulo nas eleições de 2026 e dará um novo passo em sua trajetória política a partir de 2027. Aos 42 anos, ela recebeu 246.741 votos, correspondentes a 1,04% dos votos válidos no estado, e foi a segunda candidata mais votada do Podemos em São Paulo, atrás apenas do Delegado Palumbo, que alcançou 303.271 votos.

A eleição representa uma mudança de escala na carreira política de Ana Carolina, que ingressou na vida pública apenas dois anos antes. Em 2024, ela foi eleita vereadora da capital paulista com 129.563 votos, tornando-se a segunda candidata mais votada daquela eleição municipal e a mulher com maior votação para a Câmara Municipal de São Paulo naquele pleito.

Agora, depois de uma passagem marcada pela atuação em defesa de crianças e adolescentes, Ana Carolina deixará o Legislativo municipal para ocupar uma cadeira na Câmara dos Deputados. A nova função levará para Brasília uma pauta que está diretamente ligada à história pessoal que marcou sua vida e também motivou sua entrada na política.

Da vida profissional à política

Antes de ingressar na política, Ana Carolina construiu uma carreira no mercado financeiro. Segundo informações de seu perfil publicado pela Câmara Municipal de São Paulo, ela trabalhou durante 16 anos em uma instituição financeira privada.

Formada em Administração de Empresas, a futura deputada federal também possui pós-graduação pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Sua trajetória profissional, portanto, foi construída durante anos distante dos cargos eletivos e da rotina política.

A mudança aconteceu depois de uma experiência pessoal que transformou profundamente sua vida e fez com que a defesa dos direitos das crianças passasse a ocupar um espaço central em sua atuação pública.

Ana Carolina ficou conhecida nacionalmente em 2008, após a morte de sua filha, Isabella Nardoni, então com 5 anos.

O crime ocorreu em 29 de março daquele ano, quando Isabella morreu após ser jogada da janela do sexto andar de um edifício localizado na Zona Norte de São Paulo.

O caso provocou enorme comoção no Brasil e passou a ocupar espaço permanente no debate público sobre violência contra crianças.

A tragédia que marcou sua história

A morte de Isabella tornou-se um dos casos criminais de maior repercussão da história recente do país. O pai da menina, Alexandre Nardoni, e a madrasta, Anna Carolina Jatobá, foram condenados pela Justiça em 2010 pela morte da criança.

Desde a tragédia, Ana Carolina passou a falar publicamente sobre a filha e sobre a necessidade de fortalecer mecanismos de proteção às crianças e aos adolescentes.

Ao longo dos anos, sua trajetória pública foi sendo associada à defesa de vítimas de violência e à discussão sobre políticas voltadas à infância.

A dor provocada pela perda de Isabella permaneceu presente, mas também acabou se transformando em uma motivação para a atuação de Ana Carolina em causas relacionadas à proteção de crianças e adolescentes.

Essa trajetória ganhou uma dimensão política em 2024, quando ela decidiu disputar uma vaga na Câmara Municipal de São Paulo.

Eleição para vereadora surpreendeu pela votação

Na eleição municipal de 2024, Ana Carolina recebeu 129.563 votos e terminou como a segunda candidata mais votada para a Câmara Municipal de São Paulo.

O resultado também a colocou como a mulher mais votada naquela eleição para o Legislativo paulistano.

A votação expressiva demonstrou a força de sua imagem junto ao eleitorado e abriu caminho para uma atuação política mais ampla.

Durante o mandato, a defesa de crianças e adolescentes se consolidou como uma das principais bandeiras da vereadora. O tema, que já fazia parte de sua trajetória pessoal, passou a ser trabalhado também por meio de propostas, debates e participação em órgãos da Câmara Municipal.

Em 2025, Ana Carolina foi eleita presidente da Comissão Extraordinária de Defesa dos Direitos da Criança, do Adolescente e da Juventude.

No ano seguinte, foi reeleita para comandar o colegiado.

A posição colocou a vereadora no centro das discussões relacionadas às políticas públicas para a infância e juventude na maior cidade do país.

Defesa da infância como principal bandeira

A atuação de Ana Carolina na Câmara Municipal foi construída em torno de uma pauta diretamente relacionada à experiência que viveu como mãe.

O combate à violência contra crianças e adolescentes passou a ser uma das principais bandeiras de sua atuação política.

A discussão envolve diferentes formas de violência e os mecanismos necessários para prevenir agressões, identificar situações de risco e oferecer proteção às vítimas.

Também estão entre os desafios a ampliação da rede de atendimento, o fortalecimento das políticas públicas e a integração entre órgãos responsáveis pela proteção da infância.

A experiência de Ana Carolina na presidência da comissão dedicada ao tema deverá servir como base para sua atuação no Congresso Nacional.

Na Câmara dos Deputados, ela terá a possibilidade de participar de discussões e votações de projetos que podem ter alcance nacional, ampliando a dimensão de sua atuação.

18 anos sem Isabella

Em março de 2026, a morte de Isabella completou 18 anos.

A data voltou a despertar lembranças e homenagens à menina. Ana Carolina marcou o aniversário da morte da filha com uma homenagem pública, relembrando a história que interrompeu a infância de Isabella e transformou definitivamente a trajetória de sua família.

A passagem de quase duas décadas desde a tragédia também coincidiu com um momento importante na vida política de Ana Carolina.

No mesmo ano em que relembrou os 18 anos da morte da filha, ela disputou uma vaga para a Câmara dos Deputados.

A história de Isabella, portanto, permaneceu presente em sua trajetória, mas passou a se relacionar cada vez mais com uma atuação política voltada à construção de políticas de proteção.

De vereadora a deputada federal

A eleição de 2026 representa um salto significativo.

Em apenas dois anos, Ana Carolina saiu de uma estreia na política municipal para conquistar uma cadeira no Congresso Nacional.

Com 246.741 votos, ela garantiu uma das vagas destinadas a São Paulo na Câmara dos Deputados e deverá iniciar o mandato em 2027.

A votação também consolidou sua posição dentro do Podemos no estado. Entre os candidatos da legenda, ficou atrás somente do Delegado Palumbo.

O resultado mostra que a pauta relacionada à proteção de crianças e adolescentes encontrou espaço entre uma parcela significativa do eleitorado paulista.

Agora, porém, os desafios serão maiores. No Congresso, Ana Carolina terá de transformar bandeiras defendidas no âmbito municipal em propostas capazes de dialogar com diferentes realidades existentes no país.

Uma nova etapa em Brasília

A chegada de Ana Carolina Oliveira à Câmara dos Deputados também representa uma mudança na maneira como sua história pessoal se relaciona com a vida pública.

A morte de Isabella foi responsável por colocá-la diante de uma realidade de violência que nenhuma família deveria enfrentar. Anos depois, essa experiência passou a orientar parte de sua atuação política.

Ao assumir um mandato federal, Ana Carolina terá a oportunidade de ampliar esse debate para além da cidade de São Paulo.

A defesa de crianças e adolescentes continuará sendo uma das principais marcas de sua trajetória, mas a atuação parlamentar também deverá envolver outras áreas e temas nacionais.

O desafio será conciliar a experiência adquirida no Legislativo municipal com as responsabilidades de um mandato federal.

Uma história pessoal que chegou à política nacional

A eleição de Ana Carolina Oliveira é resultado de uma trajetória incomum na política brasileira.

Ela não construiu sua carreira inicialmente dentro de partidos ou cargos públicos. Antes disso, passou 16 anos no mercado financeiro, formou-se em Administração e desenvolveu sua vida profissional até que uma tragédia familiar mudou completamente seus caminhos.

A perda de Isabella fez com que sua história se tornasse conhecida em todo o país. Com o passar dos anos, porém, Ana Carolina buscou transformar a dor em atuação pública.

Primeiro, veio a eleição para vereadora em 2024. Depois, a presidência da comissão dedicada à defesa da infância. Agora, a eleição para deputada federal.

A partir de 2027, sua voz estará no Congresso Nacional, onde poderá participar diretamente das decisões que definem políticas públicas para milhões de brasileiros.

Mais de uma década e meia depois da morte de Isabella, a história daquela menina continua presente na vida da mãe. Desta vez, porém, em uma nova etapa: a de transformar uma experiência pessoal dolorosa em uma atuação política voltada à proteção de outras crianças.

Para Ana Carolina Oliveira, a chegada a Brasília representa não apenas uma conquista eleitoral, mas também a continuidade de uma caminhada que começou muito antes da política e que tem como uma de suas principais marcas a defesa de uma infância mais protegida e de uma sociedade mais preparada para combater a violência contra crianças e adolescentes.