A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) realiza nesta quarta-feira (7) dois importantes leilões para o setor de petróleo e gás natural no Brasil. As disputas colocam à disposição de empresas nacionais e internacionais centenas de áreas com potencial de exploração e produção em diferentes regiões do país.

Se todas as áreas forem efetivamente arrematadas, os pagamentos mínimos previstos em bônus de assinatura poderão alcançar aproximadamente R$ 2,186 bilhões. O valor, no entanto, não representa uma arrecadação garantida para o governo. Trata-se da soma dos valores mínimos estabelecidos para todas as áreas oferecidas, e o montante efetivamente arrecadado dependerá da quantidade de blocos que receber propostas e forem conquistados pelas empresas.

Ao todo, serão oferecidas 326 áreas nos dois ciclos. A maior parte está inserida no regime de concessão, com 308 blocos exploratórios. Outros 13 blocos serão disputados pelo regime de partilha da produção, enquanto cinco áreas possuem acumulações marginais, locais onde já existe conhecimento sobre a presença de petróleo ou gás, mas com produção reduzida ou menor atratividade econômica.

A programação foi dividida em duas sessões. A primeira começa às 9h e corresponde ao 4º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha da Produção. Às 14h, está previsto o 6º Ciclo da Oferta Permanente de Concessão.

Os leilões fazem parte da estratégia do governo para ampliar a participação de empresas na exploração das reservas brasileiras e movimentar investimentos em uma cadeia que envolve pesquisa, perfuração, produção, transporte, serviços especializados e infraestrutura.

Partilha terá 13 blocos no pré-sal

Na primeira sessão, serão disputados 13 blocos localizados nas bacias de Campos e Santos, duas das áreas mais importantes da indústria de petróleo brasileira.

Cinco blocos estão na Bacia de Campos, localizada na costa dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo. Outros oito ficam na Bacia de Santos, entre os litorais de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Os blocos da Bacia de Campos são Magnetita, Turmalina, Hematita, Larimar e Azurita. Já na Bacia de Santos serão ofertadas as áreas denominadas Jade, Aragonita, Cruzeiro do Sul, Opala, Granada, Cerussita, Rubi e Rodocrosita.

Nesse modelo de exploração, chamado de regime de partilha, uma parcela da produção pertence à União. O bônus de assinatura é previamente estabelecido e a disputa ocorre principalmente pela oferta da maior parcela de petróleo e gás que será destinada ao governo depois da recuperação dos custos da atividade.

Os bônus fixos dos 13 blocos somam R$ 1,235 bilhão. A Bacia de Santos concentra a maior parte desse valor, com aproximadamente R$ 995,5 milhões, enquanto os cinco blocos da Bacia de Campos representam cerca de R$ 239,5 milhões.

O edital previa inicialmente 23 blocos para o ciclo, mas dez áreas não foram selecionadas para esta etapa. Ficaram de fora Ágata, Amazonita, Calcedônia, Calcita, Malaquita, Ônix, Quartzo, Safira Leste, Safira Oeste e Siderita.

Ao todo, 19 empresas estão habilitadas para participar da disputa. Entre os nomes estão grandes grupos nacionais e internacionais, como Petrobras, Shell, TotalEnergies, Chevron, Equinor, BP, Prio, CNOOC, Repsol e Petronas.

A habilitação, porém, não significa que todas essas companhias necessariamente apresentarão propostas. A participação efetiva dependerá das estratégias de cada empresa e da avaliação econômica e geológica dos blocos.

Concessão terá 308 blocos em nove bacias

No período da tarde, a ANP realizará o ciclo de concessão, que reúne 308 blocos exploratórios distribuídos por 22 setores de nove bacias sedimentares brasileiras.

As áreas estão localizadas nas bacias Potiguar, Tacutu, Recôncavo, Parnaíba, Tucano Sul, Campos, Espírito Santo, Santos e Ceará.

O modelo de concessão apresenta uma dinâmica diferente do regime de partilha. Nesse formato, a empresa assume os riscos financeiros da exploração. Caso encontre petróleo ou gás em quantidade comercialmente viável, poderá produzir e comercializar os recursos, seguindo as regras estabelecidas e pagando royalties e outras participações governamentais.

Nos blocos exploratórios, a disputa considera uma combinação entre o bônus de assinatura e os compromissos de exploração apresentados pelas empresas.

Os bônus mínimos previstos inicialmente para os blocos exploratórios somam R$ 950,64 milhões.

A quantidade de áreas também sofreu alteração antes da realização do leilão. A ANP havia informado inicialmente que seriam ofertados 313 blocos no regime de concessão. Entretanto, na segunda-feira (5), cinco áreas da Bacia do Parnaíba foram retiradas após a agência identificar um erro relacionado à aplicação de recortes associados a critérios socioambientais.

Com a retirada, o número chegou aos atuais 308 blocos.

Os sete setores com os maiores valores concentram aproximadamente R$ 899,55 milhões em bônus mínimos. Os outros 15 setores somam cerca de R$ 51,09 milhões.

Nesse ciclo, 46 empresas estão habilitadas para apresentar ofertas. A lista reúne grandes companhias do mercado internacional e empresas que já possuem atuação consolidada na indústria brasileira.

Entre as habilitadas estão Petrobras, Shell, TotalEnergies, Chevron, Equinor, ExxonMobil, Prio, BP, CNOOC, Eneva, PetroRecôncavo e Origem Energia.

Assim como ocorre no regime de partilha, a habilitação não representa participação obrigatória. Cada companhia poderá decidir quais áreas considera estratégicas e economicamente interessantes.

Cinco áreas possuem acumulações marginais

O leilão também inclui cinco áreas classificadas como acumulações marginais. São locais onde já existem informações sobre a ocorrência de petróleo ou gás, mas cuja produção apresenta menor escala ou menor atratividade econômica em comparação com grandes campos produtores.

As cinco áreas estão distribuídas pelas bacias Potiguar e Tucano Sul.

Na Bacia Potiguar, será oferecida a área Graúna, com bônus mínimo de R$ 189 mil.

Na Bacia de Tucano Sul estão Lagoa Branca e Sempre Viva, cada uma com bônus mínimo de R$ 63 mil. Também fazem parte do ciclo Curral de Fora, com bônus de R$ 42 mil, e Subaúma Mirim, igualmente com valor mínimo de R$ 42 mil.

Somados, os bônus mínimos das cinco áreas chegam a R$ 399 mil.

Com a inclusão dessas acumulações marginais, o valor mínimo previsto para o ciclo de concessão chega a aproximadamente R$ 951,039 milhões, considerando os 308 blocos exploratórios e as cinco áreas adicionais.

Disputa movimenta setor estratégico da economia

Os leilões realizados pela ANP têm importância que vai além dos valores pagos pelas empresas vencedoras.

A exploração de petróleo e gás envolve uma extensa cadeia produtiva. Desde a fase de estudos geológicos e pesquisas até a perfuração de poços, instalação de equipamentos, transporte, processamento e comercialização, diferentes setores da economia são envolvidos.

A entrada de novos projetos também pode representar oportunidades para fornecedores de equipamentos e serviços especializados, além de gerar demanda por profissionais qualificados.

Ao mesmo tempo, a exploração de recursos naturais exige planejamento e cumprimento de regras ambientais e regulatórias. A própria retirada de cinco áreas da Bacia do Parnaíba antes do leilão demonstra como critérios técnicos e socioambientais fazem parte do processo de seleção das áreas que podem ser ofertadas.

Outro ponto importante é que o pagamento do bônus de assinatura não significa que a produção de petróleo ou gás esteja garantida. As empresas assumem riscos durante a fase exploratória e somente poderão avançar para projetos de produção caso sejam identificadas reservas economicamente viáveis e sejam cumpridas todas as exigências previstas na legislação.

Dessa forma, os R$ 2,186 bilhões em bônus mínimos representam uma referência para a disputa, e não uma receita automática.

Ao colocar 326 áreas em disputa, a ANP abre uma nova rodada de oportunidades para empresas interessadas no potencial energético brasileiro. A expectativa do setor está concentrada tanto nos resultados financeiros dos leilões quanto na capacidade dessas áreas de atrair investimentos de longo prazo.

Os dois ciclos desta quarta-feira representam mais uma etapa da política de oferta de áreas para exploração e produção de petróleo e gás no país. Com blocos em regiões tradicionais da indústria, como as bacias de Campos e Santos, e oportunidades em outras áreas sedimentares, o processo reforça a diversidade geológica e econômica do território brasileiro.

Agora, o mercado acompanha quais empresas apresentarão propostas, quais áreas despertarão maior interesse e quais projetos poderão, no futuro, transformar os recursos existentes no subsolo em produção efetiva.

Mais do que uma disputa por blocos, os leilões colocam em jogo bilhões de reais em investimentos potenciais e novos capítulos para uma das atividades mais relevantes da economia brasileira.