A morte do macaco-prego Alcebíades, após ser capturado em um condomínio residencial de Salvador, na Bahia, provocou questionamentos sobre as circunstâncias da ocorrência e os cuidados recebidos pelo animal. O caso ganhou repercussão nesta quinta-feira (8 de outubro), quando o ex-deputado estadual Marcell Moraes (PSDB), tutor do primata, anunciou a morte nas redes sociais e cobrou uma investigação detalhada.
Alcebíades havia sido capturado por policiais militares na segunda-feira (5), depois de circular por diferentes residências de um condomínio localizado na Avenida Paralela, na capital baiana. Após a contenção, o animal foi encaminhado ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), administrado pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema).
Segundo informações divulgadas pelo órgão ambiental, o macaco chegou à unidade em estado debilitado e recebeu atendimento veterinário. Apesar dos cuidados, morreu às 18h42 daquele mesmo dia.
A causa da morte ainda não foi determinada. O Inema informou que realizará uma necropsia e poderá solicitar exames complementares para investigar uma possível exposição a substâncias tóxicas. Até a conclusão dos procedimentos, não há confirmação de envenenamento ou de qualquer outra causa específica.
O episódio reúne diferentes pontos que deverão ser esclarecidos pelas autoridades, desde as condições em que o animal circulou pelo condomínio até o atendimento recebido após a captura.
Ex-deputado cobra investigação independente
Após anunciar a morte de Alcebíades, Marcell Moraes publicou uma manifestação na qual questionou o que aconteceu com o animal desde o momento em que entrou nas residências dos vizinhos até sua permanência no centro de triagem.
O ex-deputado afirmou que o macaco teria saído de sua residência saudável e foi levado pela polícia depois de entrar em imóveis do condomínio Alphaville 2. Diante da morte, ele cobrou a realização de uma perícia séria e independente.
Na publicação, Marcell também levantou a suspeita de envenenamento e defendeu que todas as etapas da ocorrência sejam investigadas, incluindo o contato com moradores, a ação policial e os cuidados prestados pelo Cetas e pelo Inema.
A suspeita apresentada pelo tutor, no entanto, ainda não foi comprovada. A confirmação ou o afastamento dessa hipótese dependerá dos resultados dos exames técnicos e da apuração das circunstâncias do caso.
A investigação deverá considerar as informações disponíveis sobre o estado de saúde do animal antes da captura, os sinais clínicos identificados na chegada à unidade ambiental e os resultados dos procedimentos veterinários.
Até o momento, não há conclusão que permita atribuir a morte a uma ação específica ou confirmar responsabilidade individual pelo ocorrido.
Inema relata quadro clínico grave na chegada ao Cetas
Em informações divulgadas ao portal Metrópoles, o Inema afirmou que Alcebíades chegou ao Centro de Triagem de Animais Silvestres na noite de segunda-feira (5), apresentando um quadro considerado debilitado.
De acordo com o órgão, o animal estava desacordado, com temperatura corporal de 42°C e frequência cardíaca superior a 170 batimentos por minuto. Também apresentava ferimentos na face e na língua, salivação intensa e movimentos involuntários.
Diante desses sinais, a equipe veterinária considerou a possibilidade de exposição a algum agente tóxico. O instituto, entretanto, ressaltou que os sintomas observados não são suficientes, por si só, para confirmar uma intoxicação.
Relatos relacionados à ocorrência indicaram que o macaco poderia ter ingerido bebida alcoólica, álcool 70% e medicamentos enquanto circulava pelo condomínio. Segundo o Inema, não foi possível confirmar se houve ingestão dessas substâncias, nem identificar quais produtos ou quantidades poderiam estar envolvidos.
A diferença entre uma suspeita e uma conclusão técnica é fundamental neste caso. Sinais como alteração da temperatura corporal, salivação excessiva e movimentos involuntários podem exigir investigação clínica, mas não permitem estabelecer isoladamente a causa de um óbito.
Por isso, a necropsia e eventuais exames complementares poderão contribuir para esclarecer o que ocorreu e verificar se há indícios de intoxicação ou de outras condições capazes de explicar a morte.
Órgão ambiental também avaliará a conduta do tutor
Além de investigar as circunstâncias da morte, o Inema informou que pretende apurar as condições relacionadas aos cuidados com o animal silvestre e verificar uma eventual ocorrência de negligência por parte do tutor.
Em nota, o instituto declarou que irá avaliar a situação e analisar a adoção das medidas administrativas cabíveis, conforme os resultados da apuração.
Essa análise deverá considerar as circunstâncias em que o macaco era mantido, as condições de segurança e os acontecimentos que antecederam a captura. Até que haja uma conclusão, não é possível afirmar que tenha ocorrido negligência ou estabelecer eventual responsabilidade administrativa.
O fato de o animal pertencer a uma pessoa conhecida publicamente também não altera a necessidade de que os procedimentos sejam conduzidos com base em evidências técnicas e nos critérios legais aplicáveis.
A apuração deverá esclarecer os diferentes aspectos do episódio sem antecipar conclusões antes da análise dos documentos, dos relatos e dos resultados periciais.
Captura mobilizou policiais por mais de três horas
A ocorrência que terminou com a captura de Alcebíades mobilizou uma equipe da Companhia de Policiamento e Proteção Ambiental (Coppa), da Polícia Militar da Bahia, por mais de três horas.
Durante o episódio, o macaco-prego circulou pelo condomínio e entrou em diferentes residências, provocando momentos de tensão entre moradores e funcionários.
Segundo os relatos divulgados sobre o caso, o animal quebrou um box de vidro e entrou em um quarto onde estava um bebê de apenas cinco dias de vida. A situação aumentou a preocupação dos moradores com a circulação do primata dentro dos imóveis.
Além disso, pessoas que tiveram contato com o animal sofreram ferimentos. Um policial militar que participou da operação foi mordido e precisou receber atendimento em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA).
Outros três moradores e um segurança também ficaram feridos e foram encaminhados à Delegacia de Itapuã para registrar a ocorrência.
A presença do macaco em diferentes residências exigiu uma atuação cuidadosa para possibilitar sua contenção. Após a captura, ele foi levado ao Cetas para avaliação e atendimento veterinário.
Embora o comportamento do animal durante o episódio tenha provocado riscos e transtornos, as circunstâncias que levaram à sua circulação pelo condomínio e seu estado de saúde deverão ser analisados separadamente da investigação sobre a causa da morte.
Caso levanta debate sobre animais silvestres em áreas residenciais
A morte de Alcebíades também chama atenção para os desafios relacionados à manutenção de animais silvestres e à segurança em áreas residenciais.
Macacos-prego são primatas silvestres que apresentam comportamento exploratório, agilidade e capacidade de manipular objetos. Quando circulam em ambientes urbanos ou entram em contato próximo com pessoas, podem ocorrer situações de risco tanto para os moradores quanto para os próprios animais.
Situações envolvendo mordidas, ingestão de substâncias inadequadas e exposição a objetos perigosos exigem cuidados específicos e atendimento especializado. Bebidas alcoólicas, medicamentos e produtos de limpeza, por exemplo, podem representar riscos graves para animais quando ingeridos.
Por isso, a manutenção de animais silvestres deve observar as exigências legais e as condições adequadas de bem-estar, segurança e acompanhamento. A regularização da posse, quando autorizada, não elimina a necessidade de prevenir fugas e situações que possam colocar pessoas ou animais em perigo.
No caso de Alcebíades, informações divulgadas sobre a ocorrência apontam que ele pertencia a Marcell Moraes e era mantido de forma legalizada. Também houve relatos de ocorrências anteriores envolvendo o animal, circunstância que poderá ser considerada na análise das condições em que era mantido.
Necropsia deverá esclarecer as circunstâncias da morte
A principal questão ainda sem resposta é o que provocou a morte de Alcebíades. O Inema informou que realizará a necropsia e, caso necessário, exames adicionais para investigar uma eventual exposição a substâncias tóxicas.
Os resultados poderão ajudar a esclarecer se houve intoxicação e se outros fatores contribuíram para o quadro clínico apresentado pelo animal.
Enquanto as análises não forem concluídas, a hipótese de envenenamento levantada pelo tutor deve ser tratada como uma suspeita, e não como um fato comprovado.
O caso segue cercado de questionamentos e envolve a necessidade de esclarecer tanto a condição do animal antes da captura quanto a assistência prestada após sua chegada ao centro de triagem.
A expectativa é que os procedimentos técnicos permitam reconstruir os acontecimentos e oferecer respostas ao tutor, aos moradores e à sociedade. Até a conclusão da investigação, a causa da morte de Alcebíades permanece indeterminada.














