O custo médio da construção civil na Paraíba chegou a R$ 1.928,77 por metro quadrado em setembro de 2026, colocando o estado na segunda posição entre os mais caros do Nordeste. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio do Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi).
Mesmo ocupando uma posição elevada no ranking regional, a Paraíba apresentou uma variação mensal de apenas 0,12% em comparação com agosto. O resultado ficou abaixo da média nacional, de 0,30%, e da média do Nordeste, que alcançou 0,32%.
O levantamento revela um cenário de contrastes para o setor da construção civil paraibano. Enquanto o custo por metro quadrado permanece entre os mais altos da região, o ritmo de crescimento dos preços está relativamente controlado quando comparado ao observado em outros estados brasileiros.
Na prática, os números são importantes para quem pretende construir, reformar ou investir em imóveis, já que o preço dos materiais e os custos relacionados à execução das obras influenciam diretamente o orçamento das famílias, das empresas e dos empreendedores do setor imobiliário.
Paraíba fica atrás apenas do Maranhão no Nordeste
Com o valor de R$ 1.928,77 por metro quadrado, a Paraíba ficou atrás somente do Maranhão, onde o custo médio chegou a R$ 1.974,63 em setembro.
Apesar da posição no ranking regional, o estado paraibano permaneceu abaixo da média brasileira, calculada em R$ 1.999,73. Por outro lado, o custo local superou a média nordestina, de R$ 1.877,26.
A diferença demonstra que construir na Paraíba pode exigir um investimento superior ao observado em parte dos estados vizinhos, embora o custo médio ainda esteja abaixo do registrado no conjunto do país.
É importante destacar que o indicador do IBGE representa uma média e não determina, necessariamente, quanto cada obra vai custar. O orçamento final depende de fatores como o município, o padrão do imóvel, o tipo de acabamento, a disponibilidade de materiais, as características do terreno e a contratação de profissionais.
Uma construção residencial simples, por exemplo, pode apresentar despesas diferentes das de um imóvel de padrão elevado. Por isso, o valor por metro quadrado funciona como uma referência para acompanhar a evolução dos custos, mas não substitui um orçamento elaborado de acordo com as características de cada projeto.
Materiais de construção puxaram a alta em setembro
O aumento registrado na Paraíba entre agosto e setembro foi impulsionado principalmente pelos materiais de construção. De acordo com o levantamento, o custo desse componente passou de R$ 1.107,23 para R$ 1.109,60 por metro quadrado no período.
A diferença representa um acréscimo de R$ 2,37 por metro quadrado nos materiais.
Já o componente relacionado à mão de obra permaneceu estável, em R$ 819,17 por metro quadrado, repetindo o valor registrado nos meses anteriores.
Essa estabilidade ajudou a limitar a variação mensal do indicador, uma vez que a elevação ficou concentrada no custo dos insumos utilizados nas obras.
Para quem está construindo ou planejando iniciar um projeto, acompanhar os preços dos materiais pode fazer diferença na organização financeira. Produtos como cimento, areia, brita, tijolos, revestimentos, tintas e componentes elétricos e hidráulicos fazem parte do orçamento e podem representar parcelas significativas do investimento.
Quando esses itens apresentam aumentos, o consumidor pode precisar rever as quantidades previstas, renegociar compras ou reorganizar o cronograma da obra. Por esse motivo, especialistas do setor costumam recomendar planejamento antecipado e pesquisa de preços antes da aquisição dos materiais.
Acumulado de 2026 registra uma das menores altas do país
Outro dado que chama a atenção no levantamento do IBGE é o comportamento dos custos da construção civil paraibana ao longo de 2026.
Entre janeiro e setembro, o estado acumulou alta de 4,54%, a quarta menor variação entre as unidades da Federação. O resultado ficou atrás apenas dos registrados em Minas Gerais, com 3,01%; Roraima, com 3,57%; e Pará, com 4,49%.
Na outra ponta, os maiores aumentos do período foram observados em Goiás, com 9,09%; Acre, com 8,81%; e Maranhão, com 7,91%.
A variação acumulada na Paraíba ficou abaixo da média nacional, de 5,72%, e também foi a menor entre os estados nordestinos. Na região, a média chegou a 6,87%.
Os números indicam que, embora a Paraíba tenha um dos custos médios por metro quadrado mais elevados do Nordeste, a evolução dos preços ao longo dos primeiros nove meses do ano ocorreu em ritmo inferior ao registrado na maior parte do país.
Essa diferença é relevante porque o custo atual e a velocidade de crescimento dos preços são indicadores distintos. Um estado pode apresentar um valor médio elevado e, ao mesmo tempo, registrar uma variação relativamente pequena durante determinado período.
Alta em 12 meses também fica abaixo das médias nacional e regional
Considerando os 12 meses encerrados em setembro de 2026, o custo médio da construção civil na Paraíba acumulou aumento de 6,10%.
O percentual ficou abaixo da média brasileira, de 6,81%, e da média do Nordeste, que alcançou 7,62%.
Entre os estados brasileiros, as menores variações no período foram registradas no Rio Grande do Sul, com 4,82%; em Roraima, com 5,68%; e no Rio de Janeiro, com 5,77%.
Já os maiores aumentos ocorreram em Goiás, com 10,14%; Acre, com 9,02%; e Maranhão, com 8,97%.
O desempenho paraibano reforça a tendência observada no acumulado do ano: o custo médio permanece elevado em comparação com boa parte da região, mas a inflação específica da construção civil no estado está abaixo das médias nacional e nordestina.
Isso não significa, porém, que todos os consumidores estejam sentindo os mesmos efeitos. As despesas de uma obra dependem das condições de compra, da região onde ela é realizada e dos materiais e serviços escolhidos.
Indicadores ajudam no planejamento de obras e investimentos
O Índice Nacional da Construção Civil é uma referência importante para acompanhar a evolução dos custos do setor no Brasil. Ao reunir informações sobre materiais e mão de obra, o Sinapi permite observar as mudanças nos preços e comparar o comportamento dos gastos entre estados e regiões.
Para as famílias que pretendem construir a casa própria, os dados ajudam a compreender o cenário econômico e a importância de planejar cada etapa do projeto. Para empresas e profissionais da construção, o indicador também contribui para avaliar tendências e acompanhar as variações dos custos.
A recomendação para quem pretende iniciar uma obra é elaborar um orçamento detalhado, pesquisar fornecedores, comparar preços e reservar uma margem financeira para despesas imprevistas. Também é importante evitar decisões baseadas exclusivamente na média estadual, já que os custos podem variar de um município para outro.
Os números de setembro mostram que a Paraíba mantém o segundo maior custo médio por metro quadrado do Nordeste, atrás apenas do Maranhão. Ao mesmo tempo, o estado registra uma das menores altas acumuladas do país em 2026.
O cenário evidencia um desafio para quem deseja construir ou reformar: lidar com um custo médio relativamente elevado, mas acompanhar de perto as variações dos preços para aproveitar oportunidades de compra e organizar melhor o orçamento.
Com a divulgação dos próximos resultados do Sinapi, será possível verificar se o ritmo mais moderado de crescimento observado na Paraíba continuará nos últimos meses de 2026 e como essa trajetória poderá influenciar o planejamento de novas obras no estado.













