A Polícia Civil do Rio de Janeiro iniciou, nesta segunda-feira (19), uma operação para prender o homem suspeito de atirar três vezes contra a arqueóloga e professora aposentada Tania Andrade Lima, de 80 anos, durante um assalto no Leblon, na Zona Sul da capital fluminense. A ação ocorre no Morro da Coroa, localizado no Catumbi, região central da cidade, e faz parte das investigações para esclarecer o crime que provocou indignação e reacendeu o debate sobre a segurança pública no Rio de Janeiro.

O investigado foi identificado como James Dean Chagas Lindoso, conhecido como Dean. A operação é coordenada pela 14ª Delegacia de Polícia (Leblon), com apoio da Direção-Geral de Polícia Civil (DGPC) e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core). Durante as diligências, houve relatos de disparos de arma de fogo na região.

O crime aconteceu na quinta-feira (15), na Avenida General Venâncio Flores, uma das vias do Leblon. De acordo com as informações reunidas pela investigação, Tania havia acabado de sacar dinheiro em uma agência bancária quando foi abordada por criminosos. Durante a ação, ela reagiu à tentativa de roubo e acabou atingida por três disparos.

A violência empregada pelos assaltantes, somada à idade da vítima e à relevância de sua trajetória acadêmica, ampliou a repercussão do caso. Agora, os investigadores trabalham para localizar o suspeito, identificar possíveis comparsas e verificar se o grupo tem participação em outros crimes praticados na Zona Sul do Rio.

Operação busca localizar suspeito no Morro da Coroa

A mobilização policial desta segunda-feira tem como um dos principais objetivos cumprir as medidas necessárias para prender o homem apontado como responsável pelos disparos contra a arqueóloga.

Segundo a Polícia Civil, o investigado também é suspeito de integrar um grupo criminoso especializado em roubos na Zona Sul. Essa linha de investigação poderá ajudar a esclarecer se o ataque contra Tania foi uma ação isolada ou se está relacionado a uma prática criminosa mais ampla.

Durante as diligências no Morro da Coroa, os agentes foram a um endereço associado a James Dean Chagas Lindoso. No local, encontraram familiares do investigado e apreenderam telefones celulares e outros objetos que podem contribuir para a apuração.

O material recolhido será submetido à análise policial. Os dispositivos eletrônicos poderão fornecer informações relevantes para reconstruir os acontecimentos, identificar contatos e verificar possíveis conexões com outros suspeitos. Entretanto, qualquer conclusão dependerá do resultado das perícias e das demais provas reunidas ao longo da investigação.

A Polícia Civil continua trabalhando para identificar todos os envolvidos no assalto. A apuração também busca esclarecer se os suspeitos participaram de outros roubos na região e se havia planejamento prévio para abordar a vítima.

Até a conclusão das investigações, as informações sobre a participação de cada pessoa devem ser tratadas como suspeitas, respeitando o direito à defesa e a presunção de inocência.

Câmeras registraram a violência do assalto

Imagens de câmeras de segurança tiveram papel importante na reconstrução do crime. As gravações mostram um homem usando boné preto correndo em direção a Tania, puxando sua bolsa e segurando seu braço até derrubá-la.

A arqueóloga reagiu à abordagem, momento em que o assaltante efetuou três disparos contra ela. Em seguida, o homem fugiu na garupa de uma motocicleta que o aguardava na rua.

O registro das imagens evidencia a rapidez da ação e a violência utilizada pelo criminoso. A sequência também fornece elementos que podem auxiliar os investigadores na identificação dos envolvidos e no esclarecimento da rota de fuga.

A análise de imagens de diferentes câmeras é uma ferramenta importante em investigações desse tipo. Os registros podem ajudar a estabelecer horários, trajetos, características dos veículos e possíveis conexões entre os participantes do crime.

No caso de Tania, as gravações também permitiram acompanhar parte dos acontecimentos posteriores ao ataque, contribuindo para a reconstrução dos deslocamentos realizados pelos suspeitos.

Suspeita de que a vítima tenha sido seguida após saque bancário

O sobrinho da arqueóloga, Antonio Rocha, levantou a possibilidade de que a tia tenha sido acompanhada desde a agência bancária onde realizou o saque. Segundo ele, Tania havia retirado uma quantia considerável, embora o valor não tenha sido divulgado publicamente.

Antonio suspeita que a vítima possa ter sido alvo da chamada “saidinha de banco”, modalidade criminosa em que pessoas são observadas após movimentações financeiras e abordadas durante o deslocamento.

“Provavelmente, alguém deu a dica lá, que ela sacou um valor considerável, e aí seguiram ela e pegaram a bolsa”, afirmou o sobrinho.

A hipótese deverá ser apurada pelas autoridades. Até o momento, as informações apresentadas pela família representam uma suspeita sobre a dinâmica do crime, e não uma confirmação de que houve vazamento de informações dentro da agência bancária.

Para esclarecer essa possibilidade, os investigadores poderão analisar imagens do entorno do banco, verificar o percurso realizado pela vítima e buscar elementos que indiquem se os suspeitos já a acompanhavam antes da abordagem.

A eventual confirmação de que a vítima foi monitorada após o saque poderá contribuir para identificar como o crime foi planejado e se outras pessoas participaram da ação.

Fuga teve perseguição, colisão e roubo de outra motocicleta

Após os disparos, os criminosos iniciaram uma fuga que também foi registrada por câmeras de segurança. Segundo as informações divulgadas sobre o caso, um carro entrou na contramão atrás dos suspeitos, e outras gravações mostraram a motocicleta em deslocamento acompanhada pelo veículo.

Uma das imagens registrou um objeto caindo da moto durante o trajeto. A sequência de acontecimentos passou a integrar o conjunto de informações analisadas pelos investigadores.

A Polícia Militar chegou a montar barreiras nas entradas e saídas do Túnel Rebouças, uma das principais ligações viárias da cidade. Mesmo com a mobilização, os suspeitos conseguiram escapar naquele momento.

Já na saída do túnel, na região do Elevado Paulo de Frontin, os criminosos colidiram com um carro, roubaram outra motocicleta e deram continuidade à fuga.

A Polícia Civil recuperou a motocicleta utilizada no assalto e dois telefones celulares. Esses materiais poderão auxiliar na identificação dos envolvidos e na reconstituição dos deslocamentos realizados após o ataque.

A sequência da fuga demonstra a complexidade do trabalho policial para localizar os suspeitos e reunir provas que permitam esclarecer todas as etapas do crime.

Arqueóloga tem trajetória reconhecida nacional e internacionalmente

Além da violência do ataque, o caso ganhou repercussão pela importância da trajetória profissional de Tania Andrade Lima. Pesquisadora sênior do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), ela é professora aposentada do Departamento de Antropologia do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Ao longo de sua carreira, Tania contribuiu para pesquisas fundamentais sobre a história e o patrimônio cultural brasileiro. Entre os trabalhos associados à sua trajetória está a descoberta arqueológica do Cais do Valongo, em 2011, durante as obras de revitalização da Zona Portuária do Rio de Janeiro.

O local possui enorme relevância histórica por ter sido um dos principais pontos de desembarque de africanos escravizados nas Américas. Sua identificação e valorização contribuíram para ampliar o reconhecimento público de uma parte dolorosa da história brasileira e para fortalecer iniciativas de preservação da memória da escravidão.

Em 2023, Tania recebeu o prêmio internacional Hypatia Award, tornando-se a segunda brasileira a conquistar a premiação, conforme as informações divulgadas sobre sua carreira.

O reconhecimento de seu trabalho evidencia a importância de sua contribuição para a arqueologia e para a pesquisa científica. A violência sofrida pela pesquisadora provocou preocupação não apenas entre familiares e amigos, mas também entre pessoas ligadas à universidade, à ciência e à preservação do patrimônio histórico.

Estado de saúde e investigação seguem no centro das atenções

Após o ataque, Tania foi socorrida e levada ao Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea. Posteriormente, foi transferida para uma unidade hospitalar particular.

A vítima sofreu ferimentos no pescoço, no ombro e na mão. De acordo com o sobrinho, um dos projéteis ficou alojado na região do pescoço, próximo à coluna, o que aumenta a preocupação com a gravidade das lesões.

As informações disponíveis não detalham uma atualização clínica completa sobre o estado de saúde da pesquisadora. Por isso, novos dados sobre sua recuperação dependem de comunicados da família ou das unidades responsáveis pelo atendimento.

Enquanto isso, a Polícia Civil continua as diligências para localizar o suspeito e esclarecer a participação de possíveis comparsas.

O caso reforça a necessidade de investigação rigorosa diante de crimes violentos, especialmente quando há suspeita de que a vítima tenha sido acompanhada após uma movimentação bancária. A expectativa é que as provas reunidas permitam identificar os responsáveis e esclarecer as circunstâncias do ataque.

A operação desta segunda-feira representa mais uma etapa na busca por respostas para um crime que atingiu uma pesquisadora reconhecida e provocou indignação pela brutalidade da ação.