A ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) voltou ao centro do debate político neste domingo (25/10), durante o segundo turno das eleições presidenciais brasileiras de 2026. Em Milão, na Itália, a ex-parlamentar esteve em um local de votação, onde se encontrou com apoiadores do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República. Na ocasião, ela afirmou que pretende aguardar o resultado da eleição e condicionou seu retorno ao Brasil à vitória do aliado e à possibilidade de aprovação de uma anistia.

A declaração ocorre em meio à situação judicial enfrentada por Zambelli, que deixou o Brasil em junho de 2025, após ser condenada a 10 anos e 8 meses de prisão por envolvimento na invasão hacker ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Desde então, a ex-deputada permanece na Itália, onde responde em liberdade enquanto aguarda o andamento de um novo pedido de extradição.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, Zambelli afirmou que já havia conversado com Flávio Bolsonaro, mas evitou fornecer detalhes sobre o conteúdo da conversa.

“A gente [Zambelli e Flávio] já conversou, mas eu prefiro não comentar agora. Vou esperar ele chegar ao poder. Com certeza ele vai vencer hoje e aí, quando ele estiver lá, eu me manifesto”, declarou.

A fala foi interpretada como uma indicação de que a ex-parlamentar pretende aguardar o desfecho da disputa presidencial antes de se posicionar publicamente sobre os próximos passos de sua situação política e jurídica.

Ex-deputada defende anistia e aguarda desdobramentos judiciais

Ao mencionar a possibilidade de anistia, Carla Zambelli colocou novamente em evidência os processos que enfrenta na Justiça brasileira. A medida defendida por ela poderia ter repercussões sobre sua situação, dependendo do alcance de eventual legislação e de sua aplicação aos casos concretos.

A anistia, no contexto político e jurídico, consiste em uma medida legal que pode extinguir determinadas consequências penais relacionadas a condutas abrangidas por uma norma específica. Sua aprovação depende dos procedimentos previstos na legislação brasileira, e seus efeitos não podem ser presumidos antes da definição do conteúdo e do alcance de uma eventual medida.

No caso de Zambelli, a situação é particularmente delicada porque envolve uma condenação criminal e procedimentos judiciais que seguem seus próprios trâmites. Uma declaração política favorável à anistia, por si só, não modifica automaticamente decisões judiciais nem suspende procedimentos de extradição.

A ex-deputada foi condenada a 10 anos e 8 meses de prisão por sua participação na invasão hacker ao sistema do CNJ. O caso se tornou um dos episódios de maior repercussão envolvendo a atuação de agentes políticos e ataques a sistemas ligados às instituições brasileiras.

Após deixar o território nacional, Zambelli passou a ser procurada pelas autoridades brasileiras. Seu nome foi incluído na lista de procurados da Interpol, e ela acabou presa em Roma, na Itália.

Posteriormente, a ex-parlamentar foi colocada em liberdade depois que a Justiça italiana anulou o procedimento de extradição então analisado. A decisão, entretanto, não significou o encerramento definitivo das questões judiciais relacionadas ao caso.

Conforme as informações divulgadas, Zambelli aguarda a conclusão de um segundo pedido de extradição, novamente apresentado no âmbito das medidas determinadas pelas autoridades brasileiras.

Retorno ao Brasil depende de questões políticas e jurídicas

A declaração de Carla Zambelli sobre seu possível retorno ao Brasil relaciona dois fatores: o resultado da eleição presidencial e a expectativa de uma eventual anistia. Ao afirmar que prefere esperar Flávio Bolsonaro chegar ao poder, a ex-deputada indicou que considera o cenário político um elemento importante para seus próximos movimentos.

Entretanto, o retorno ao país também envolve procedimentos judiciais e decisões das autoridades competentes. A eventual vitória de um candidato à Presidência não representa, automaticamente, o cancelamento de uma condenação ou a interrupção de um pedido de extradição.

Os processos de cooperação jurídica internacional seguem regras próprias, que envolvem as autoridades dos países participantes e a análise dos requisitos legais aplicáveis. No caso de Zambelli, a tramitação do pedido de extradição depende das decisões tomadas pelas instâncias responsáveis, dentro dos limites da legislação pertinente.

A situação também demonstra como disputas políticas podem se cruzar com processos judiciais de grande repercussão. Ainda assim, a análise jurídica deve permanecer separada das declarações feitas por candidatos, aliados e integrantes de partidos políticos.

Uma eventual medida de anistia precisaria ser examinada conforme seu texto, seus beneficiários e sua compatibilidade com as normas aplicáveis. Até que haja uma decisão concreta, não é possível afirmar que a ex-deputada será beneficiada ou que poderá retornar ao Brasil sem enfrentar os procedimentos judiciais em andamento.

Zambelli mobiliza apoiadores em Milão

Mesmo sem estar habilitada a votar naquela localidade, Carla Zambelli compareceu a um ponto de votação em Milão e se reuniu com militantes favoráveis a Flávio Bolsonaro. Segundo as informações divulgadas, ela não transferiu seu título eleitoral a tempo de participar da votação na Itália.

A presença da ex-deputada chamou a atenção de brasileiros que estavam no local para acompanhar o segundo turno. Nas redes sociais, Zambelli também publicou um vídeo ao lado de dois apoiadores que aguardavam na fila de uma seção eleitoral.

Na gravação, ela declarou apoio ao candidato do PL e apresentou a eleição como uma oportunidade de mudança para o Brasil. A ex-parlamentar utilizou referências à esperança, à fé e ao futuro do país para justificar seu posicionamento político.

“Nossa primeira pátria, porque a gente tá na nossa segunda pátria. E votamos, claro. Pela esperança, pela oportunidade, pela virada do nosso país. Porque Deus é poderoso e vai fazer grandes coisas no nosso Brasil”, afirmou.

A manifestação reforçou sua proximidade política com o grupo ligado à família Bolsonaro. Mesmo vivendo no exterior, Zambelli continua participando do debate político brasileiro e utilizando suas redes sociais para expressar posicionamentos e manter contato com apoiadores.

A atuação pública da ex-deputada, no entanto, ocorre em um momento no qual sua situação judicial permanece sem uma solução definitiva.

Presença provoca reações entre brasileiros na Itália

A participação de Carla Zambelli no ambiente de votação provocou reações distintas entre brasileiros que vivem na Itália. Enquanto alguns manifestaram apoio à ex-deputada e ao candidato do PL, outros demonstraram oposição à presença dela.

De acordo com os relatos divulgados, houve elogios e xingamentos, além de manifestações de eleitores favoráveis ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que gritavam o nome do candidato durante a movimentação.

O episódio ilustra a polarização política que marcou a disputa presidencial brasileira e que também se manifesta entre comunidades de brasileiros residentes no exterior.

A eleição mobiliza cidadãos que, mesmo vivendo longe do país, continuam acompanhando os acontecimentos políticos e demonstrando suas preferências. Em situações como essa, locais de votação podem se transformar em espaços de manifestações espontâneas, desde que sejam respeitadas as regras eleitorais e a segurança dos presentes.

A presença de figuras políticas conhecidas tende a ampliar a repercussão desses episódios, sobretudo quando elas estão envolvidas em processos judiciais ou em controvérsias de grande visibilidade pública.

Caso segue sob atenção política e judicial

A situação de Carla Zambelli permanece vinculada a dois cenários que podem influenciar seus próximos passos: o resultado da eleição presidencial e a evolução dos procedimentos judiciais relacionados à condenação e à extradição.

Ao condicionar seu retorno ao Brasil à vitória de Flávio Bolsonaro e à possibilidade de anistia, a ex-deputada tornou pública sua expectativa política. No entanto, a concretização de qualquer mudança dependerá de decisões efetivas e dos mecanismos legais aplicáveis.

O caso continua despertando atenção porque envolve uma ex-representante eleita, uma condenação criminal, a atuação de autoridades brasileiras e italianas e o debate sobre os limites entre decisões políticas e processos judiciais.

Enquanto aguarda os próximos desdobramentos, Zambelli permanece na Itália, em liberdade, conforme as informações divulgadas, e acompanha o cenário eleitoral brasileiro.

O episódio reforça que declarações de apoio e expectativas políticas não substituem decisões judiciais. O futuro da ex-deputada dependerá do andamento dos procedimentos em curso e de eventuais medidas legais que possam ser adotadas pelas autoridades competentes.