Um brasileiro de 40 anos conquistou um lugar de destaque na política dos Estados Unidos ao ser eleito deputado estadual pela Flórida. Felipe Sousa-Lazaballet, nascido em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, venceu a disputa pelo Partido Democrata nas eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, realizadas na terça-feira (3 de novembro de 2026).
Com o resultado, Felipe se tornou o primeiro brasileiro eleito para ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa da Flórida. A conquista também representa um marco na representatividade política do estado, já que ele será o primeiro imigrante abertamente gay a integrar a legislatura estadual e o primeiro ex-beneficiário do programa federal DACA a conquistar uma vaga nesse Poder Legislativo.
A vitória tem um significado especial não apenas para a comunidade brasileira que vive nos Estados Unidos, mas também para pessoas que enfrentaram dificuldades migratórias e buscaram oportunidades em outro país. A história de Felipe é marcada por mudanças, desafios e participação em movimentos sociais, experiências que contribuíram para aproximá-lo da política.
O brasileiro disputou o Distrito 42, na região metropolitana de Orlando, e venceu a candidata republicana Bonnie Jackson. A eleição representa a chegada de um representante com experiência pessoal na imigração e atuação em organizações voltadas à defesa dos direitos humanos e da inclusão social.
Da Baixada Fluminense ao cenário político americano
A história de Felipe Sousa-Lazaballet começou em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro. Filho de uma mãe solo, que trabalhava como empregada doméstica e é natural do Ceará, ele cresceu em uma realidade marcada por desafios econômicos e pela busca por melhores condições de vida.
Ainda adolescente, aos 14 anos, mudou-se para os Estados Unidos. A chegada a um novo país representou o início de uma longa jornada de adaptação, dificuldades e tentativas de construir um futuro diferente.
Durante aproximadamente 15 anos, Felipe viveu em situação migratória irregular nos Estados Unidos. Nesse período, precisou enfrentar limitações relacionadas à documentação e às oportunidades de trabalho, uma realidade que afeta milhares de imigrantes que chegam ao território americano em busca de melhores condições de vida.
Em entrevista ao g1, ele relembrou a chegada ao país e destacou o significado daquela mudança em sua trajetória.
“Cheguei nos EUA com 14 anos, literalmente com uma mala, um coração cheio de sonhos e nada mais”, afirmou.
A declaração resume parte da experiência de quem deixa o país de origem ainda jovem, muitas vezes sem conhecer completamente os desafios que encontrará pela frente.
Felipe também explicou que suas próprias dificuldades foram determinantes para despertar o interesse pela política e pela participação em iniciativas de transformação social.
Segundo ele, a experiência como imigrante permitiu compreender de perto os obstáculos enfrentados por pessoas que precisam lutar por oportunidades e reconhecimento em uma sociedade diferente daquela em que nasceram.
Programa DACA marcou sua trajetória migratória
Um dos momentos importantes da vida de Felipe foi o acesso ao DACA, sigla em inglês para Ação Diferida para Chegadas na Infância.
O programa foi criado em 2012, durante o governo do então presidente Barack Obama, com o objetivo de oferecer proteção temporária contra a deportação a determinados imigrantes que chegaram aos Estados Unidos ainda crianças e atendiam aos requisitos estabelecidos pelo governo americano.
Além da proteção temporária, os beneficiários elegíveis poderiam receber autorização para trabalhar legalmente no país.
Felipe chegou aos Estados Unidos aos 14 anos e, aos 26, conseguiu obter autorização de trabalho por meio do programa. A possibilidade de trabalhar legalmente representou uma mudança importante em sua vida, permitindo ampliar suas oportunidades profissionais e avançar em seus projetos pessoais.
É importante destacar que o DACA não concede cidadania americana nem residência permanente automaticamente. Trata-se de uma proteção migratória temporária, sujeita às regras e condições do programa.
Posteriormente, Felipe conseguiu avançar no processo de regularização migratória por meio de uma petição familiar, obtendo o green card antes de seu casamento com Luis Sousa-Lazaballet, em 2020.
Em 2021, conquistou a cidadania americana, tornando-se cidadão naturalizado dos Estados Unidos.
A trajetória, que passou por diferentes etapas da imigração, acabou se tornando parte importante de sua identidade pública e de sua atuação em defesa de pessoas que enfrentam dificuldades semelhantes.















