Mesmo ativa na academia antes do diagnóstico, mulher manteve a rotina durante o tratamento, o que ajudou na recuperação do câncer
O câncer de ovário é conhecido por evoluir de forma silenciosa e apresentar sinais pouco específicos, o que costuma atrasar o diagnóstico. No caso da gerente comercial de São Paulo, Ana Prado, de 46 anos, os primeiros sintomas foram interpretados como algo simples, ligado à rotina de exercícios.
Ana vivia uma fase ativa e saudável. Havia perdido peso, frequentava a academia diariamente e conciliava o trabalho com atividades físicas. No início de abril de 2024, começou a sentir dores nas costas após os treinos e acreditou que tivesse exagerado em algum exercício. “Imaginei que tivesse feito algo errado na academia”, relembra.
Sem melhora, ela procurou um ortopedista, recebeu o diagnóstico de contusão muscular e iniciou o uso de medicação, mas não teve resposta. Dias depois, durante uma caminhada curta, sentiu muita falta de ar e um cansaço intenso.
“Voltei para casa e fiz uma consulta por telemedicina. A médica me orientou a ir imediatamente ao pronto-socorro, pois tinha 90% de certeza de que eu estava com água no pulmão, algo que só poderia ser confirmado por um raio-X”, conta.
O exame de imagem confirmou a suspeita. Ana estava com derrame pleural- acúmulo de líquido no pulmão. Em uma cirurgia, foram retirados cerca de 3,5 litros. “O médico disse que não entendia como eu tinha suportado aquilo tudo”, recorda. Até aquele momento, não havia suspeita de câncer.
Diagnóstico do câncer de ovário
A resposta veio dias depois, com o resultado do exame do material coletado durante o procedimento. Ao abrir o laudo, ainda a caminho da consulta, ela se deparou com o diagnóstico. “Li carcinoma de ovário e perguntei para o meu marido se aquele nome era ruim. Foi um choque”, conta.
A confirmação surpreendeu até a equipe médica, já que os sintomas iniciais não estavam diretamente ligados à região ginecológica. “Como podem descobrir um tumor no ovário através do pulmão?”, questionou na época.
Segundo a oncologista Débora Dornellas, do Einstein Hospital Israelita, esse tipo de achado é comum. “É uma doença que não tem exame de rastreio e, na maioria das vezes, é diagnosticada em estágio avançado, quando já atingiu outras regiões”, explica.
Ela destaca que os sinais costumam ser inespecíficos. “Dor abdominal, sensação de estufamento e aumento do volume do abdômen podem parecer algo simples, mas precisam ser investigados quando persistem”, afirma.
Tratamento e rotina ativa
Após o diagnóstico, o tratamento começou rapidamente. Em poucas semanas, ela iniciou a quimioterapia. O plano incluiu seis ciclos, intercalados com uma cirurgia para retirada dos ovários, trompas e útero.
Mesmo diante de um processo intenso, ela decidiu manter parte da rotina. Continuou trabalhando em home office e seguiu ativa fisicamente sempre que possível.
“Os dias em que eu mais sentia dor eram justamente quando eu não ia para a academia”, revela.

Ana conta que se manteve ativa durante todo o processo, e que foi essencial para suportar o tratamento
A atividade física teve papel importante ao longo do tratamento. “A dança virou uma espécie de terapia. Mesmo quando eu não conseguia fazer tudo, só de estar ali já me fazia bem”, diz.
De acordo com a oncologista, esse efeito tem base científica. “A atividade física melhora a qualidade de vida, ajuda a reduzir a fadiga e ainda pode diminuir o risco de a doença voltar. Muitas pacientes acham que precisam parar, mas o movimento, dentro do possível, costuma ajudar”, afirma.
Hoje, Ana segue em tratamento de manutenção e retomou grande parte da rotina. A experiência mudou a forma como ela enxerga o próprio corpo. “O corpo fala, e a gente precisa aprender a escutar”, afirma.
A médica reforça que a atenção aos sintomas é fundamental. “Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as chances de um tratamento eficaz”, finaliza.
Metrópoles
