Sanções da Casa Branca levaram empresas aéreas e hotéis a deixar de operar no país. Cuba registrou queda de 58% no número de visitantes.

Um dos principais pilares da economia cubana enfrenta uma das piores crises de sua história. Responsável por cerca de metade do Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2025, o turismo registrou uma queda acentuada no número de visitantes e vem sofrendo os impactos de sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos, além da crescente crise energética enfrentada pela ilha.

Dados oficiais apontam que menos de 360 mil turistas visitaram Cuba nos primeiros meses deste ano, representando uma queda superior a 50% em comparação com o mesmo período do ano anterior. O recuo é considerado um dos mais severos já registrados pelo setor turístico cubano.

Especialistas apontam que a combinação entre sanções econômicas, escassez de combustível, redução de voos internacionais e insegurança de investidores estrangeiros tem provocado um cenário cada vez mais desafiador para o país caribenho.

Companhias aéreas e redes hoteleiras reduzem operações

A crise se intensificou após dificuldades no abastecimento de combustível de aviação, provocando o cancelamento ou a suspensão de diversas rotas internacionais para Cuba. Companhias aéreas de diferentes países interromperam operações na ilha, reduzindo significativamente o fluxo de visitantes estrangeiros.

Ao mesmo tempo, importantes redes hoteleiras internacionais anunciaram a redução de suas atividades no país. A espanhola Meliá, uma das maiores operadoras estrangeiras em Cuba, informou a saída de parte significativa dos hotéis que administrava na ilha. Outras empresas do setor também reduziram ou encerraram suas operações.

A retração afeta diretamente milhares de trabalhadores que dependem do turismo para sustentar suas famílias, além de impactar restaurantes, transportes, pequenos empreendedores e outros setores ligados à atividade turística.

Crise energética agrava situação

Além da queda no turismo, Cuba enfrenta uma grave crise energética. O país necessita de grandes volumes de petróleo para manter sua infraestrutura funcionando, mas enfrenta dificuldades para garantir o abastecimento necessário. A escassez tem provocado apagões frequentes, redução de serviços e dificuldades operacionais em diversos segmentos da economia.

A situação também afeta hotéis, aeroportos e demais estruturas voltadas ao atendimento dos visitantes, contribuindo para a diminuição do interesse de turistas internacionais.

Divergência entre Washington e Havana

O governo do presidente Donald Trump defende o endurecimento das sanções como forma de pressionar mudanças políticas em Cuba. Washington alega que as medidas buscam atingir estruturas ligadas ao governo cubano e combater práticas consideradas antidemocráticas.

Por outro lado, o governo cubano atribui grande parte da crise econômica ao embargo e às restrições impostas pelos Estados Unidos, argumentando que as sanções dificultam o acesso a combustíveis, investimentos, financiamentos e produtos essenciais para a população.

Incerteza sobre o futuro

Com menos turistas, menos investimentos e uma economia pressionada por dificuldades internas e externas, Cuba enfrenta um dos momentos mais delicados das últimas décadas. O turismo, que durante anos foi uma das principais fontes de receita da ilha, ainda não conseguiu retornar aos níveis registrados antes da pandemia e agora sofre novos impactos decorrentes da conjuntura internacional.

Enquanto autoridades cubanas buscam alternativas para reaquecer a economia, trabalhadores do setor turístico e empresários acompanham com preocupação a continuidade da queda no número de visitantes e os efeitos das tensões entre Havana e Washington sobre o futuro da ilha.