A Starbucks está sendo processada nos Estados Unidos por consumidores que acusam a empresa de fazer publicidade enganosa ao apresentar oito bebidas proteicas como “sem açúcar”, embora algumas versões contenham entre 13 e 21 gramas de açúcar. A ação coletiva foi apresentada na sexta-feira (2), em um tribunal federal de Seattle, cidade onde fica a sede da companhia.

De acordo com os consumidores que ingressaram com o processo, a presença de açúcar nas bebidas poderia levar o público a uma interpretação diferente daquela sugerida pela publicidade. A acusação sustenta que as bebidas contêm lactose, um tipo de açúcar naturalmente presente no leite, e que a legislação federal americana estabelece critérios específicos para que um produto possa ser apresentado como “sem açúcar”.

O caso coloca novamente no centro do debate a forma como grandes empresas de alimentos e bebidas utilizam expressões relacionadas à saúde e à composição nutricional de seus produtos. Termos como “sem açúcar”, “zero açúcar” e “sem adição de açúcar” podem ter significados diferentes, especialmente quando analisados à luz das regras de rotulagem.

Consumidores questionam quantidade de açúcar

Segundo a ação apresentada nos Estados Unidos, os consumidores não esperariam encontrar quantidades entre 13 e 21 gramas de açúcar em bebidas anunciadas como “sem açúcar”.

Os valores citados no processo correspondem às versões de 20 ou 24 onças, conhecidas como tamanho Venti nas lojas da Starbucks.

A denúncia afirma que a legislação federal americana não permite que uma bebida seja apresentada como “sem açúcar” quando contém mais de 0,5 grama de açúcar por porção de 12 onças, equivalente a aproximadamente 355 mililitros.

Para os autores da ação, essa diferença seria suficiente para caracterizar uma publicidade que pode induzir o consumidor ao erro.

A alegação não se limita, portanto, à existência de açúcar nas bebidas. O principal ponto da disputa é a maneira como os produtos são apresentados ao público e se as informações utilizadas pela empresa estão de acordo com as exigências estabelecidas pela legislação americana.

O que dizem as informações da Starbucks

As oito bebidas mencionadas no processo fazem parte da linha de produtos proteicos lançada pela Starbucks em setembro de 2025.

Entre elas estão as versões Vanilla Protein Latte, Caramel Protein Latte, Vanilla Protein Matcha e Caramel Protein Matcha. Cada uma dessas opções possui também uma versão gelada, totalizando oito bebidas citadas na ação judicial.

No site da empresa, os produtos são descritos como bebidas “ricas em proteínas” e “sem adição de açúcar”.

Essa expressão é diferente de simplesmente afirmar que um produto é “sem açúcar”.

A diferença entre os dois termos é importante porque um produto pode não receber açúcar adicional durante sua preparação e, ainda assim, apresentar açúcares naturalmente presentes em determinados ingredientes.

No caso das bebidas citadas na ação, os consumidores argumentam que a presença de lactose deveria ser considerada na avaliação da expressão utilizada na publicidade.

Bebidas foram lançadas durante reformulação do cardápio

As bebidas proteicas chegaram ao cardápio da Starbucks em setembro de 2025, como parte da estratégia de atualização da marca conhecida como “Back to Starbucks”.

A empresa buscava ampliar e renovar sua oferta de produtos, incluindo opções voltadas a consumidores interessados em bebidas com maior quantidade de proteínas.

As versões Venti das bebidas citadas apresentam entre 270 e 340 calorias, segundo as informações apresentadas no processo.

A inclusão de opções proteicas acompanha uma tendência observada no mercado de alimentação e bebidas, no qual consumidores passaram a demonstrar maior interesse por produtos associados a proteínas, redução de açúcar e outros atributos nutricionais.

É justamente nesse cenário que a ação contra a Starbucks ganha relevância.

Interesse por produtos com menos açúcar

Os consumidores responsáveis pelo processo afirmam que a empresa teria se beneficiado do crescente interesse dos americanos em reduzir o consumo de açúcar.

Segundo a ação, aproximadamente 75% dos norte-americanos estariam interessados em reduzir ou eliminar o açúcar da alimentação.

Esse comportamento representa uma oportunidade comercial importante para empresas do setor.

Produtos associados a menor quantidade de açúcar podem atrair consumidores que buscam alternativas consideradas mais adequadas aos seus objetivos alimentares.

Por isso, a utilização de expressões relacionadas à ausência ou redução de açúcar pode ter impacto direto na decisão de compra.

Os autores do processo sustentam que consumidores interessados especificamente em reduzir o consumo de açúcar poderiam escolher as bebidas justamente por acreditarem que elas atendem a esse critério.

Processo também questiona advertências

Além da alegação de propaganda enganosa, os consumidores afirmam que a Starbucks não teria apresentado determinadas advertências exigidas pela legislação federal.

Segundo a denúncia, essas informações deveriam esclarecer que as bebidas proteicas não são alimentos de baixa caloria e não foram desenvolvidas com a finalidade de controle de peso.

Para os autores da ação, a ausência dessas advertências também contribuiria para uma percepção equivocada sobre as características nutricionais dos produtos.

O processo pede indenização por danos em valor ainda não especificado e também acusa a Starbucks de violar leis estaduais de proteção ao consumidor.

Como se trata de uma ação judicial, as alegações apresentadas pelos consumidores ainda deverão ser analisadas pela Justiça. O processo não representa, por si só, uma conclusão definitiva de que a empresa tenha cometido irregularidades.

Starbucks ainda não comentou o processo

A Starbucks, com sede em Seattle, não havia se pronunciado imediatamente sobre a ação até a divulgação das informações mais recentes.

O advogado responsável pelos consumidores também não respondeu de imediato aos pedidos de comentário.

A ausência de uma manifestação da empresa neste momento significa que ainda não foi apresentada publicamente, no contexto da ação, uma resposta detalhada da Starbucks às acusações.

A companhia poderá apresentar sua defesa durante o andamento do processo e contestar as alegações feitas pelos consumidores.

Disputa faz parte de uma discussão maior

Casos envolvendo publicidade e informações nutricionais não são novidade nos Estados Unidos.

Fabricantes de alimentos e bebidas frequentemente enfrentam processos relacionados à forma como seus produtos são descritos nos rótulos e campanhas publicitárias.

Entre as disputas mais recentes estão dezenas de ações envolvendo produtos anunciados com expressões como “sem açúcar” ou “zero açúcar”, mesmo quando utilizam ingredientes como a alulose, um substituto do açúcar.

Essas ações mostram como o significado de determinadas palavras pode ter consequências comerciais e jurídicas.

Para consumidores, uma expressão como “sem açúcar” pode transmitir uma mensagem simples: a bebida não contém açúcar.

Já para empresas e reguladores, a avaliação depende de critérios técnicos e das regras estabelecidas para composição, quantidade por porção e rotulagem.

Diferença entre “sem açúcar” e “sem adição de açúcar”

A discussão envolvendo a Starbucks também ajuda a evidenciar uma diferença importante para o consumidor.

“Sem açúcar” e “sem adição de açúcar” não necessariamente significam a mesma coisa.

Um produto classificado como “sem adição de açúcar” pode conter açúcares naturalmente presentes nos ingredientes utilizados em sua preparação.

Leite, por exemplo, contém lactose naturalmente.

Já a expressão “sem açúcar” pode estar submetida a critérios regulatórios específicos, dependendo da legislação do país.

É justamente essa distinção que deverá ser analisada no processo envolvendo a Starbucks.

O impacto para os consumidores

Independentemente do resultado da ação, o caso chama atenção para a importância de observar as informações nutricionais completas antes de escolher um produto.

Expressões destacadas em cardápios e embalagens podem influenciar diretamente a decisão de compra, mas a tabela nutricional e a lista de ingredientes oferecem informações adicionais sobre aquilo que realmente está presente na bebida.

No caso das bebidas proteicas da Starbucks, a disputa deverá esclarecer se a forma como os produtos foram anunciados atende às exigências legais americanas e se os consumidores foram devidamente informados sobre sua composição.

Enquanto a Justiça analisa o caso, a Starbucks permanece no centro de uma discussão que vai além de oito bebidas específicas.

O processo coloca em debate até que ponto uma empresa pode utilizar determinadas expressões para destacar características nutricionais de seus produtos e quais informações precisam estar disponíveis para que o consumidor possa tomar uma decisão consciente.

A resposta para essas questões deverá depender da interpretação da legislação e das provas apresentadas ao longo do processo. Até lá, as acusações feitas pelos consumidores continuam sendo alegações que ainda não foram definitivamente reconhecidas pela Justiça.