Zeca Pagodinho protagonizou, ao lado de Geraldo Azevedo, um encontro especial durante as gravações de um álbum dedicado à obra do poeta e compositor baiano José Carlos Capinan. Na terça-feira, 6 de outubro, os dois artistas dividiram o mesmo estúdio no Rio de Janeiro para registrar uma das canções que farão parte do projeto, em uma reunião inédita que aproxima diferentes gerações, estilos e sotaques da música popular brasileira.
O encontro aconteceu no estúdio Companhia dos Técnicos, em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Na ocasião, Zeca Pagodinho colocou sua voz em “Moça bonita”, música de 1981 composta por Capinan em parceria com Geraldo Azevedo. O pernambucano, além de participar da gravação, assumiu o violão da faixa.
A canção também ganhou a participação dos músicos Durval Pereira, na percussão, e Pretinho da Serrinha, no cavaquinho. A combinação dos instrumentos promete dar à composição uma nova leitura, aproximando a obra de Capinan do universo do samba e, ao mesmo tempo, preservando a identidade musical de Geraldo Azevedo.
Mais do que uma simples sessão de gravação, o encontro representa a união de trajetórias importantes da música brasileira. Zeca Pagodinho, um dos maiores nomes do samba nacional, e Geraldo Azevedo, referência da música nordestina e da MPB, se encontraram para revisitar uma obra que atravessa décadas e permanece atual.
Um tributo a um dos grandes poetas da música brasileira
José Carlos Capinan é uma figura fundamental para compreender a história da música popular brasileira. Baiano, poeta e compositor, ele construiu uma trajetória marcada por parcerias com alguns dos mais importantes artistas do país.
Sua produção atravessou diferentes períodos da MPB e ajudou a construir canções que se tornaram parte do repertório afetivo de várias gerações. O novo álbum pretende justamente apresentar essa riqueza para o público, reunindo interpretações inéditas de obras compostas por Capinan em parceria com grandes nomes da música nacional.
O projeto ainda está em fase de gravação e vem sendo realizado ao longo do segundo semestre de 2026, com sessões em estúdios de diferentes cidades brasileiras. A produção musical é assinada por Alê Siqueira, enquanto Guto Ruocco, diretor artístico do selo Circus, acompanha o projeto.
A proposta é reunir diferentes vozes e perspectivas para interpretar as composições de Capinan. Em vez de reproduzir versões já conhecidas, o álbum aposta em gravações inéditas, permitindo que cada artista deixe sua própria marca nas músicas.
Esse formato transforma o tributo em uma espécie de encontro entre passado e presente. As composições permanecem, mas ganham novas sonoridades, arranjos e interpretações.
Geraldo Azevedo amplia participação no projeto
A participação de Geraldo Azevedo no álbum vai além da parceria com Zeca Pagodinho. Na mesma sessão realizada em Copacabana, o cantor e compositor pernambucano também gravou “For all para todos”, composição de 1982 feita em parceria com Capinan.
A escolha das duas músicas reforça a importância da colaboração entre os dois artistas ao longo da carreira. Geraldo Azevedo possui uma trajetória profundamente ligada à valorização da cultura nordestina, enquanto Capinan construiu uma obra que dialoga com diferentes manifestações da identidade brasileira.
Ao revisitar essas composições, Geraldo também reencontra parte de sua própria história artística.
A gravação de “Moça bonita” ganha um significado ainda maior pela presença de Zeca Pagodinho. O sambista possui uma maneira particular de interpretar canções, marcada pela naturalidade e pela proximidade com o público. Sua participação acrescenta uma nova dimensão à obra de Capinan e demonstra como as composições do poeta podem atravessar diferentes gêneros musicais.
Zeca Pagodinho em uma nova leitura
Conhecido por sua ligação profunda com o samba e pela maneira descontraída de interpretar grandes histórias do cotidiano brasileiro, Zeca Pagodinho se junta ao projeto em uma escolha que amplia os horizontes do tributo.
Ao cantar “Moça bonita”, o artista não apenas participa de uma homenagem, mas também contribui para apresentar a composição a um público que talvez ainda não tenha contato com todas as nuances da obra de Capinan.
A presença do cavaquinho de Pretinho da Serrinha e da percussão de Durval Pereira também contribui para esse diálogo. O resultado deverá aproximar a composição do universo do samba sem apagar suas características originais.
Essa capacidade de atravessar fronteiras musicais é justamente uma das marcas da música brasileira. Samba, MPB, música nordestina, poesia e canção popular encontram espaço dentro de um mesmo projeto.
Outros grandes nomes também participam
O álbum dedicado a José Carlos Capinan não se limita ao encontro entre Zeca Pagodinho e Geraldo Azevedo. O projeto também reúne outros nomes importantes da música brasileira.
Áurea Martins e João Bosco aparecem em uma nova versão de “Papel machê”, composição de João Bosco e José Carlos Capinan lançada originalmente em 1984.
Outra participação é da cantora baiana Virgínia Rodrigues, que interpreta “Yayá Massemba”, parceria de Roberto Mendes e Capinan lançada em 2003.
A escolha dos intérpretes mostra a intenção de construir um álbum diversificado, capaz de apresentar diferentes fases da produção de Capinan e, ao mesmo tempo, reunir artistas com estilos e histórias distintas.
Cada gravação funciona como uma nova janela para o repertório do compositor.
Um legado que continua vivo
Homenagear José Carlos Capinan por meio de um álbum de gravações inéditas também representa uma maneira de aproximar sua produção das novas gerações.
Em um momento em que a música é consumida cada vez mais rapidamente e em diferentes plataformas, projetos dedicados à memória da MPB cumprem um papel importante na preservação e na renovação do repertório nacional.
A proposta não é apenas olhar para o passado. Ao colocar artistas de diferentes gerações em contato com as composições de Capinan, o projeto mostra que uma boa canção pode ganhar novos significados com o passar dos anos.
A música muda, os arranjos mudam, os intérpretes mudam, mas determinadas obras continuam encontrando espaço no presente.
É justamente isso que o encontro entre Zeca Pagodinho e Geraldo Azevedo simboliza. Dois artistas com trajetórias próprias, ligados a universos musicais distintos, se unem para dar nova vida a uma composição construída décadas atrás.
Lançamento ainda em 2026
O álbum em homenagem a José Carlos Capinan será lançado ainda em 2026. O trabalho será composto exclusivamente por gravações inéditas e chega ao público depois de um processo de produção que passou por estúdios de diferentes cidades brasileiras.
Até a conclusão das gravações, novas participações e detalhes sobre o repertório poderão ser apresentados pela produção do projeto.
O que já está definido, no entanto, é a proposta de celebrar um dos grandes nomes da poesia e da composição brasileira por meio de interpretações realizadas por artistas de diferentes gerações.
O encontro realizado em Copacabana resume bem o espírito do projeto: Zeca Pagodinho emprestando sua voz ao samba, Geraldo Azevedo trazendo o violão e a tradição nordestina, enquanto a obra de José Carlos Capinan serve como ponto de encontro.
Em tempos de mudanças rápidas na forma de ouvir música, revisitar uma obra construída ao longo de décadas também é uma maneira de lembrar que a cultura brasileira possui uma memória rica, diversa e capaz de se reinventar.
Quando chegar ao público, o álbum terá justamente essa missão: apresentar Capinan novamente, não apenas como um nome importante da história da MPB, mas como um compositor cuja obra continua encontrando novos intérpretes, novas sonoridades e novas formas de emocionar.















