A propaganda eleitoral dos candidatos à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou à televisão nesta sexta-feira (9), marcando o início de uma nova etapa da disputa pelo segundo turno das eleições de 2026. Nas primeiras peças exibidas, os dois candidatos apresentaram mensagens direcionadas aos eleitores, com propostas, críticas e apelos para conquistar apoio na reta decisiva da campanha.

Enquanto Flávio Bolsonaro reforçou o discurso de mudança e prometeu manter programas sociais importantes para a população, Lula direcionou críticas ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai do senador, destacando cortes de recursos realizados durante sua gestão. O presidente também agradeceu aos eleitores que votaram nele no primeiro turno e pediu mobilização nas ruas e nas redes sociais.

As estratégias seguem linhas que já vinham sendo apresentadas pelas duas campanhas desde a primeira semana após a votação inicial. Com a disputa concentrada em dois candidatos, a propaganda eleitoral passa a ocupar um papel importante na tentativa de ampliar alianças, responder às críticas dos adversários e convencer eleitores que ainda não definiram seu voto.

Flávio Bolsonaro aposta na mudança e promete manter benefícios

A propaganda de Flávio Bolsonaro começou destacando o desempenho do senador no primeiro turno, quando ele terminou à frente de Lula em número de votos, conforme o resultado mencionado pela campanha. A peça procurou transmitir a ideia de que a candidatura representa a continuidade de um movimento de mudança já iniciado.

“ A gente não está começando aqui uma nova campanha de segundo turno. A gente está dando o passo final para uma mudança que já começou”, afirmou Flávio na abertura do programa.

Um dos principais pontos da propaganda foi a promessa de preservar programas sociais que atendem milhões de brasileiros. A campanha apresentou uma sequência de perguntas e respostas sobre a continuidade do Farmácia Popular, do Minha Casa, Minha Vida e do Bolsa Família.

A abordagem buscou responder às preocupações de eleitores sobre o futuro desses benefícios em caso de mudança no comando do governo federal. Antes de apresentar as promessas, a peça também exibiu um alerta para que os eleitores tenham cuidado com notícias falsas durante o período eleitoral.

Ao falar sobre o Bolsa Família, Flávio afirmou que pretende manter e reajustar os pagamentos, além de garantir que pessoas que conseguem emprego não percam automaticamente o benefício.

“Eu vou manter e reajustar o Bolsa Família. E quem tem emprego não perde o benefício”, declarou o senador.

A promessa procura dialogar com famílias que dependem da transferência de renda e com trabalhadores que temem perder o apoio financeiro ao ingressar no mercado de trabalho.

Senador promete mudanças na saúde e na habitação

Além do Bolsa Família, a propaganda de Flávio Bolsonaro abordou propostas relacionadas à moradia e ao atendimento de saúde. O candidato afirmou que pretende reduzir as prestações do programa Minha Casa, Minha Vida, iniciativa federal voltada à habitação.

Na área da saúde, o senador declarou que o Sistema Único de Saúde (SUS) terá “padrão Einstein”, em referência ao hospital privado conhecido pelo atendimento de alta complexidade.

Apesar das promessas apresentadas na televisão, a peça eleitoral não detalhou como as medidas seriam implementadas, quais recursos seriam necessários ou quais mudanças administrativas permitiriam alcançar os objetivos anunciados.

A ausência de explicações técnicas deixa para os próximos momentos da campanha o desafio de esclarecer como as propostas seriam transformadas em políticas públicas, caso o candidato vença a eleição.

O discurso sobre a continuidade dos programas sociais também aparece em meio a uma disputa de narrativas com Lula. Na quinta-feira (8), o presidente publicou um vídeo nas redes sociais no qual afirmou que uma eventual vitória de Flávio poderia colocar em risco benefícios sociais e serviços de saúde.

Na gravação, dirigida a eleitores que não se identificam com os símbolos tradicionalmente associados às duas campanhas, Lula declarou que a vitória do adversário poderia representar perdas para a população, citando o Farmácia Popular, o atendimento especializado no SUS e o tratamento com medicamentos para emagrecimento.

Dessa forma, os dois candidatos passaram a disputar diretamente a confiança dos eleitores em relação à continuidade e ao funcionamento de políticas públicas.

Lula relembra cortes durante o governo Jair Bolsonaro

A propaganda de Lula adotou uma abordagem crítica ao governo de Jair Bolsonaro, que comandou o país antes do atual mandato do presidente. A peça começou com referências à proposta de “tesouraço” atribuída à campanha de Flávio e apresentou trechos de notícias relacionadas a cortes de recursos durante a gestão anterior.

Entre os setores mencionados estavam o Farmácia Popular, o combate ao câncer, o financiamento habitacional e a merenda escolar.

A mensagem buscou associar as propostas de redução de gastos defendidas pelo adversário a possíveis prejuízos para serviços públicos e programas sociais.

“Quando um dos Bolsonaro fala em corte, é preciso relembrar para não repetir”, afirmou a locução da propaganda.

Em seguida, a peça apresentou uma advertência aos eleitores sobre os possíveis efeitos de uma vitória do senador, utilizando o argumento de que benefícios e direitos poderiam ser ameaçados.

A estratégia de Lula procura mobilizar a memória dos eleitores sobre o governo anterior e estabelecer um contraste entre os projetos apresentados pelos dois candidatos. Ao mesmo tempo, a campanha de Flávio tenta afastar a ideia de que uma eventual mudança de governo significaria o encerramento dos programas sociais.

As afirmações apresentadas nas propagandas fazem parte da disputa eleitoral e devem ser analisadas considerando as propostas completas, os dados disponíveis e a viabilidade das medidas anunciadas.

Presidente agradece votos e promete buscar prosperidade

Além das críticas ao governo anterior, Lula utilizou o programa para agradecer aos eleitores que votaram nele no primeiro turno e conversar diretamente com quem escolheu outros candidatos.

O presidente afirmou que chega à sua “última eleição” preparado para promover mudanças e associou a ideia de prosperidade à criação de empregos de qualidade, melhores salários e oportunidades de crescimento.

“Você quer prosperidade. Eu estou junto com você”, declarou.

A mensagem procura ampliar o alcance da candidatura para além de sua base tradicional de apoiadores. Ao dirigir-se a eleitores que não votaram nele na primeira etapa da eleição, Lula tenta construir uma maioria capaz de garantir sua permanência na Presidência.

A campanha também apresentou depoimentos de deputados que reforçaram a estratégia de mobilização digital. Os participantes convocaram apoiadores a conversar com familiares, amigos e outros eleitores, além de ampliar a divulgação das mensagens nas redes sociais e nas ruas.

Entre as pautas destacadas esteve a defesa do fim da escala de trabalho 6×1, modelo em que o trabalhador atua durante seis dias e descansa um. O tema aparece como parte das propostas relacionadas às condições de trabalho e à qualidade de vida.

A peça também contou com a participação da deputada eleita Ana Elisa (PT-MG), de 21 anos, apontada como uma das responsáveis pela ofensiva digital da campanha petista.

Campanhas intensificam mobilização no segundo turno

No encerramento do programa, Lula contestou a ideia de mudança apresentada por Flávio Bolsonaro e argumentou que transformar o país não significa retornar ao passado ou perder direitos conquistados.

“Mudar não é voltar ao passado. Mudar não é perder o que a gente conquistou, nem voltar atrás nas conquistas das mulheres e dos trabalhadores”, afirmou.

O presidente concluiu com um chamado para que seus apoiadores ampliem a atuação presencial e digital durante a campanha.

“Vamos para a rua, vamos para as redes, vamos juntos ganhar essa eleição”, declarou.

A primeira rodada de propaganda eleitoral na televisão evidencia que a disputa do segundo turno será marcada, entre outros temas, pelo futuro dos programas sociais, pelas propostas econômicas, pelos serviços públicos e pela interpretação dos resultados dos governos anteriores.

Flávio Bolsonaro procura apresentar sua candidatura como uma alternativa de mudança sem interrupção de benefícios considerados importantes para a população. Lula, por sua vez, aposta na defesa das políticas existentes, nas críticas à gestão de Jair Bolsonaro e na mobilização de eleitores que apoiaram outros candidatos no primeiro turno.

Com a campanha retomada na televisão, os próximos programas deverão aprofundar as propostas e ampliar o confronto entre os dois projetos. Para os eleitores, acompanhar as declarações e buscar informações sobre a execução das medidas anunciadas será fundamental para avaliar as alternativas apresentadas nesta etapa decisiva das eleições de 2026.