O conflito entre Rússia e Ucrânia continua provocando consequências devastadoras para milhares de pessoas, incluindo brasileiros que decidiram se envolver diretamente nos combates. Dados atualizados do Ministério das Relações Exteriores (MRE), divulgados ao portal Metrópoles na terça-feira (13), apontam que 40 brasileiros morreram e outros 108 estão classificados como desaparecidos em combate. Os números incluem cidadãos que lutavam tanto pelas forças ucranianas quanto pelas russas.

O levantamento revela a dimensão dos riscos enfrentados por brasileiros que deixam o país para participar de uma guerra em território estrangeiro. Entre os mortos, 38 combatiam ao lado da Ucrânia e dois estavam vinculados às forças russas. Já entre os desaparecidos, 98 estavam associados ao Exército ucraniano e outros dez atuavam do lado russo.

As informações foram obtidas pelo Itamaraty a partir de comunicações oficiais encaminhadas pelos governos dos dois países. O ministério acompanha os casos por meio das representações diplomáticas brasileiras e mantém contato com autoridades locais para obter informações sobre os cidadãos envolvidos no conflito.

O aumento dos registros reforça a preocupação com a segurança de brasileiros que se alistam voluntariamente em forças militares estrangeiras. Em uma guerra marcada por ataques aéreos, bombardeios, combates terrestres e dificuldades de comunicação, a identificação de vítimas e a localização de pessoas desaparecidas podem levar tempo e enfrentar obstáculos significativos.

Número de brasileiros mortos e desaparecidos aumentou

O balanço mais recente representa um crescimento em relação aos dados anteriormente divulgados pelo Ministério das Relações Exteriores. No levantamento anterior, o governo brasileiro registrava 38 mortes e 102 casos de desaparecimento em combate.

Com a atualização, o total passou para 40 brasileiros mortos e 108 desaparecidos. O aumento demonstra que a situação dos cidadãos brasileiros envolvidos no conflito permanece preocupante, embora os dados não permitam determinar quantos brasileiros continuam efetivamente participando dos combates.

O Itamaraty também informou que não dispõe de estatísticas sobre o número total de brasileiros que se alistaram para lutar na guerra. Sem essa informação, não é possível calcular com precisão a proporção de mortes e desaparecimentos entre os cidadãos que ingressaram nas forças militares dos dois países.

Outro aspecto importante é a diferença entre uma pessoa considerada morta e outra registrada como desaparecida em combate. Embora ambas as situações sejam graves, elas possuem significados distintos nos registros oficiais.

A classificação internacional conhecida pela sigla MIA, expressão em inglês para missing in action, é utilizada quando não há confirmação suficiente sobre o paradeiro de um combatente desaparecido durante uma operação militar.

Isso significa que os 108 brasileiros classificados nessa categoria não podem ser considerados automaticamente mortos. Alguns podem estar feridos, detidos, incomunicáveis ou em locais onde ainda não foi possível confirmar sua situação. A confirmação depende da obtenção de informações confiáveis pelas autoridades responsáveis.

Embaixadas brasileiras acompanham os casos

Diante das dificuldades provocadas pelo conflito, as embaixadas do Brasil em Kiev, capital da Ucrânia, e em Moscou, capital da Rússia, mantêm contato com as autoridades locais para acompanhar os casos envolvendo cidadãos brasileiros.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, essa interlocução permite obter informações sobre mortes e desaparecimentos e repassá-las às famílias, dentro das possibilidades existentes no cenário de guerra.

O trabalho consular, entretanto, enfrenta limitações importantes. Em áreas próximas às frentes de combate, ataques, restrições de deslocamento, interrupções nas comunicações e dificuldades logísticas podem comprometer a rapidez na confirmação de informações.

Para os familiares, a ausência de notícias sobre um parente que foi para a guerra pode representar um período de angústia e incerteza. Sem informações oficiais sobre o paradeiro de uma pessoa, torna-se difícil saber se ela está ferida, foi capturada ou permanece em uma região inacessível.

O governo brasileiro também informou que pode oferecer pequenos auxílios a cidadãos em situação de vulnerabilidade, conforme as circunstâncias e os recursos disponíveis. O ministério, contudo, não detalhou quantas famílias foram notificadas sobre os casos nem quantas pessoas receberam assistência financeira ou de outra natureza.

A assistência consular não significa que o Brasil tenha condições de retirar todos os cidadãos de áreas de combate ou garantir sua segurança. As possibilidades de atuação dependem das condições locais, das regras aplicáveis e da cooperação das autoridades envolvidas.

Governo brasileiro alerta sobre os riscos do alistamento

O Itamaraty vem ampliando os alertas destinados a brasileiros que consideram viajar para regiões afetadas pela guerra ou ingressar em forças militares estrangeiras.

Desde maio de 2025, a chancelaria publica orientações sobre os riscos de segurança na Ucrânia, especialmente nas áreas próximas às frentes de combate. Em julho daquele ano, também divulgou um alerta específico sobre a participação de brasileiros em conflitos armados no exterior.

A orientação foi atualizada em setembro de 2026 e passou a recomendar expressamente que os cidadãos recusem ofertas de trabalho ou propostas de ingresso em exércitos estrangeiros.

O alerta procura chamar a atenção para os perigos que podem estar associados a promessas de remuneração elevada, benefícios financeiros ou oportunidades profissionais apresentadas por intermediários e recrutadores.

Em uma situação de guerra, os riscos não se limitam à possibilidade de ferimentos ou morte. Os combatentes também podem enfrentar dificuldades para deixar o território, romper contratos, obter atendimento médico ou retornar ao Brasil. As condições de serviço e as obrigações assumidas podem variar de acordo com os acordos firmados e a legislação aplicável.

O ministério ressalta ainda que o governo brasileiro não tem obrigação de custear passagens ou garantir o retorno de cidadãos que estejam no exterior. A assistência consular pode ser severamente limitada pelas condições de segurança e pelos compromissos assumidos pelos próprios combatentes.

Além disso, brasileiros que cometam crimes no exterior podem responder judicialmente quando houver fundamento legal para a aplicação da jurisdição brasileira, inclusive nas hipóteses previstas em tratados e convenções internacionais.

Brasileiros relatam ataques em território ucraniano

Os perigos enfrentados por estrangeiros que participam da guerra também aparecem em relatos publicados nas redes sociais.

Em um dos episódios mencionados nas informações divulgadas, o brasileiro Lucas Candido, voluntário nas forças ucranianas, publicou imagens de um ataque que atingiu o prédio onde estava hospedado, na cidade de Kharkiv, no nordeste da Ucrânia.

Segundo o relato, um míssil russo atingiu a estrutura, evidenciando os riscos que até mesmo locais de hospedagem podem representar em áreas afetadas pelo conflito.

Outros dois brasileiros, identificados como Thiago e Gabriel, também estavam no apartamento no momento da explosão. Em uma publicação, Gabriel informou que colegas ficaram feridos e relatou ter machucado a perna, acrescentando que o grupo estava bem.

Relatos dessa natureza ajudam a dimensionar o perigo enfrentado por pessoas que permanecem em regiões atingidas por ataques. Entretanto, as informações divulgadas nas redes sociais não substituem a confirmação oficial sobre a situação de cada cidadão.

A possibilidade de um ataque atingir prédios, vias de circulação e outras estruturas civis também demonstra como a guerra afeta a rotina de moradores, trabalhadores, voluntários e profissionais estrangeiros que permanecem nas cidades ucranianas.

Guerra continua sem solução definitiva

O conflito entre Rússia e Ucrânia começou em fevereiro de 2022, após a invasão russa em larga escala do território ucraniano. Desde então, os combates provocaram mortes, deslocamentos populacionais e danos à infraestrutura, além de consequências econômicas e humanitárias que ultrapassam as fronteiras dos dois países.

Em outubro de 2026, as discussões sobre possíveis tréguas e negociações continuam fazendo parte do cenário diplomático. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que seu país havia deixado de atacar instalações energéticas russas por dois dias após o anúncio de um cessar-fogo energético pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Segundo Zelensky, a Rússia não teria adotado a mesma postura e continuaria atingindo instalações de energia e estruturas consideradas críticas na Ucrânia. O governo russo não confirmou oficialmente sua adesão à trégua anunciada, enquanto o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou que as conversas sobre o assunto permaneciam em andamento.

A situação demonstra como a possibilidade de uma redução das hostilidades ainda depende de entendimentos políticos e militares entre os envolvidos.

Famílias enfrentam incerteza e preocupação

Os números divulgados pelo Itamaraty mostram que a guerra também deixou marcas profundas entre famílias brasileiras. Para os parentes dos mortos, a perda representa uma realidade irreversível. Para aqueles que aguardam notícias de pessoas desaparecidas, a falta de confirmação prolonga a angústia e dificulta o encerramento de um período de incerteza.

O acompanhamento diplomático é importante para reunir informações e comunicar as famílias, mas os limites impostos pelo conflito tornam esse trabalho complexo.

Diante desse cenário, o governo brasileiro recomenda cautela e desaconselha o ingresso de cidadãos em exércitos estrangeiros. A orientação é um alerta para quem considera aceitar propostas de participação em combates sem conhecer plenamente os riscos, as obrigações contratuais e as dificuldades de retorno.

Enquanto a guerra continua, os 40 brasileiros mortos e os 108 desaparecidos registrados pelo Itamaraty representam vidas atingidas por um conflito internacional que permanece sem solução definitiva. O avanço das investigações, a confirmação dos desaparecimentos e o acompanhamento das famílias serão fundamentais para esclarecer a situação dos cidadãos brasileiros envolvidos.

JRT News — Informação com responsabilidade, contexto e compromisso com a notícia.