O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que tentou convencer o CEO do Google, Sundar Pichai, a mudar o nome do Oceano Atlântico para “Oceano das Américas”, mas teve o pedido recusado. A declaração foi feita na quarta-feira (21), durante um comício na Carolina do Sul, onde o republicano participou de um evento de apoio à candidata de seu partido ao Senado norte-americano, Darline Graham.
Segundo Trump, a conversa com o executivo ocorreu por telefone. Durante o discurso, o presidente contou que apresentou a ideia de alterar a denominação do oceano, mas Pichai teria explicado que a situação seria diferente de outras mudanças geográficas já realizadas nos serviços de mapas da empresa.
A justificativa, conforme relatada pelo próprio presidente, foi que os oceanos banham diversos países, o que tornaria a alteração mais complexa. Diante da resposta, Trump disse que provavelmente desistiria da proposta, embora tenha aproveitado o episódio para fazer comentários bem-humorados sobre a possibilidade de mudar também o nome do Oceano Pacífico.
A declaração chamou a atenção por envolver uma das maiores empresas de tecnologia do mundo e por retomar uma estratégia de Trump de promover mudanças em nomes geográficos para destacar a identidade e a influência dos Estados Unidos.
Trump relata conversa com o CEO do Google
Durante o comício, Trump contou que entrou em contato com Sundar Pichai para discutir a possibilidade de alterar o nome do Oceano Atlântico nos serviços de mapas da empresa.
Ao narrar a conversa, o presidente afirmou que recebeu uma resposta negativa do executivo, que teria argumentado que os oceanos possuem características diferentes de outros locais cujo nome foi alterado anteriormente.
“Eu disse: ‘Sundar, estou pensando no Oceano Atlântico. Você consegue cuidar disso?’ ‘Não, não, não, desta vez não vou fazer isso’”, relatou Trump ao público, reproduzindo a resposta que atribuiu ao executivo.
Na sequência, o presidente afirmou que Pichai teria explicado que os oceanos banham muitos países e que, por esse motivo, a empresa não deveria ser pressionada a realizar a mudança.
Trump disse que provavelmente abandonaria a ideia. No entanto, manteve o tom descontraído durante o discurso e sugeriu, em tom de brincadeira, que poderia mudar o nome do Oceano Pacífico apenas para provocar os europeus.
Apesar da repercussão da declaração, o relato sobre a conversa foi apresentado pelo próprio Trump durante o evento. Não houve, no material divulgado, uma confirmação independente do Google sobre os detalhes do telefonema ou sobre a resposta atribuída a Pichai.
Mudanças geográficas já ocorreram nos mapas do Google
O episódio acontece após outras alterações de nomenclatura geográfica promovidas nos Estados Unidos durante o governo Trump.
Em janeiro de 2025, o presidente determinou a mudança do nome do Golfo do México para “Golfo da América” no âmbito da nomenclatura oficial norte-americana. Posteriormente, o Google Maps passou a exibir a nova denominação para usuários dos Estados Unidos, mantendo a apresentação adequada a outras regiões conforme as referências utilizadas em cada localidade.
A empresa pertence à Alphabet e opera um dos serviços de mapas digitais mais utilizados do mundo. Suas ferramentas são acessadas diariamente por pessoas que procuram endereços, estabelecimentos comerciais, rotas e informações geográficas.
A mudança do nome do golfo demonstrou como decisões governamentais sobre denominações oficiais podem repercutir nas plataformas digitais. Entretanto, a forma como cada nome aparece nos mapas pode variar de acordo com o país, a localização do usuário e as referências geográficas adotadas.
A proposta envolvendo o Oceano Atlântico apresenta um desafio diferente. Ao contrário de uma denominação associada a uma área geográfica específica, um oceano se estende por uma região internacional muito ampla, envolvendo territórios e países de diferentes continentes.
Por esse motivo, a adoção de um nome alternativo em uma plataforma global poderia gerar questionamentos diplomáticos, geográficos e editoriais, além de exigir decisões sobre como apresentar a nomenclatura em diferentes mercados.
Presidente já havia falado sobre renomear um oceano
A ideia de mudar o nome de um dos oceanos não surgiu apenas durante o comício na Carolina do Sul.
No início de outubro, Trump já havia mencionado a possibilidade de chamar o Oceano Atlântico ou o Oceano Pacífico de “Oceano das Américas”. A proposta integra uma série de declarações nas quais o presidente defende alterações em nomes de lugares e estruturas geográficas para destacar os Estados Unidos.
Na ocasião, o republicano fez uma brincadeira sobre a necessidade de ampliar a lista de locais que poderiam receber novas denominações.
“Temos um lago e temos um golfo. Agora precisamos de um rio e precisamos de um oceano”, afirmou Trump, conforme o relato divulgado sobre suas declarações anteriores.
A fala reforçou o tom simbólico da proposta. Mais do que uma discussão sobre cartografia, a iniciativa passou a integrar o discurso político do presidente, que frequentemente utiliza referências geográficas para destacar a identidade nacional norte-americana.
Até o momento, porém, não foi anunciada uma mudança oficial no nome do Oceano Atlântico ou do Oceano Pacífico. A proposta relatada por Trump permanece no campo das declarações, sem confirmação de que exista um procedimento formal em andamento para alterar a nomenclatura internacional de qualquer um dos dois oceanos.
Lago Ontário também entrou na discussão
Outro episódio mencionado em reportagens recentes envolve o Lago Ontário, que teria recebido uma denominação alternativa em serviços de mapas para usuários dos Estados Unidos após uma iniciativa relacionada ao governo Trump.
O caso foi apresentado como parte de um conjunto de mudanças que incluem o Golfo do México e outras propostas de alteração de nomes geográficos.
Essas decisões chamam a atenção porque os mapas digitais são utilizados internacionalmente e precisam conciliar referências oficiais, convenções cartográficas e expectativas dos usuários de diferentes países.
Uma denominação adotada em um território não significa necessariamente que ela será reconhecida de forma universal. Nomes geográficos podem variar conforme o idioma, as convenções nacionais e os órgãos responsáveis pela padronização cartográfica.
Por isso, mudanças em plataformas digitais não devem ser confundidas automaticamente com uma alteração universalmente reconhecida da nomenclatura geográfica.
Trump também sugeriu mudar o nome do Novo México
Em setembro, Trump defendeu a ideia de mudar o nome do estado norte-americano do Novo México para “Nova América”. A proposta seguiu a linha de outras declarações do presidente sobre a possibilidade de associar nomes de lugares à identidade dos Estados Unidos.
O Novo México é um estado localizado no sudoeste do país e possui uma história marcada pela presença de povos indígenas, pela colonização espanhola e pela influência mexicana. Uma eventual mudança de nome envolveria questões históricas, políticas e culturais, além de procedimentos institucionais próprios.
Até o momento, a sugestão relatada pelo presidente não representa uma alteração oficial do nome do estado.
Trump também tem sido associado a iniciativas de colocar seu próprio nome em instituições, monumentos e projetos norte-americanos. Essas ações provocam debates sobre a relação entre a imagem pessoal de um governante, o patrimônio público e a memória histórica.
Nomes de lugares viram assunto político
A tentativa relatada por Trump de mudar o nome do Oceano Atlântico evidencia como questões de nomenclatura geográfica podem ultrapassar o campo técnico e ganhar dimensão política.
Embora nomes de oceanos, mares, lagos e regiões sejam utilizados para orientar a navegação, a educação, a pesquisa e a comunicação internacional, eles também carregam referências históricas e culturais construídas ao longo do tempo.
No caso do Oceano Atlântico, a denominação é amplamente utilizada em mapas, documentos científicos e sistemas internacionais de referência. Uma eventual tentativa de substituição exigiria considerar não apenas a preferência de um governo, mas também a utilização do nome por outros países e instituições.
A declaração de Trump não significa que a mudança esteja prestes a ocorrer. Pelo relato do próprio presidente, o CEO do Google não aceitou o pedido, e o republicano afirmou que provavelmente desistiria da iniciativa.
O episódio, entretanto, reacendeu o debate sobre os limites das decisões nacionais quando elas envolvem referências geográficas utilizadas mundialmente.
O JRT News continuará acompanhando os desdobramentos das declarações de Donald Trump e possíveis mudanças relacionadas à nomenclatura geográfica nos Estados Unidos.












