A Meta, empresa responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp, divulgou resultados financeiros expressivos no terceiro trimestre de 2026. Entre julho e setembro, a companhia registrou lucro líquido de US$ 9,86 bilhões, aproximadamente R$ 49,3 bilhões, uma alta de 264% em comparação com o mesmo período de 2025. A receita total alcançou US$ 64,60 bilhões, cerca de R$ 324,2 bilhões, representando crescimento de 26% em um ano. <Cite refs={[“turn218924search2″,”turn218924news24”]}/>

Os números divulgados na quarta-feira (21) mostram a força do negócio publicitário da empresa, que continua sendo a principal fonte de faturamento do grupo. Ao mesmo tempo, os resultados revelam desafios relacionados ao aumento das despesas, a um acordo judicial bilionário nos Estados Unidos e à necessidade de financiar a expansão da infraestrutura de inteligência artificial (IA).

O desempenho também reforça a importância das plataformas digitais para o mercado publicitário mundial. Empresas de diferentes setores utilizam as redes sociais para divulgar produtos, alcançar consumidores e ampliar suas vendas, enquanto a Meta investe em ferramentas que prometem tornar a publicidade mais direcionada e eficiente.

Apesar do crescimento expressivo do lucro líquido, o resultado operacional da companhia recuou na comparação anual. Por isso, os números precisam ser analisados considerando tanto a expansão da receita quanto os custos extraordinários registrados durante o trimestre.

Publicidade concentra quase toda a receita da empresa

A maior parte do faturamento da Meta veio da divisão Family of Apps, que reúne os resultados de suas principais plataformas digitais. O segmento registrou receita de US$ 64,16 bilhões, aproximadamente R$ 320 bilhões, equivalente a cerca de 99% do faturamento total da companhia no período.

Dentro dessa divisão, a publicidade respondeu por US$ 63,06 bilhões, cerca de R$ 315 bilhões. Os demais serviços e fontes de receita somaram US$ 1,10 bilhão, aproximadamente R$ 5,5 bilhões.

O crescimento das receitas publicitárias foi impulsionado por dois fatores principais: o aumento da quantidade de anúncios exibidos e a elevação do preço médio cobrado pelos espaços publicitários.

De acordo com os resultados divulgados pela empresa, o número de impressões de anúncios cresceu 10% em relação ao terceiro trimestre do ano passado. Já o preço médio por anúncio avançou 14%.

Esses indicadores ajudam a explicar como a Meta conseguiu ampliar seu faturamento. A empresa exibiu mais publicidade e, ao mesmo tempo, obteve preços médios maiores por cada anúncio.

Para os anunciantes, o alcance das plataformas e a possibilidade de direcionar campanhas a públicos específicos continuam sendo fatores importantes na escolha dos canais digitais. Para a Meta, esse modelo representa uma fonte de receita que sustenta boa parte de seus investimentos em tecnologia.

Plataformas reúnem 3,64 bilhões de usuários ativos por dia

Outro indicador que chama a atenção é o alcance das redes sociais da companhia. Em setembro de 2026, a família de aplicativos da Meta reuniu, em média, 3,64 bilhões de usuários ativos diariamente, crescimento de 3% em relação ao mesmo mês do ano anterior. <Cite refs={[“turn218924search2″,”turn218924news21”]}/>

O número considera o conjunto das plataformas da empresa e não representa a quantidade de usuários exclusivos de cada aplicativo. Uma mesma pessoa pode utilizar mais de um serviço do grupo.

Mesmo com essa particularidade, o indicador demonstra a dimensão da audiência alcançada pela companhia em escala global. O Facebook mantém presença consolidada em diferentes mercados, enquanto o Instagram ocupa espaço importante no compartilhamento de fotos, vídeos e conteúdos comerciais. O WhatsApp, por sua vez, é amplamente utilizado para comunicação pessoal e atendimento de empresas.

A integração entre esses serviços permite que a Meta ofereça diferentes formatos de publicidade e ferramentas comerciais. Pequenos negócios, grandes marcas e produtores de conteúdo podem utilizar as plataformas para apresentar produtos, conversar com clientes e divulgar serviços.

Esse alcance também torna a inteligência artificial uma ferramenta estratégica para a empresa, especialmente na personalização de recomendações, na distribuição de conteúdo e na identificação de públicos potencialmente interessados em determinados anúncios.

Inteligência artificial se torna prioridade estratégica

A inteligência artificial está no centro dos planos de expansão da Meta. Durante a divulgação dos resultados, o presidente-executivo Mark Zuckerberg destacou avanços no desenvolvimento de novos modelos e produtos, incluindo o lançamento do Muse e do Muse Wonder, apresentados pela companhia como seus primeiros modelos de IA de ponta.

A empresa afirma que pretende avançar na construção de ferramentas capazes de oferecer experiências mais personalizadas aos usuários. A estratégia envolve aprimorar assistentes digitais, recomendações de conteúdo, criação de materiais e sistemas que ajudam anunciantes a desenvolver campanhas.

Segundo a Meta, parte dos investimentos em inteligência artificial já contribui para o desempenho da publicidade. Sistemas mais avançados podem ajudar a selecionar anúncios relevantes, melhorar a distribuição das campanhas e ampliar o envolvimento dos usuários com os conteúdos apresentados.

A companhia também trabalha para expandir sua capacidade computacional, treinar modelos mais sofisticados e construir a infraestrutura necessária para sustentar esses serviços.

O plano exige recursos elevados. A Meta estima investir entre US$ 135 bilhões e US$ 145 bilhões em despesas de capital ao longo de 2026, o equivalente a aproximadamente R$ 675 bilhões a R$ 725 bilhões, considerando a conversão informada. Os investimentos incluem infraestrutura tecnológica e capacidade necessária para o desenvolvimento da inteligência artificial. <Cite refs={[“turn218924search2″,”turn218924news21”]}/>

Esse volume de recursos mostra que a empresa considera a IA uma aposta de longo prazo, mesmo diante dos custos elevados envolvidos na construção e operação de grandes centros de processamento de dados.

Acordo judicial pressiona resultado operacional

Apesar do crescimento da receita e do lucro líquido, a Meta também enfrentou um impacto significativo nas contas do trimestre.

O lucro operacional da companhia ficou em US$ 12,99 bilhões, uma queda de aproximadamente 37% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado foi afetado pelo aumento das despesas, incluindo um encargo de US$ 9,89 bilhões relacionado a um acordo com procuradores-gerais de 52 estados norte-americanos em processos envolvendo questões de saúde mental de adolescentes e redes sociais. <Cite refs={[“turn218924search2″,”turn218924search8”]}/>

O encargo foi registrado nas despesas do trimestre e contribuiu para pressionar a rentabilidade operacional. Sem essa despesa extraordinária, o lucro operacional teria alcançado aproximadamente US$ 22,88 bilhões, segundo os dados divulgados pela empresa.

O caso envolve discussões sobre os possíveis efeitos das plataformas digitais na saúde mental de jovens. A questão tem provocado debates e ações judiciais nos Estados Unidos sobre as responsabilidades das empresas de tecnologia na concepção e no funcionamento de seus serviços.

O impacto financeiro demonstra que, além dos desafios tecnológicos e comerciais, a Meta precisa lidar com riscos jurídicos e regulatórios que podem influenciar seus resultados.

A alta de 264% no lucro líquido deve ser interpretada nesse contexto. No terceiro trimestre de 2025, a companhia havia registrado lucro de US$ 2,71 bilhões, uma base de comparação muito inferior à do período atual, em parte devido a despesas tributárias extraordinárias naquele ano. <Cite refs={[“turn218924search2″,”turn218924news24”]}/>

Assim, embora o lucro líquido tenha avançado de forma expressiva, o indicador operacional revela que os custos continuam exercendo pressão sobre os negócios.

Reality Labs e mudanças no financiamento

Outra área acompanhada pelos investidores é a Reality Labs, divisão dedicada a produtos e tecnologias de realidade virtual e aumentada. O segmento continua registrando prejuízos operacionais elevados, enquanto a companhia busca direcionar recursos para áreas consideradas prioritárias, especialmente a inteligência artificial.

A Meta prevê reduzir gradualmente as perdas da divisão e projeta um prejuízo operacional em torno de US$ 15 bilhões em 2027, conforme as informações apresentadas no material de resultados. O desempenho futuro dependerá da evolução dos produtos, da procura dos consumidores e da capacidade de transformar os investimentos em receitas sustentáveis.

A companhia também anunciou a criação de ações ordinárias de Classe C, sem direito a voto, como parte de sua estratégia de financiamento de longo prazo. A iniciativa integra os planos corporativos para sustentar os investimentos e a expansão tecnológica.

O que os resultados representam para o mercado digital

O balanço do terceiro trimestre mostra uma empresa que continua ampliando a receita por meio da publicidade, mantém uma audiência diária de bilhões de usuários e direciona recursos cada vez maiores à inteligência artificial.

Para o mercado, os resultados reforçam a relevância das plataformas digitais na economia e na publicidade. Para empresas que utilizam Facebook, Instagram e WhatsApp, as mudanças nas ferramentas de anúncios e nos sistemas de recomendação podem influenciar a maneira como campanhas são planejadas e distribuídas.

Ao mesmo tempo, o crescimento dos custos, os processos judiciais e os investimentos bilionários indicam que a expansão tecnológica exige decisões financeiras de longo prazo.

A Meta encerrou o trimestre com crescimento expressivo no faturamento e no lucro líquido, mas também com queda no resultado operacional. O desempenho dos próximos períodos dependerá, entre outros fatores, da capacidade de sustentar a publicidade, transformar investimentos em inteligência artificial em novos negócios e administrar os riscos jurídicos.

Para o JRT News, os números mostram como a publicidade digital e a inteligência artificial seguem transformando o setor de tecnologia, enquanto as grandes plataformas enfrentam o desafio de equilibrar crescimento, inovação e responsabilidade.