Uma brincadeira universitária transformou o campus da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte, em palco de uma competição que chamou a atenção nas redes sociais. O concurso de sósias do conhecido “Gostoso da Paulista” reuniu cinco homens e uma mulher, que reproduziram o visual do jovem que ganhou popularidade na internet após aparecer em uma manifestação política na Avenida Paulista, em São Paulo.

Com moletom cinza, uma espécie de balaclava vermelha cobrindo o rosto e bandeiras progressistas, os participantes entraram no clima da disputa e tentaram conquistar a plateia. A iniciativa foi organizada pelo Diretório Acadêmico de Biologia (DA Bio) e rapidamente ganhou repercussão pela combinação de humor, criatividade, cultura da internet e referências ao cenário político brasileiro.

O evento mostrou como um personagem que surge em um vídeo ou fotografia pode ultrapassar o ambiente das redes sociais e se transformar em inspiração para manifestações culturais e brincadeiras coletivas. Na universidade, a proposta foi reproduzir a estética que marcou o personagem original, mas com uma competição descontraída entre estudantes e participantes.

O vencedor recebeu um conjunto de presentes bastante peculiar: uma lata de Vantfall vermelha, uma bebida Beats vermelha, um paiol e uma bandeira do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Eduardo de Castro Prates conquista o primeiro lugar

O grande vencedor da competição foi Eduardo de Castro Prates, de 25 anos, formado neste ano em licenciatura em Matemática. Ele disputou o título com outros cinco participantes e conquistou o público durante as etapas da apresentação.

A dinâmica foi simples e bastante participativa. Cada concorrente teve um minuto para chamar a atenção da plateia, que decidia quem avançava por meio do volume dos gritos e aplausos. Dessa forma, a reação dos presentes era determinante para definir os classificados e, posteriormente, o campeão.

Eduardo contou que gostou da experiência e destacou o ambiente acolhedor criado pelos organizadores e pelo público. Apesar de já ter participado de competições esportivas, ele afirmou que sentiu uma ansiedade especial diante da reação da plateia.

“Foi muito divertido, um ambiente com uma galera superacolhedora. Eu gosto de competir, já fui campeão mineiro de jiu-jítsu, mas lá fiquei até mais ansioso do que quando ia lutar. Ter a galera rindo, brincando, gritando e chamando seu nome foi uma sensação fenomenal”, relatou.

A comparação com as disputas de jiu-jítsu mostra que, mesmo para alguém acostumado à pressão de competições esportivas, subir ao palco e conquistar a aprovação de um público pode provocar uma experiência diferente.

Na final, os participantes também precisaram responder a uma pergunta que havia sido feita ao personagem original. A questão envolvia uma escolha provocativa entre ter um filho bolsonarista ou um filho homofóbico.

“Teve a pergunta que fizeram ao Gostoso da Paulista original, que é se você prefere um filho bolsonarista ou um filho homofóbico”, contou Eduardo.

A referência ajudou a manter a conexão entre a brincadeira universitária e o contexto em que o personagem ganhou notoriedade.

Saimon Arthur também conquista o público

Outro participante que recebeu muitos aplausos foi Saimon Arthur Xavier Santos, de 23 anos, estudante de Odontologia. Mesmo sem conquistar o primeiro lugar, ele avaliou positivamente a experiência e comemorou a repercussão alcançada.

Segundo Saimon, algumas pessoas que o encontraram enquanto ele reproduzia o visual do personagem pelas ruas já haviam demonstrado interesse em sua participação. Esse incentivo acabou contribuindo para que ele entrasse na disputa.

“Várias pessoas que pegaram meu @ enquanto eu estava sendo sósia nas ruas [antes do concurso] me mandaram. Me motivaram a participar”, relatou.

O estudante afirmou que a reação do público foi bastante positiva e que o evento proporcionou um momento de descontração entre os presentes.

“A reação do público foi muito boa. A galera estava se divertindo muito, foi um clima de descontração. Depois, muita gente me procurou, ganhei muitos seguidores no Instagram”, contou.

Para Saimon, a popularidade do “Gostoso da Paulista” também está relacionada à maneira como o personagem rompeu determinados estereótipos associados à aparência de pessoas identificadas com a esquerda política.

Em tom bem-humorado, ele comentou que a repercussão mostrou que a estética e a beleza também podem fazer parte da construção de uma imagem pública ligada a posicionamentos políticos.

“Ele quebrou um paradigma de que a galera de esquerda não era bonita, não tinha tesão. Mostrou que, além de tudo, a galera de esquerda tem o molho, tá ligado?”, brincou.

Beleza e posicionamento político ajudaram na repercussão

Na avaliação de Eduardo, o sucesso do personagem original está relacionado à combinação entre aparência física marcante e posicionamento político.

Para o vencedor do concurso, figuras que apresentam uma estética facilmente reconhecível e, ao mesmo tempo, defendem uma causa podem despertar curiosidade e admiração nas redes sociais.

Ele considera que a união desses elementos contribuiu para transformar o jovem em um personagem bastante comentado na internet.

A repercussão também revela como a comunicação nas plataformas digitais pode aproximar diferentes temas. Uma manifestação política, por exemplo, pode gerar imagens que passam a circular não apenas entre pessoas interessadas em política, mas também entre usuários que compartilham memes, comentários sobre aparência e conteúdos de entretenimento.

Nesse processo, a figura pública ganha novos significados, muitas vezes diferentes daqueles que motivaram sua primeira aparição.

No caso do concurso da UFMG, a universidade aproveitou essa popularidade para criar uma atividade coletiva, na qual os estudantes puderam brincar com a imagem que já circulava amplamente nas redes.

Quem é o “Gostoso da Paulista” original?

O personagem que inspirou a competição é Israel Augusto Gomes dos Santos, de 24 anos, morador de São Paulo e formado em Recursos Humanos.

Ele ganhou destaque depois de participar de uma manifestação em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, realizada em 11 de outubro de 2026, na Avenida Paulista, na capital paulista.

Nas imagens que circularam pela internet, Israel aparece sem camisa, com o rosto coberto por um tecido vermelho, em cima de uma estrutura da estação Trianon-Masp. Ele segura uma bandeira em apoio a Lula e à Palestina.

A aparência do jovem, somada à composição visual da imagem e ao contexto da manifestação, despertou a atenção de internautas. O apelido “Gostoso da Paulista” passou a ser utilizado nas publicações e ajudou a impulsionar sua popularidade.

A repercussão foi expressiva. Antes de viralizar, o perfil de Israel no Instagram tinha aproximadamente 380 seguidores. Depois que sua identidade foi divulgada e o conteúdo ganhou alcance, o número ultrapassou 402 mil seguidores, segundo as informações apresentadas.

O crescimento mostra a velocidade com que uma imagem pode alcançar milhares de pessoas e transformar alguém pouco conhecido em um dos assuntos comentados nas redes sociais.

UFMG já realizou outras competições de sósias

O concurso inspirado no “Gostoso da Paulista” não foi a primeira iniciativa desse tipo realizada na Universidade Federal de Minas Gerais.

Em março de 2026, estudantes organizaram outra competição para escolher os universitários mais parecidos com a cantora Marina Sena e o influenciador Juliano Floss. O evento aconteceu na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (Fafich), também no campus Pampulha.

Na ocasião, os prêmios incluíam uma marinada de frango, pó descolorante, bebidas e ingressos para uma festa. A brincadeira também ultrapassou os limites da universidade e chegou até Marina Sena, que reagiu à competição nas redes sociais.

As iniciativas demonstram como os ambientes universitários podem se tornar espaços de criação e circulação de tendências culturais. Além das atividades acadêmicas, eventos organizados pelos próprios estudantes ajudam a construir momentos de convivência, humor e interação.

Humor, internet e cultura universitária

A competição do “Gostoso da Paulista” mostra como fenômenos digitais podem ganhar novas dimensões quando são incorporados à rotina de diferentes grupos. O que começou com uma imagem registrada durante uma manifestação política acabou inspirando uma disputa universitária com figurinos, apresentações e participação ativa do público.

A brincadeira também evidencia a força dos memes e das referências compartilhadas na internet, que frequentemente atravessam ambientes e aproximam pessoas com interesses diferentes.

Na UFMG, os seis participantes transformaram a popularidade do personagem em uma experiência coletiva, marcada por criatividade e descontração. Para o vencedor, a sensação de receber o apoio da plateia foi tão marcante quanto a conquista do título.

Entre aplausos, brincadeiras e comentários nas redes sociais, o concurso mostrou que a cultura digital continua encontrando novas formas de ocupar espaços presenciais. E, desta vez, a universidade foi o cenário de uma disputa que levou o humor da internet para dentro do campus.