Distúrbio neurológico autoimune não tem cura, pode limitar movimentos e exige tratamento contínuo; cantora anunciou retomada gradual das apresentações após anos afastada

A cantora canadense Céline Dion anunciou que pretende retomar gradualmente sua agenda de shows após um período afastada dos palcos por causa de uma doença rara: a síndrome da pessoa rígida, um distúrbio neurológico que pode provocar rigidez muscular progressiva e espasmos dolorosos.

Diagnosticada em 2022, a condição impactou diretamente a capacidade da artista de se apresentar —já que afeta justamente músculos essenciais para postura, movimento e controle corporal.

A seguir, entenda o que é a doença, por que ela pode ser incapacitante e como é feito o tratamento.

O que é a síndrome da pessoa rígida

A síndrome da pessoa rígida (SPR) é uma doença rara do sistema nervoso, considerada autoimune —ou seja, ocorre quando o próprio sistema de defesa do organismo passa a atacar estruturas do corpo.

Segundo o neurologista Alex Baeta, da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, o quadro é caracterizado principalmente por:

  • rigidez muscular persistente
  • espasmos involuntários
  • dificuldade de locomoção

Esses sintomas costumam começar no tronco e podem se espalhar para braços e pernas. Em casos mais avançados, a rigidez pode comprometer atividades simples do dia a dia —e até impedir a pessoa de andar.

Por que a doença acontece

As causas ainda não são totalmente compreendidas, mas evidências indicam que a síndrome está ligada a uma resposta autoimune inadequada no cérebro e na medula espinhal.

De acordo com o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH), muitos pacientes apresentam níveis elevados de um anticorpo chamado anti-GAD, que interfere na produção de um neurotransmissor essencial para o controle dos movimentos.

Esse desbalanço pode deixar os músculos em estado constante de contração.

A síndrome também costuma estar associada a outras doenças autoimunes, como:

  • diabetes tipo 1,
  • vitiligo,
  • doenças da tireoide,
  • anemia perniciosa.

Além disso, é mais comum em mulheres do que em homens.

Sintomas podem ser confundidos com outras doenças

Um dos principais desafios da síndrome da pessoa rígida é o diagnóstico.

Os sintomas podem ser confundidos com condições mais comuns, como doença de Parkinson, esclerose múltipla, fibromialgia e até transtornos de ansiedade, o que pode atrasar a identificação correta do problema.

Em geral, o diagnóstico envolve avaliação clínica detalhada e exames laboratoriais, incluindo testes para detectar os anticorpos associados à doença.

Tratamento controla sintomas, mas não cura

Não há cura para a síndrome da pessoa rígida, mas existem tratamentos que ajudam a controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida.

Entre as abordagens mais usadas estão:

  • relaxantes musculares, como diazepam e baclofeno;
  • imunoglobulina intravenosa (IgIV);
  • corticoides;
  • imunoterapia, como o uso de anticorpos monoclonais (ex: rituximabe);
  • plasmaférese (filtragem do sangue para remover anticorpos).

O tratamento é individualizado e depende da gravidade do quadro.

Por que a doença afastou Céline Dion dos palcos

No caso de Céline Dion, a doença afetou diretamente sua capacidade de se apresentar.

Os espasmos musculares e a rigidez podem comprometer movimentos finos e controle corporal —fundamentais para cantar, sustentar notas e se movimentar no palco.

Em relatos públicos, a cantora já afirmou que os sintomas impactaram inclusive sua voz e sua resistência física.

A retomada anunciada agora tende a ser gradual e depende da resposta ao tratamento.

G1

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