Especialistas do Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC), órgão de saúde da União Europeia equivalente ao Ministério da Saúde, emitiram um alerta nesta sexta-feira (17) sobre o crescimento de casos de gonorreia resistente a antibióticos em diversos países do continente.

Segundo a entidade, além de registros associados a casos importados do Sudeste Asiático, já foi identificada a transmissão sustentada da bactéria resistente dentro da própria Europa, aumentando a preocupação das autoridades sanitárias.

A gonorreia é uma das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) mais frequentes no mundo. A doença é causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae e pode afetar diferentes partes do corpo, especialmente os órgãos genitais, além da garganta e do reto.

Resistência dificulta tratamento

Tradicionalmente, a gonorreia é tratada com antibióticos. No entanto, especialistas observam que a bactéria vem desenvolvendo resistência a diversos medicamentos ao longo das últimas décadas, incluindo alguns dos tratamentos mais utilizados anteriormente.

Esse fenômeno preocupa profissionais da saúde porque pode tornar os casos mais difíceis de tratar, aumentando o risco de complicações e favorecendo a disseminação da doença.

De acordo com o microbiologista Csaba Ködmön, integrante do ECDC, o avanço de cepas altamente resistentes pode reduzir significativamente as opções terapêuticas disponíveis no futuro.

“Se cepas com alta resistência a medicamentos se estabelecerem e continuarem a se disseminar, as opções de tratamento poderão tornar-se cada vez mais limitadas”, alertou o especialista em comunicado divulgado pelo órgão europeu.

Grupos considerados mais vulneráveis

O ECDC destaca que o risco de infecção é maior entre pessoas que mantêm relações sexuais sem proteção com parceiros casuais ou novos parceiros, indivíduos com múltiplos contatos sexuais e profissionais do sexo, além de seus clientes.

Por isso, as autoridades reforçam a importância do uso de preservativos como uma das principais formas de prevenção contra a gonorreia e outras infecções sexualmente transmissíveis.

Diagnóstico precoce é fundamental

Além das medidas preventivas, especialistas defendem a ampliação dos testes laboratoriais para identificar a resistência da bactéria aos medicamentos disponíveis.

Segundo o ECDC, o diagnóstico precoce permite iniciar rapidamente o tratamento adequado, reduzindo o risco de transmissão e evitando complicações mais graves.

A organização também destaca a necessidade de fortalecer a vigilância epidemiológica para monitorar o surgimento de novas cepas resistentes e orientar estratégias de saúde pública.

Sintomas nem sempre aparecem

Um dos desafios no combate à gonorreia é que muitas pessoas infectadas podem não apresentar sintomas, especialmente nas fases iniciais da doença.

Quando surgem, os sinais mais comuns incluem ardência ao urinar, corrimento genital, dor pélvica e desconforto durante as relações sexuais. Sem tratamento adequado, a infecção pode provocar complicações importantes, incluindo infertilidade e infecções mais graves.

Prevenção continua sendo a melhor estratégia

Diante do avanço das cepas resistentes, especialistas reforçam que a prevenção continua sendo a principal ferramenta para reduzir a disseminação da doença.

O uso correto de preservativos, a realização periódica de exames, especialmente por pessoas com vida sexual ativa, e a busca por atendimento médico diante de qualquer sintoma suspeito são medidas consideradas fundamentais para proteger a saúde individual e coletiva.

O alerta do ECDC serve como um sinal de atenção para autoridades de saúde em todo o mundo, diante do desafio crescente representado pela resistência antimicrobiana, considerada uma das maiores ameaças globais à saúde pública nas próximas décadas.