Vídeos divulgados pela própria Defesa civil teriam servido de tutorial na operação do sistema, com credenciais de servidores.
A Polícia Federal (PF) instaurou nesta segunda-feira (22) um inquérito para investigar a invasão ao sistema nacional de alertas da Defesa Civil, após o envio de mensagens falsas para celulares de brasileiros entre a noite da última sexta-feira (19) e a madrugada de sábado (20).
As notificações, que causaram preocupação e surpresa entre milhares de usuários, continham mensagens sem relação com situações reais de emergência, incluindo conteúdos considerados perturbadores. Em um dos alertas, foi exibida apenas a palavra “misantropia”, termo que significa aversão ou desprezo pela humanidade.
De acordo com as primeiras informações apuradas pelas autoridades, um adolescente seria ao menos um dos envolvidos na ação. A suspeita é de que ele tenha utilizado credenciais de servidores públicos autorizados a acessar o sistema de alertas e, com base em tutoriais divulgados pela própria Defesa Civil sobre o funcionamento da ferramenta, conseguido inserir mensagens indevidas na plataforma.
A investigação busca esclarecer como as credenciais foram obtidas, se houve falhas de segurança e se outras pessoas participaram da invasão. A Polícia Federal também trabalha para identificar todos os responsáveis e determinar a extensão dos danos causados ao sistema.
Alertas atingiram diversos estados
Segundo a Defesa Civil, foram registrados pelo menos dez disparos indevidos para aparelhos celulares em diferentes regiões do país. Nove das mensagens utilizaram a tecnologia Cell Broadcast, mecanismo empregado pelo sistema Defesa Civil Alerta para comunicar situações de risco iminente à população.
Esse tipo de alerta é considerado de nível extremo e, normalmente, é acompanhado por um sinal sonoro de alta intensidade, utilizado em casos de desastres naturais, enchentes, deslizamentos e outras situações de emergência.
Além dos alertas via Cell Broadcast, uma das mensagens foi enviada por meio de SMS convencional.
Entre os estados afetados estão São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal.
Possíveis crimes investigados
A Polícia Federal avalia o enquadramento dos envolvidos em diferentes crimes previstos na legislação brasileira. Entre eles estão invasão de dispositivo informático, atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública e interrupção ou perturbação de serviços informáticos e de comunicação.
As penas, somadas, podem resultar em vários anos de prisão, dependendo da participação e da gravidade das condutas identificadas durante a investigação.
Debate sobre punições mais severas
Diante da repercussão do caso, a Secretaria de Justiça e Cidadania do Estado do Paraná divulgou nota defendendo que os responsáveis sejam investigados também à luz da chamada Lei Antiterrorismo, argumentando que o uso indevido de sistemas de alerta pode gerar pânico coletivo e comprometer a confiança da população em mecanismos essenciais de proteção civil.
Especialistas destacam que a credibilidade dos sistemas de emergência é fundamental para a segurança pública. Quando alertas falsos são disseminados, existe o risco de que futuras mensagens legítimas sejam ignoradas pela população, comprometendo a eficácia das ações de prevenção e resposta a desastres.
Enquanto as investigações avançam, a Defesa Civil reforçou que seus sistemas continuam operando normalmente e orientou a população a buscar informações apenas por canais oficiais em caso de alertas ou comunicados de emergência.















