A Paraíba deve enfrentar um segundo semestre marcado por temperaturas acima da média e períodos de estiagem mais severos por causa do El Niño de 2026. De acordo com especialistas, o fenômeno climático tem potencial para ser um dos mais intensos dos últimos anos, aumentando os riscos de ondas de calor, redução dos níveis dos reservatórios e impactos no abastecimento de água, principalmente nas regiões do Sertão e do Cariri.
Além do calor mais intenso, o El Niño também poderá influenciar a próxima estação chuvosa no estado, prevista para ocorrer entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027.
O que é o El Niño?
O El Niño é um fenômeno climático provocado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento ocorre devido ao enfraquecimento dos ventos alísios, responsáveis por deslocar as águas quentes em direção à Ásia e à Oceania.
Com os ventos menos intensos, as águas aquecidas permanecem na superfície do oceano, alterando a circulação atmosférica e modificando os padrões de chuva e temperatura em diversas regiões do planeta, incluindo o Brasil.
Fenômeno pode ser um dos mais fortes dos últimos anos
Em entrevista ao g1, a meteorologista Morgana Almeida, do Instituto Nacional do Semiárido (Insa), explicou que os atuais padrões de aquecimento das águas do Pacífico indicam que o El Niño de 2026 poderá alcançar intensidade forte ou muito forte.
Segundo a especialista, o aquecimento começou na costa do Peru ainda no início do ano, caracterizando o chamado El Niño Costeiro, e se consolidou na região central do Pacífico a partir de abril, área que exerce maior influência sobre o clima brasileiro.
Projeções da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) indicam alta probabilidade de que a temperatura da superfície do oceano ultrapasse 2°C acima da média, cenário suficiente para classificar o fenômeno entre os mais intensos.
Para os especialistas, a combinação entre um El Niño forte e o aquecimento global pode potencializar eventos climáticos extremos em diferentes regiões do mundo.
Impactos esperados na Paraíba
Na Paraíba, os principais efeitos deverão ser sentidos entre os meses de agosto, setembro e outubro, período que já corresponde à estação mais seca no interior do estado.
Segundo Morgana Almeida, o fenômeno poderá provocar dias consecutivos de temperaturas elevadas e aumentar a possibilidade de ondas de calor.
O calor excessivo também tende a provocar uma série de impactos indiretos, como:
- Redução da umidade relativa do ar;
- Piora da qualidade do ar;
- Maior evaporação da água dos açudes e reservatórios;
- Aumento da demanda por água;
- Crescimento do consumo de energia elétrica.
Esses fatores podem afetar tanto a população quanto as atividades agrícolas e pecuárias, especialmente nas áreas mais vulneráveis à seca.
Próxima estação chuvosa também pode ser afetada
Outro ponto de atenção é a influência do fenômeno sobre o próximo período de chuvas.
Caso o El Niño permaneça forte até o fim do ano, a tendência é que a estação chuvosa entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027 apresente volumes inferiores ao esperado, principalmente no Sertão paraibano.
Isso pode comprometer a recuperação dos reservatórios e dificultar ainda mais a convivência com a seca em diversas cidades.
Sertão e Cariri devem sentir os maiores impactos
De acordo com a meteorologista, o Sertão e o Cariri serão as regiões mais afetadas, com temperaturas mais elevadas e baixa umidade do ar durante o segundo semestre.
Já no Litoral, Brejo e Agreste, o principal reflexo deverá ser a redução do volume total de chuvas durante a estação chuvosa. Apesar disso, especialistas ressaltam que o fenômeno não impede a ocorrência de episódios isolados de chuva intensa, como os registrados recentemente em algumas regiões do estado.
Diante das previsões, especialistas reforçam a importância do uso consciente da água, do monitoramento constante dos reservatórios e do acompanhamento das atualizações meteorológicas, já que os impactos do El Niño podem variar conforme a evolução do fenômeno ao longo dos próximos meses.








