Medicamento cabotegravir, aplicado a cada dois meses, será avaliado pelo Ministério da Saúde antes de possível incorporação à rede pública.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou nesta terça-feira (28) que o governo federal encaminhou uma proposta para avaliar a inclusão do cabotegravir injetável no Sistema Único de Saúde (SUS) como estratégia de prevenção ao HIV.

O anúncio foi feito durante a Conferência Internacional de Aids, realizada no Rio de Janeiro. A proposta será analisada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), que deverá avaliar os custos, a eficácia e o impacto da disponibilização do medicamento na rede pública.

Atualmente, o SUS já oferece a PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) contra o HIV em comprimidos. A nova versão do cabotegravir funciona por meio de uma aplicação injetável com intervalo de aproximadamente dois meses.

O medicamento recebeu aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2023.

Nova opção de prevenção ao HIV

Durante o anúncio, Padilha informou que o laboratório responsável pelo medicamento apresentou ao governo brasileiro uma proposta considerada competitiva e viável para o país.

Apesar do avanço, ainda não há previsão para o início da distribuição da versão injetável pelo SUS nos estados.

A PrEP atualmente disponível na rede pública utiliza os medicamentos tenofovir e entricitabina, conhecidos comercialmente como Truvada, que atuam preparando o organismo para reduzir o risco de infecção em caso de exposição ao HIV.

Para o médico infectologista Fernando Chagas, a chegada da PrEP injetável representa uma evolução importante na prevenção.

Segundo o especialista, a estratégia é considerada uma inovação no combate ao HIV e já recebeu aprovação de órgãos reguladores internacionais, como a agência de saúde dos Estados Unidos, além de recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) desde 2022.

Dados mostram desafios no combate ao HIV na Paraíba

Na Paraíba, os números mostram que o HIV continua sendo uma questão de saúde pública.

De acordo com dados do Complexo Hospitalar Clementino Fraga, referência estadual no atendimento a pessoas vivendo com HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), foram realizados 8.650 testes rápidos em 2025, com índice de positividade de 8,08%.

O levantamento aponta ainda que mais de 8 mil pessoas seguem em tratamento antirretroviral no estado.

Entre janeiro e outubro, foram registrados 503 novos diagnósticos, com maior concentração entre pessoas de 35 a 49 anos. Os homens representam cerca de 76% dos novos casos identificados.

Nos últimos 12 anos, a Paraíba contabilizou 731 mortes relacionadas à Aids, sendo 31 óbitos registrados em 2025.

Diferença entre HIV e Aids

O HIV é o vírus da imunodeficiência humana, responsável por atacar o sistema imunológico do organismo. A infecção pode permanecer por anos sem apresentar sintomas significativos.

Já a Aids é o estágio mais avançado da infecção pelo HIV, quando o sistema de defesa fica enfraquecido e permite o surgimento de doenças oportunistas, como tuberculose, hepatites virais e pneumonias.

Com o diagnóstico precoce e o tratamento adequado com medicamentos antirretrovirais, pessoas vivendo com HIV podem ter qualidade de vida e manter o vírus controlado.

A prevenção, o diagnóstico e o início rápido do tratamento continuam sendo considerados fundamentais para reduzir novos casos e mortes relacionadas ao HIV e à Aids.