A chamada “distorção idade-série”, que mede o número de estudantes que estão dois ou mais anos atrasados em relação à etapa escolar adequada para sua idade, apresentou queda no Brasil em 2025. O avanço foi registrado em todas as regiões e estados, segundo uma análise do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), com base em dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

No ensino fundamental da rede pública, o índice caiu de 18,7% em 2019 para 11,3% em 2025, indicando uma redução significativa no número de crianças e adolescentes que enfrentam atraso na trajetória escolar.

Já no ensino médio público, a taxa passou de 28,9% para 17,6% no mesmo período.

A distorção ocorre quando o estudante está com idade acima da recomendada para a série que frequenta, geralmente como consequência de reprovações, abandono temporário dos estudos ou dificuldades de aprendizagem.

Nordeste e Norte tiveram maiores avanços

De acordo com o Unicef, todas as regiões brasileiras apresentaram melhora nos indicadores. Os maiores avanços ocorreram justamente nas regiões que historicamente enfrentavam os maiores índices de atraso escolar: Norte e Nordeste.

No ensino fundamental público, os dados foram:

Nordeste

  • 2019: 25,2%
  • 2025: 14,4%

Norte

  • 2019: 26%
  • 2025: 17,2%

Sul

  • 2019: 16,1%
  • 2025: 9,8%

Sudeste

  • 2019: 12,9%
  • 2025: 8%

Centro-Oeste

  • 2019: 15%
  • 2025: 10,4%

Pandemia ainda impacta aprendizagem

Apesar da melhora nos números, especialistas alertam que os efeitos da pandemia de Covid-19 ainda aparecem na educação brasileira.

A chefe da área de Educação do Unicef no Brasil, Mônica Dias Pinto, destacou que muitos estudantes ainda apresentam dificuldades de aprendizagem mesmo estando na série adequada para a idade.

Segundo ela, é necessário ampliar políticas públicas específicas para alunos que tiveram suas trajetórias escolares prejudicadas.

“É fundamental seguir ampliando políticas específicas, voltadas a estudantes com dois ou mais anos de atraso escolar, entendendo as vulnerabilidades que impactam as trajetórias escolares deles, e tomando medidas para que consigam recuperar o tempo perdido, recompor as aprendizagens e construir trajetórias de sucesso escolar”, afirmou.

Políticas educacionais contribuíram para melhora

A especialista em educação do Unicef Brasil, Julia Ribeiro, avaliou que medidas voltadas aos anos finais do ensino fundamental, a formação continuada de professores e melhorias no fluxo escolar contribuíram para a redução dos índices.

Ela também destacou a ampliação da educação infantil e da pré-escola como um fator importante para garantir que mais crianças ingressem no ensino fundamental na idade adequada.

Segundo Ribeiro, regiões como Norte e Nordeste tinham um cenário historicamente mais desafiador, mas conseguiram avanços importantes com a implementação de estratégias educacionais.

Desafio continua sendo garantir permanência e aprendizagem

Mesmo com a redução da distorção idade-série, o Unicef reforça que o desafio agora é garantir que os estudantes não apenas avancem de etapa, mas também tenham acesso a uma aprendizagem de qualidade.

A recuperação das defasagens, o fortalecimento das escolas e o apoio aos alunos em situação de vulnerabilidade continuam sendo apontados como caminhos para construir trajetórias escolares mais bem-sucedidas em todo o país.