O aumento dos casos de sarampo no estado de São Paulo voltou a chamar atenção para a importância da vacinação. Neste ano, já foram registrados 23 casos da doença, levando as autoridades de saúde a ampliar temporariamente a recomendação de imunização em algumas cidades.
A vacinação com a tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, passou a ser recomendada para pessoas de 6 meses a 59 anos que vivem em São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo.
Uma dúvida, porém, surgiu entre muitas pessoas: por que quem tem 60 anos ou mais não está incluído nessa vacinação indiscriminada?
A explicação está relacionada à história da circulação do sarampo no Brasil.
Por que os idosos ficaram de fora?
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, pessoas com 60 anos ou mais, em geral, tiveram contato com o vírus do sarampo em diferentes momentos da vida, especialmente porque a doença circulava amplamente no país antes da consolidação das campanhas de vacinação.
Até o início da década de 1990, o sarampo era considerado endêmico no Brasil, com grandes ondas de transmissão a cada dois ou três anos.
A vacina começou a ser utilizada no país ainda no final da década de 1960, mas sua aplicação não era realizada de maneira contínua e abrangente como ocorre atualmente.
Por esse motivo, a Secretaria de Saúde considera que parte significativa da população com 60 anos ou mais desenvolveu imunidade natural após ter entrado em contato com o vírus ao longo da vida.
Isso explica por que essa faixa etária não está incluída na atual recomendação de vacinação indiscriminada em São Paulo.
Isso significa que pessoas acima de 60 anos nunca precisam se vacinar?
Não.
A exclusão da faixa etária acima de 60 anos se refere especificamente à vacinação indiscriminada, adotada durante o atual cenário de circulação da doença em determinados municípios.
Existe uma diferença importante em situações de bloqueio vacinal.
Quando uma pessoa entra em contato com um caso suspeito ou confirmado de sarampo, as equipes de saúde avaliam individualmente a necessidade de imunização. Nesses casos, pessoas com mais de 60 anos também podem precisar ser reimunizadas.
Profissionais de saúde que não possuem as duas doses recomendadas também devem ter a situação vacinal avaliada.
Por que São Paulo ampliou a vacinação?
A vacinação indiscriminada foi adotada em São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo devido à confirmação de casos e ao risco de disseminação do sarampo.
Nos demais municípios paulistas, a orientação é intensificar a verificação das cadernetas de vacinação, identificar pessoas que estejam com doses atrasadas e realizar busca ativa quando necessário.
Quem pretende viajar para uma dessas cidades e permanecer por mais de um dia também deve verificar sua situação vacinal e manter a caderneta atualizada, seguindo as orientações do Programa Nacional de Imunizações (PNI).
Quem não deve tomar a tríplice viral?
A vacina tríplice viral é produzida com vírus vivos enfraquecidos e, por isso, possui algumas contraindicações.
Gestantes não devem receber o imunizante. Pessoas com imunodeficiência grave ou que tenham histórico de reação alérgica grave a algum componente da vacina também não devem ser imunizadas.
Por outro lado, mulheres que estão amamentando podem receber a vacina normalmente. A amamentação não precisa ser interrompida após a vacinação.
Vacinação continua sendo a principal proteção
O sarampo é uma doença altamente transmissível e pode provocar complicações, principalmente em pessoas mais vulneráveis.
A atual estratégia adotada em São Paulo busca interromper a circulação do vírus e evitar que novos casos sejam registrados.
Por isso, a orientação das autoridades é que cada pessoa verifique sua situação vacinal e procure uma unidade de saúde quando houver indicação. Em caso de dúvida sobre a necessidade de receber uma dose, a avaliação deve ser feita por um profissional de saúde.













