Uma simples propaganda vista durante a rotina acabou levando Denise Lee, uma norte-americana que havia fumado por quatro décadas, a descobrir um câncer de pulmão antes mesmo do surgimento de sintomas. Aos 54 anos, em 2017, ela havia acabado de abandonar o cigarro quando se deparou com um outdoor em Fremont, na Califórnia, informando que ex-fumantes poderiam participar de um programa de rastreamento da doença.

A mensagem despertou a atenção de Denise. Ela acessou o site indicado na campanha e respondeu a um questionário inicial para verificar se poderia participar do programa. Depois de ser considerada elegível, procurou atendimento médico e realizou uma tomografia computadorizada.

Menos de 24 horas depois do exame, recebeu uma ligação do pneumologista. O médico pediu que ela retornasse ao consultório o mais rapidamente possível.

Na consulta, Denise recebeu uma notícia que mudaria completamente seus planos. Os exames haviam identificado uma massa no lobo superior esquerdo do pulmão, com características que levantavam a suspeita de câncer.

“Eu nunca me esquecerei daquela conversa”, relatou a norte-americana à revista People.

Até aquele momento, Denise não apresentava sintomas que indicassem que havia algo errado. A descoberta aconteceu justamente por meio de um exame realizado após ela tomar conhecimento da campanha de rastreamento.

Um diagnóstico que chegou antes dos sintomas

Depois de conversar com sua médica de família, Denise passou por uma sequência de exames complementares. A confirmação veio após uma biópsia: tratava-se realmente de um câncer de pulmão.

A notícia provocou medo e insegurança. Denise conta que, naquele primeiro momento, sua reação foi pensar que morreria.

O diagnóstico, entretanto, havia sido feito em uma fase em que ainda era possível realizar uma intervenção cirúrgica com o objetivo de retirar o tumor.

Em março de 2018, ela foi submetida a uma cirurgia considerada complexa. Os médicos retiraram todo o lobo superior esquerdo do pulmão e também 18 linfonodos, procedimento realizado para verificar se a doença havia se espalhado.

Felizmente, os exames mostraram que o câncer não havia atingido outras regiões.

A etapa seguinte do tratamento envolveu quatro sessões de quimioterapia. Denise também foi selecionada para participar de um estudo clínico envolvendo um medicamento de imunoterapia, administrado mensalmente.

O tratamento apresentou bons resultados. Segundo o relato da norte-americana, ela permanece sem recorrência da doença há oito anos.

Para Denise, a descoberta precoce teve papel fundamental nessa trajetória. Por isso, ela atribui ao outdoor uma importância especial em sua história.

A campanha que encontrou por acaso acabou funcionando como um alerta em um momento decisivo de sua vida.

Quatro décadas de relação com o cigarro

A história de Denise com o tabagismo começou ainda na adolescência. Ela tinha apenas 14 anos quando fumou seu primeiro cigarro.

Segundo seu relato, o cigarro fazia parte da rotina familiar e, inicialmente, ela acreditava que fumar poderia ajudá-la a controlar o peso.

Com o passar dos anos, o hábito ganhou outros significados. Durante a faculdade, Denise passou a recorrer ao cigarro principalmente em momentos de estresse.

O que começou como uma experiência na adolescência acabou se transformando em um comportamento mantido durante quatro décadas.

Em 2017, aos 54 anos, ela decidiu parar de fumar. Para conseguir abandonar o hábito, contou com o auxílio de medicamentos.

A decisão aconteceu justamente no período em que encontrou a campanha de rastreamento.

Naquele momento, ela já sabia que precisava deixar o cigarro, mas ainda não tinha dimensão completa dos riscos que havia acumulado ao longo dos anos.

“Eu tinha 54 anos e sabia que precisava parar. Eu queria parar, mas não sabia que, em termos de saúde, precisava mesmo”, contou.

A descoberta do tumor reforçou para Denise a importância de prestar atenção às campanhas de prevenção e aos exames recomendados para pessoas que apresentam fatores de risco.

Câncer de pulmão pode não apresentar sintomas no início

A experiência vivida por Denise também chama atenção para uma característica importante do câncer de pulmão: a doença pode permanecer silenciosa durante as fases iniciais.

Quando sintomas aparecem, eles podem variar conforme a localização e o estágio do tumor. Tosse persistente, falta de ar, dor no peito, rouquidão, perda de peso sem explicação e presença de sangue no escarro estão entre sinais que podem exigir investigação médica.

No entanto, a ausência desses sintomas não significa necessariamente que não exista uma alteração.

Por esse motivo, pessoas que apresentam fatores de risco devem conversar com profissionais de saúde sobre a necessidade de acompanhamento e exames de rastreamento.

O histórico de tabagismo é um dos principais fatores relacionados ao desenvolvimento do câncer de pulmão. Quanto maior a exposição ao cigarro ao longo da vida, maior pode ser o risco.

Parar de fumar continua sendo uma das medidas mais importantes para reduzir riscos à saúde.

A importância do diagnóstico precoce

O caso de Denise também evidencia como o diagnóstico precoce pode fazer diferença na condução do tratamento.

Quando uma doença é identificada antes de apresentar sinais mais avançados, existem situações em que as possibilidades terapêuticas podem ser maiores.

No caso dela, a tomografia identificou uma massa que ainda podia ser tratada cirurgicamente. Após a retirada do tumor, exames complementares ajudaram os médicos a verificar que não havia evidência de disseminação para os linfonodos analisados.

Isso permitiu que Denise continuasse o tratamento com quimioterapia e, posteriormente, participasse de uma pesquisa clínica de imunoterapia.

É importante destacar, porém, que cada caso de câncer é diferente. O tipo de tumor, o estágio da doença, as condições de saúde do paciente e outros fatores influenciam diretamente a escolha do tratamento.

De paciente a defensora da prevenção

Depois de enfrentar a doença, Denise decidiu transformar sua experiência pessoal em uma forma de ajudar outras pessoas.

Atualmente, ela participa do Grupo Consultivo de Pacientes com Câncer de Pulmão da Associação Americana do Pulmão, contribuindo para iniciativas relacionadas à saúde e compartilhando sua experiência.

O objetivo é mostrar que o câncer de pulmão não deve ser tratado apenas como uma doença distante ou associada exclusivamente a pessoas que apresentam sintomas.

Sua própria história mostra que uma pessoa pode descobrir a doença durante um período em que aparentemente está bem.

Ao falar publicamente sobre sua experiência, Denise também procura incentivar pessoas que se enquadram nos critérios de rastreamento a conversar com profissionais de saúde e verificar se precisam realizar os exames recomendados.

Uma mensagem que nasceu de uma experiência pessoal

Hoje, aos 63 anos, Denise afirma que retomou atividades que fazem parte de sua vida. Ela viaja, pratica exercícios e continua trabalhando com outras pessoas que receberam o diagnóstico de câncer de pulmão.

A experiência deixou marcas, mas também trouxe uma nova perspectiva sobre a importância da prevenção.

“Agora estou ótima. Continuo viajando, fazendo exercícios e trabalhando com outras pessoas diagnosticadas com câncer de pulmão”, afirmou.

Para ela, compartilhar a própria trajetória é uma maneira de transformar uma experiência difícil em algo que possa beneficiar outras pessoas.

A principal mensagem que Denise leva adiante é simples: quem se enquadra nos critérios para rastreamento deve buscar orientação médica e verificar se o exame é indicado.

No caso dela, uma propaganda vista na rua levou a uma consulta, que levou a uma tomografia e, finalmente, a um diagnóstico que poderia ter demorado muito mais para ser descoberto.

O outdoor não foi um tratamento, mas serviu como um lembrete no momento certo. E, para Denise, essa lembrança acabou mudando o rumo de sua história.