O mercado financeiro brasileiro iniciou a semana em clima de maior apetite ao risco. O dólar comercial encerrou esta segunda-feira (21) em queda de 0,70%, cotado a R$ 5,108, enquanto o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, terminou o pregão aos 186.595,60 pontos, com alta de 0,74%. Ao longo do dia, o índice chegou a operar próximo dos 186,7 mil pontos e acumulou avanço de mais de 1,3 mil pontos em relação à abertura.
O movimento ocorreu em meio à combinação de fatores externos e domésticos. Entre os principais destaques esteve a quarta queda consecutiva dos preços internacionais do petróleo, em um cenário de redução das preocupações com o fornecimento da commodity e de expectativas de avanço nas conversas diplomáticas entre Estados Unidos e Irã.
A redução das cotações do petróleo tende a diminuir parte da pressão sobre os custos de energia e transporte em diferentes economias, embora o impacto final sobre inflação e atividade dependa de outros fatores.
No mercado brasileiro, investidores também acompanharam as novas projeções para a economia divulgadas pelo Banco Central, além das repercussões do cenário eleitoral de 2026.
Petróleo registra quarta queda consecutiva
O petróleo voltou a ser um dos principais protagonistas do pregão internacional.
O contrato do Brent para novembro, referência para o mercado global, caiu 3,40%, encerrando o dia a US$ 100,34 por barril. Já o WTI, referência nos Estados Unidos, recuou 4,51%, para US$ 95,78. Os dados refletem o quarto pregão consecutivo de baixa da commodity.
Parte do movimento foi associada à possibilidade de retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã. Declarações do presidente norte-americano Donald Trump sobre a possibilidade de um encontro com o presidente iraniano Masoud Pezeshkian durante a Assembleia Geral das Nações Unidas também foram acompanhadas de perto pelos investidores.
Além da perspectiva diplomática, o mercado observou a recuperação parcial dos fluxos de petróleo da Arábia Saudita. Segundo informações divulgadas pela Reuters, o aumento das exportações sauditas contribuiu para aliviar preocupações relacionadas à oferta mundial da commodity.
A queda dos preços ocorre, entretanto, em um contexto ainda marcado por tensões no Oriente Médio. Por isso, os investidores continuam atentos a possíveis mudanças no cenário geopolítico, que podem alterar novamente as expectativas para a oferta e os preços do petróleo.
Queda do petróleo influencia mercados
O preço do petróleo tem impacto direto ou indireto sobre diversas áreas da economia mundial. Quando a commodity fica mais cara, aumentam os custos de produção, transporte e energia, o que pode contribuir para pressionar os índices de inflação.
Quando ocorre o movimento contrário, como o registrado nesta segunda-feira, parte dessas pressões pode diminuir.
No Brasil, a relação é especialmente relevante porque empresas ligadas à exploração, produção e distribuição de petróleo possuem peso importante no mercado acionário.
Mesmo com a queda da commodity, o Ibovespa conseguiu avançar durante o pregão, mostrando que outros fatores estavam influenciando as decisões dos investidores.
O resultado também ocorreu em um dia de valorização das bolsas norte-americanas. Em Nova York, o Dow Jones avançou 0,71%, enquanto o S&P 500 subiu 1,49% e o Nasdaq, concentrado em empresas de tecnologia, ganhou 2,26%.
O desempenho internacional ajudou a formar um ambiente de maior disposição para ativos de risco.
Mercado acompanha encontro entre Trump e Xi Jinping
Outro assunto acompanhado pelos investidores foi a expectativa em torno do encontro entre os presidentes dos Estados Unidos e da China, Donald Trump e Xi Jinping.
A reunião está prevista para quinta-feira (24) e pode envolver discussões relacionadas às relações comerciais entre as duas maiores economias do mundo.
Questões tarifárias e o desenvolvimento de tecnologias de inteligência artificial estão entre os temas que despertam atenção dos mercados.
Uma eventual redução das tensões comerciais entre Washington e Pequim poderia alterar as expectativas de empresas e investidores em diferentes setores.
O mercado, entretanto, trabalha com cenários e expectativas. Por isso, os efeitos concretos dependerão do conteúdo das conversas e de eventuais medidas anunciadas posteriormente.
Focus reduz projeção para a Selic
No cenário doméstico, o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira trouxe mudanças nas expectativas para os principais indicadores da economia brasileira.
A projeção do mercado para a Selic ao final de 2026 caiu de 13,75% para 13,50% ao ano. A estimativa aponta para a possibilidade de uma nova redução dos juros até o fim do ano.
A taxa básica de juros estava em 13,75% após a decisão mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom).
Ao mesmo tempo, os economistas consultados pelo Banco Central elevaram a previsão para a inflação oficial. A estimativa para o IPCA passou de 4,90% para 4,92% em 2026.
A projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) também foi revisada. O mercado passou a estimar expansão de 1,88%, ante 1,89% na semana anterior.
Para o dólar ao fim de 2026, a mediana das projeções permaneceu em R$ 5,20.
Esses números ajudam a explicar parte da atenção dos investidores às próximas decisões do Banco Central. Juros mais baixos podem reduzir o custo do crédito e alterar a atratividade relativa de diferentes investimentos, embora também dependam da trajetória da inflação e das condições econômicas.
Eleições entram no radar dos investidores
O cenário político-eleitoral brasileiro também esteve entre os assuntos acompanhados pelo mercado nesta segunda-feira.
Pesquisas eleitorais divulgadas recentemente passaram a ser incorporadas às análises de investidores e instituições financeiras, especialmente diante da aproximação do calendário eleitoral de 2026.
A pesquisa BTG/Nexus mencionada no cenário de mercado apontou disputa acirrada em diferentes cenários. Os resultados de pesquisas eleitorais podem influenciar expectativas econômicas porque investidores procuram avaliar possíveis mudanças nas políticas fiscal, monetária e econômica após a eleição.
É importante, porém, diferenciar pesquisa eleitoral de resultado eleitoral. Levantamentos registram a opinião dos entrevistados no momento em que são realizados e podem mudar conforme a campanha, os acontecimentos políticos e as condições econômicas.
Assim, a repercussão no mercado representa uma reação às expectativas dos investidores, e não uma indicação de resultado definitivo da eleição.
Dólar acompanha fatores internos e externos
A queda da moeda norte-americana para R$ 5,108 refletiu uma combinação de fatores.
No ambiente internacional, o dólar continuou sendo influenciado pela percepção sobre os juros nos Estados Unidos, pelas expectativas relacionadas à economia global e pelos acontecimentos geopolíticos.
No Brasil, além das projeções para a Selic e da dinâmica dos mercados externos, o cenário político também entrou no radar dos investidores.
O movimento do real ocorreu mesmo com o índice DXY, que mede o dólar diante de uma cesta de moedas internacionais, registrando alta no dia, segundo dados divulgados durante o pregão.
Isso mostra que fatores domésticos podem ganhar peso na formação da cotação do dólar em determinados momentos.
O que o mercado observa daqui para frente
O desempenho desta segunda-feira mostra um mercado atento a diferentes variáveis simultaneamente.
De um lado, a queda do petróleo trouxe algum alívio para as preocupações relacionadas à inflação global. De outro, continuam no radar as tensões geopolíticas, as negociações entre Estados Unidos e Irã e os desdobramentos das relações entre Washington e Pequim.
No Brasil, as atenções permanecem voltadas para a trajetória da inflação, os próximos passos do Banco Central e a evolução das expectativas para a Selic.
O calendário eleitoral também tende a ganhar espaço nas análises econômicas à medida que 2026 avança.
Por enquanto, os números do pregão mostram uma sessão positiva para os ativos brasileiros: o dólar caiu, enquanto o Ibovespa avançou. O cenário, porém, continua sujeito a mudanças rápidas, especialmente diante das decisões de política econômica, dos indicadores de inflação e dos acontecimentos no mercado internacional.
Para investidores e empresas, o momento exige acompanhamento constante das informações, já que mudanças em juros, petróleo, câmbio e expectativas políticas podem alterar significativamente as condições dos mercados financeiros.















