Sedentarismo, estresse, má alimentação e privação de sono estão entre os principais fatores que aumentam o risco de doenças cardiovasculares antes dos 40 anos
Durante muitos anos, o infarto foi visto como um problema associado principalmente ao envelhecimento. No entanto, especialistas têm observado uma mudança preocupante nesse cenário: cada vez mais adultos jovens estão desenvolvendo doenças cardiovasculares, muitas vezes impulsionadas por hábitos comuns da rotina moderna.
Sedentarismo, excesso de tempo diante das telas, alimentação rica em produtos ultraprocessados, privação de sono e altos níveis de estresse aparecem entre os principais fatores de risco apontados por médicos e pesquisadores.
Embora a genética possa influenciar a saúde cardiovascular, especialistas reforçam que o estilo de vida continua sendo o principal responsável pelo surgimento de grande parte dos problemas cardíacos.
Sedentarismo preocupa especialistas
Passar longos períodos sentado, praticar pouca atividade física e manter uma rotina predominantemente digital têm impactos significativos sobre a saúde do coração.
Segundo o cardiologista Edgard Ferreira dos Santos Júnior, do Hcor, em São Paulo, o sedentarismo já é considerado um fator de risco independente para doenças cardiovasculares.
“O sedentarismo não é apenas um fator indireto: ele é considerado hoje um fator de risco primário e independente para doenças cardiovasculares”, destaca o especialista.
Ele alerta que mesmo pessoas com peso considerado adequado podem sofrer consequências pela falta de movimentação diária.
Além disso, hábitos cada vez mais presentes entre os jovens, como o uso de cigarros eletrônicos, o consumo frequente de bebidas energéticas e noites mal dormidas, também vêm sendo associados ao aumento dos riscos cardiovasculares.
Estresse pode afetar diretamente o coração
Outro fator que preocupa especialistas é o estresse crônico. Pressões profissionais, ansiedade, excesso de responsabilidades e dificuldades para descansar adequadamente podem desencadear alterações importantes no organismo.
A exposição constante ao estresse favorece a liberação de hormônios como adrenalina e cortisol, que elevam a pressão arterial e aumentam a sobrecarga sobre o sistema cardiovascular.
De acordo com o cardiologista Vagner Vinicius Ferreira, o infarto geralmente é resultado de um processo que se desenvolve silenciosamente ao longo do tempo.
“O infarto não é um evento que acontece da noite para o dia. Na maioria das vezes, ele é o resultado de um processo que se desenvolve lentamente ao longo de anos”, explica.
Segundo o médico, o problema costuma estar associado a outros fatores de risco, como hipertensão, diabetes, tabagismo e doenças coronarianas.
Alimentação também tem papel decisivo
A alimentação inadequada é outro componente importante nesse cenário. O consumo frequente de alimentos ultraprocessados, ricos em sódio, açúcar e gorduras saturadas, contribui para o aumento do colesterol, da pressão arterial e do acúmulo de placas de gordura nas artérias.
Esse processo, conhecido como aterosclerose, pode comprometer a circulação sanguínea e aumentar significativamente o risco de infarto e outras complicações cardiovasculares.
Especialistas ressaltam que, mesmo quando existe predisposição genética, os hábitos alimentares podem influenciar diretamente a forma como essa condição se manifesta ao longo da vida.
Prevenção continua sendo a melhor estratégia
Apesar do aumento dos casos entre pessoas mais jovens, médicos destacam que grande parte dos fatores de risco pode ser controlada com mudanças simples na rotina.
A prática regular de atividades físicas, uma alimentação equilibrada, noites de sono adequadas, acompanhamento médico periódico e cuidados com a saúde mental são medidas capazes de reduzir significativamente as chances de desenvolver doenças cardiovasculares.
Como o infarto costuma ser consequência de um processo gradual e silencioso, a prevenção continua sendo a principal ferramenta para proteger o coração e garantir mais qualidade de vida ao longo dos anos.
O alerta dos especialistas é claro: cuidar da saúde cardiovascular não deve ser uma preocupação apenas da terceira idade. Cada escolha feita no dia a dia pode influenciar diretamente a saúde do coração no futuro.








