Uma ampla revisão científica publicada nesta quarta-feira (9) na revista médica The BMJ reforça o papel dos medicamentos no tratamento da obesidade, mas também destaca que a perda de peso, por si só, não é o único fator que deve ser considerado na escolha da terapia.
O estudo reuniu dados de 262 ensaios clínicos envolvendo 99.791 adultos com sobrepeso ou obesidade e comparou a eficácia e a segurança de 19 medicamentos utilizados atualmente no tratamento da doença.
Além da redução de peso, os pesquisadores avaliaram aspectos como qualidade de vida, saúde cardiovascular, função renal e possíveis efeitos adversos associados aos tratamentos.
Tirzepatida e CagriSema apresentaram os melhores resultados
Entre todos os medicamentos analisados, a tirzepatida apresentou a maior redução média de peso após um ano de tratamento, alcançando uma perda de aproximadamente 14,9% do peso corporal.
Logo em seguida apareceu a CagriSema, combinação dos medicamentos cagrilintida e semaglutida, com redução média de 14,8%.
Outros tratamentos também demonstraram resultados significativos, incluindo:
- Semaglutida oral;
- Semaglutida injetável;
- Orforglipron;
- Combinação fentermina-topiramato.
Os dados confirmam o avanço das terapias medicamentosas para obesidade, que nos últimos anos passaram a oferecer resultados antes considerados difíceis de alcançar apenas com mudanças no estilo de vida.
Maior perda de peso pode significar mais efeitos colaterais
Apesar dos benefícios observados, os pesquisadores identificaram uma relação importante: os medicamentos associados às maiores perdas de peso também apresentaram maior incidência de efeitos adversos.
Os problemas mais frequentes foram sintomas gastrointestinais, como náuseas, vômitos, desconforto abdominal e alterações intestinais.
Além disso, alguns tratamentos registraram taxas mais elevadas de interrupção por parte dos pacientes devido aos efeitos colaterais.
Benefícios para o coração variam entre os medicamentos
A revisão também analisou impactos além do emagrecimento.
A semaglutida injetável apresentou resultados positivos na redução do risco de morte por qualquer causa, além de benefícios relacionados à diminuição de casos de infarto e insuficiência cardíaca.
Já a tirzepatida demonstrou resultados favoráveis na redução do risco de insuficiência cardíaca.
Por outro lado, muitos dos medicamentos avaliados ainda não apresentaram evidências robustas de melhora significativa na qualidade de vida dos pacientes.
As informações relacionadas à proteção da função renal também permanecem limitadas e exigem novas pesquisas.
Especialistas destacam necessidade de tratamento individualizado
Os autores do estudo ressaltam que a obesidade é uma doença complexa e que nenhum medicamento pode ser considerado uma solução universal.
Segundo os pesquisadores, a escolha do tratamento deve considerar diversos fatores, incluindo:
- Potencial de perda de peso;
- Efeitos colaterais;
- Condições de saúde já existentes;
- Custos do tratamento;
- Disponibilidade dos medicamentos;
- Preferências e necessidades de cada paciente.
A revisão também destaca a necessidade de mais estudos capazes de acompanhar os efeitos dessas terapias por períodos mais longos, permitindo uma avaliação mais completa da segurança e dos benefícios ao longo dos anos.
Mudança de hábitos continua sendo fundamental
Embora os medicamentos representem um avanço importante no combate à obesidade, os especialistas reforçam que eles devem fazer parte de uma estratégia mais ampla de cuidado.
Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, acompanhamento médico e suporte multidisciplinar continuam sendo pilares fundamentais para a perda de peso sustentável e para a melhoria da saúde geral.
A pesquisa reforça que o tratamento da obesidade deve ser personalizado e conduzido por profissionais qualificados, garantindo que cada paciente receba a abordagem mais adequada para sua realidade e suas necessidades.
















