A ciência deu mais um passo importante na busca por uma cura para o HIV. Pesquisadores apresentaram, nesta segunda-feira (27), durante a 26ª Conferência Internacional sobre Aids, realizada no Rio de Janeiro, dois novos casos de pacientes que permanecem sem sinais do vírus após interromperem o tratamento com medicamentos antirretrovirais.
Com esses registros, chega a 13 o número de pessoas no mundo consideradas em possível remissão do HIV, um resultado que reforça os avanços da medicina, embora especialistas ressaltem que ainda é cedo para falar em cura definitiva.
Casos foram apresentados durante conferência internacional
Os dois pacientes passaram por transplantes de células-tronco para tratar doenças graves do sangue e, após o procedimento, deixaram de apresentar sinais detectáveis do HIV mesmo sem o uso contínuo dos medicamentos antirretrovirais.
Um dos casos é conhecido como “paciente do Kansas”, um jovem de 21 anos que vivia com HIV e foi diagnosticado com uma forma agressiva de leucemia.
Ele recebeu um transplante de células-tronco de uma doadora compatível portadora da rara mutação genética CCR5-delta32, que impede a entrada do HIV nas células do organismo.
Após enfrentar complicações e passar por um segundo transplante, os médicos interromperam o tratamento contra o HIV em fevereiro de 2025. Passados mais de 14 meses, exames continuam sem detectar o vírus no sangue ou em células capazes de reativar a infecção.
O segundo paciente também recebeu um transplante de um doador com a mesma mutação genética. Quatro anos após o procedimento, os medicamentos foram suspensos e, um ano depois, os exames laboratoriais continuam sem identificar vírus capazes de se multiplicar.
O que é a mutação CCR5-delta32?
A mutação CCR5-delta32 é uma alteração genética rara que impede o funcionamento de um receptor utilizado pelo HIV para invadir determinadas células do sistema imunológico.
Pessoas que herdam essa mutação possuem uma resistência natural a algumas variantes do vírus, motivo pelo qual ela tem sido estudada como uma das principais possibilidades para futuras estratégias de tratamento.
Por que ainda não se fala em cura?
Apesar dos resultados animadores, pesquisadores evitam afirmar que os pacientes estejam definitivamente curados.
Isso ocorre porque o HIV pode permanecer escondido em reservatórios do organismo, como células de defesa adormecidas, tecidos do intestino e do sistema nervoso. Nesses locais, o vírus pode permanecer inativo por anos antes de voltar a se multiplicar.
Por esse motivo, todos os pacientes considerados em remissão continuam sendo acompanhados por longos períodos para confirmar se o vírus realmente não retornará.
Transplante não é tratamento para a maioria dos pacientes
Os especialistas destacam que o transplante de células-tronco não representa uma solução para a maioria das pessoas que vivem com HIV.
Todos os casos de remissão registrados até hoje ocorreram em pacientes que precisavam do transplante para tratar doenças graves, como leucemia e linfomas. Além de complexo, o procedimento apresenta riscos elevados e só é indicado em situações muito específicas.
Assim, o objetivo das pesquisas é compreender por que esses pacientes alcançaram a remissão e utilizar esse conhecimento para desenvolver terapias mais seguras e acessíveis.
HIV e aids: qual é a diferença?
O HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana) é o vírus que ataca o sistema imunológico. Quando não tratado, ele pode evoluir para a aids (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida), estágio mais avançado da infecção.
Atualmente, o tratamento com medicamentos antirretrovirais permite controlar o vírus de forma eficaz, garantindo qualidade de vida e aumentando a expectativa de vida das pessoas diagnosticadas.
Além disso, quem mantém a carga viral indetectável por meio do tratamento também não transmite o HIV por via sexual, conceito conhecido como “Indetectável = Intransmissível (I=I)”.
O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece gratuitamente testes rápidos para diagnóstico, tratamento com antirretrovirais e a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), indicada para pessoas com maior risco de exposição ao vírus.
Embora os dois novos casos representem um importante avanço científico e renovem as esperanças de milhões de pessoas em todo o mundo, especialistas reforçam que o acompanhamento das pesquisas ainda é fundamental antes que se possa falar em uma cura definitiva para o HIV.

















