A noite da última sexta-feira entrou para a história da música baiana. O cantor e compositor Lazzo Matumbi gravou, na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, em Salvador, o primeiro álbum audiovisual de sua carreira fonográfica, celebrando 45 anos de trajetória artística em um espetáculo marcado por emoção, representatividade e homenagens à cultura afro-brasileira.
Intitulado “Matumbi Canta a Bahia”, o show reuniu convidados especiais, grandes sucessos e momentos de forte carga simbólica, transformando o palco em uma celebração da identidade, da resistência e da riqueza musical da Bahia.
Uma noite de celebração da cultura baiana
Diante de uma Concha Acústica completamente lotada, Lazzo Matumbi foi recebido com entusiasmo pelo público. A cantora Rachel Reis, uma das convidadas da noite, resumiu o sentimento ao saudá-lo com a frase: “Você é o rei”, antes de interpretar ao lado do artista a clássica “Bahia Comigo”, de Paulo Diniz e Odibar.
O espetáculo contou com direção artística de Manno Góes, direção musical do maestro Ubiratan Marques, além de uma grande produção que reuniu orquestra, bailarinos, projeções e um elaborado projeto de iluminação.
Uma trajetória marcada pela resistência
Nascido em Salvador, Lazzo Matumbi iniciou sua trajetória como vocalista do bloco afro Ilê Aiyê, entre 1978 e 1980, período em que ficou conhecido como Lazinho do Ilê.
Em 1981, iniciou a carreira solo e passou a consolidar seu nome como uma das vozes mais importantes da música baiana, ajudando a difundir ritmos como o samba-reggae e o reggae, sempre associando sua arte às lutas pela valorização da cultura negra.
Ao longo das décadas, tornou-se referência na música brasileira por unir qualidade artística, identidade cultural e ativismo social.
Repertório reuniu clássicos e mensagens de resistência
O roteiro percorreu diferentes momentos da carreira de Lazzo e homenageou importantes nomes da música baiana.
Entre os destaques estiveram interpretações de músicas como:
- Minha Paz
- Alegria da Cidade
- 14 de Maio
- Do Jeito Que Seu Nego Gosta
- Cheiro de Amor
- Me Abraça e Me Beija
A apresentação também trouxe releituras de clássicos da música brasileira, como:
- São Salvador, de Dorival Caymmi;
- Brasil Pandeiro, de Assis Valente;
- Sim/Não, de Caetano Veloso;
- É d’Oxum, de Gerônimo e Vevé Calazans;
- Cordeiro de Nanã, dos Tincoãs.
Durante a execução de “14 de Maio”, uma das canções mais marcantes da noite, Lazzo emocionou o público ao interpretar versos que abordam as dificuldades enfrentadas pela população negra após a abolição da escravidão.
Grandes convidados dividiram o palco
O espetáculo reuniu artistas de diferentes gerações da música baiana.
Entre os convidados estiveram:
- Rachel Reis;
- BNegão;
- Ravi Lobo;
- BaianaSystem.
Um dos momentos mais vibrantes aconteceu quando a BaianaSystem subiu ao palco para interpretar “Navio”, seguida de “Praia do Futuro” e “Do Jeito Que Seu Nego Gosta”, levando o público ao delírio.
Já o rapper Ravi Lobo dividiu os vocais em “Herança do Quilombo”, reforçando o caráter político e social do espetáculo.
Homenagem emocionante
O encerramento foi marcado por um momento de forte emoção.
Ao lado do coro Multivox, Lazzo interpretou “Me Abraça e Me Beija”, reggae composto em parceria com Gileno Félix, músico que faleceu recentemente.
A apresentação transformou-se em uma homenagem ao parceiro e emocionou o público, encerrando a gravação em clima de celebração, união e gratidão.
Um registro histórico da música baiana
Mais do que um registro audiovisual, “Matumbi Canta a Bahia” representa um tributo à cultura afro-brasileira e à trajetória de um dos artistas mais importantes da música baiana.
Com uma carreira construída sobre talento, resistência e compromisso com a valorização das raízes culturais do estado, Lazzo Matumbi reafirmou, diante de um teatro lotado, o papel da arte como instrumento de memória, identidade e transformação social.
O projeto chega como um marco na carreira do cantor e promete eternizar, em imagens e canções, uma noite que celebrou a história da Bahia, a força da música e o legado de um artista que há mais de quatro décadas dá voz à cultura e à luta do povo baiano.

















