Segundo capítulo do projeto aposta em brasilidade, referências religiosas e grandes participações, porém recebe críticas pela força do conceito superar a das músicas.

A cantora Anitta lançou nesta quinta-feira (23) a segunda parte do projeto “Equilibrivm”, dando continuidade à nova fase artística iniciada em abril, quando apresentou o primeiro álbum da série.

O trabalho representa uma mudança de direção na carreira da artista, com maior presença de elementos espirituais, referências à cultura brasileira e uma abordagem mais conceitual. A cantora passou a explorar temas ligados à fé, ao autoconhecimento e à sua relação com o candomblé, trazendo uma proposta diferente daquela que marcou seus maiores sucessos no pop e no funk.

A primeira parte do projeto foi bem recebida por parte da crítica e dos fãs, especialmente pela disposição da artista em assumir novos caminhos musicais. Com a repercussão positiva, Anitta decidiu expandir a ideia e lançou “Equilibrivm II”.

Continuidade de uma proposta mais espiritual

Ao explicar a nova fase do álbum, Anitta afirmou que buscou ampliar elementos que tiveram boa recepção no primeiro lançamento.

Em um dos vídeos de apresentação faixa a faixa, a cantora comentou que a boa resposta ao reggae presente no primeiro disco motivou a inclusão de mais músicas com essa influência.

O novo álbum segue a proposta de unir diferentes estilos e referências, passando por ritmos brasileiros, elementos internacionais e sonoridades ligadas à espiritualidade.

Projeto audiovisual ganha destaque

Além do disco, Anitta lançou um curta-metragem de aproximadamente 35 minutos, que acompanha a narrativa de “Equilibrivm”.

A produção audiovisual explora a relação da cantora com a própria trajetória, sua imagem pública, sua carreira e sua fé, utilizando diferentes recursos visuais e referências artísticas.

O material recebeu elogios pelo cuidado estético e pela construção da identidade do projeto, especialmente pela forma como a artista apresenta sua conexão com o candomblé e com elementos da cultura afro-brasileira.

Música divide opiniões

Apesar do impacto visual e conceitual, o desempenho das faixas do álbum recebeu avaliações mais variadas.

Para parte dos críticos, “Equilibrivm II” funciona melhor como trilha sonora de um grande projeto audiovisual do que como um álbum independente.

Entre os destaques estão “Sal Grosso”, parceria com o cantor KBrum, que mistura funk e dancehall, e “Oke”, colaboração com Brô MC’s e Katú Mirim, que combina elementos indígenas e uma atmosfera de música eletrônica.

Também chamou atenção “Contemplação”, faixa marcada por harmonias suaves e pela participação do Grupo Ofá, com vocais que reforçam a proposta espiritual do trabalho.

Participações de peso

O álbum conta ainda com nomes importantes da música brasileira.

A presença de Maria Bethânia, com sua interpretação marcante, e de Alceu Valença, trazendo sua identidade ao forró, reforça a intenção de Anitta de dialogar com diferentes gerações e tradições musicais do país.

O projeto também faz referências à obra de grandes artistas brasileiros, incluindo uma interpolação relacionada a Carmen Miranda.

Mesmo com essas participações, algumas faixas foram consideradas menos impactantes por apresentarem arranjos mais discretos e letras que não alcançam a mesma força da proposta visual.

Desafio de equilibrar conceito e emoção

Um dos pontos levantados nas avaliações do álbum é que a construção conceitual de “Equilibrivm” acaba sendo mais forte do que algumas das próprias músicas.

Embora reconhecida como uma artista de grande presença e alcance internacional, Anitta recebeu críticas por entregar interpretações consideradas menos emocionais em determinadas faixas.

Canções como “Eu Não Sou Santa” e “Respira” foram apontadas como exemplos de momentos em que a mensagem do projeto parece se sobrepor ao impacto musical.

Outra escolha que chamou atenção foi a versão em espanhol de “Azul”, composição de Djavan. A inclusão reforça a busca da cantora por dialogar com públicos de diferentes idiomas, mas também gerou questionamentos por destoar da forte valorização da música brasileira presente no restante do álbum.

Um dos projetos mais importantes da carreira

Anitta afirma que as duas partes de “Equilibrivm” representam o trabalho mais importante de sua trajetória.

O projeto marca um momento de maior exposição de sua espiritualidade e de valorização das raízes culturais brasileiras, especialmente das manifestações afro-brasileiras.

Apesar das críticas, o álbum consolida uma fase em que a cantora busca ir além do formato pop tradicional e construir uma identidade artística mais ampla.

“Equilibrivm II” confirma a disposição de Anitta em experimentar novos caminhos, mas também mostra o desafio de transformar uma grande ideia em músicas capazes de alcançar a mesma dimensão da narrativa criada ao redor do projeto.